Bola na Torre recebe o governador

O governador Simão Jatene foi o convidado especial do Bola na Torre (RBATV) deste domingo, falando sobre a escolha de Belém para sub-sede da Copa América 2015 e o sucesso de organização do Super Clássico das Américas, entre Brasil x Argentina, no Mangueirão. Antecipou a disposição de retomar o projeto de otimização do entorno do estádio estadual, criando quadras poliesportivas, centro de treinamento e ginásio para abrigar competições olímpicas. Declaradamente azulino, Jatene mostrou-se satisfeito com o sucesso do Paissandu na Série C e do Independente Tucuruí na Série D, ressaltando ainda a maciça presença de equipes interioranas no campeonato estadual. A presença do governador provocou o congestionamento da central telefônica e um número recorde de participações via Twitter e SMS. (Foto: MARCELO LÉLIS/Diário)

Coluna: A dois passos do acesso

A grande mudança de atitude, esboçada no final da fase anterior, se confirmou. O Paissandu, que vinha aos trancos e barrancos na competição, engrenou de vez a partir da chegada de Edson Gaúcho e já pode ser considerado um dos melhores times da Série C.
A transformação é tanto na parte técnica quanto no ânimo da equipe. O grupo de jogadores, como já foi dito aqui, é o mesmo, mas o time é outro. Há aproximação, velocidade e iniciativa. Itens fundamentais em qualquer projeto vitorioso.
Contra o Rio Branco, ontem, nem mesmo o gol sofrido logo no começo foi capaz de desestruturar o Paissandu. Pelo contrário. A desvantagem tornou o time ainda mais empenhado em cumprir o planejamento de pontuar em casa inimiga.
Ocorre que a reação não veio de maneira açodada ou na valentona. Foi um processo natural. Passes precisos, setores que interagiam e bom posicionamento no meio-de-campo, onde Juliano se desdobrava para ser volante e auxiliar Robinho na armação.
Não se pode dizer que o time esteve impecável em todas as linhas, mas os pontos positivos foram suficientes para garantir o resultado. Quando empatou a partida, no lance confuso que começou com o cabeceio de Márcio Santos, o Paissandu já fazia por merecer a igualdade.
Os avanços eram organizados, com os laterais Sidny e Fábio apoiando os homens de frente. Fábio, por sinal, fez sua melhor apresentação com a camisa do Paissandu. Defendeu com precisão e atacou melhor ainda. Rafael Oliveira caía pelo lado esquerdo do ataque, trazendo sempre um marcador em seu encalço, permitindo sempre um bom espaço para que o lateral entrasse.
Curiosamente, o Rio Branco não percebeu esse buraco defensivo e foi por lá que, quase ao final da partida, Fábio e Rafael manobraram para chegar ao desempate. Antes, porém, também em jogadas pela extrema esquerda, a bola chegou com perigo diversas vezes à área acreana. Josiel, em excelente cabeceio, e Potiguar, em dois arremates, quase marcaram.
O segundo tempo do Paissandu foi praticamente perfeito, a começar pela estratégia de surpreender o Rio Branco, que pareceu sentir os efeitos da agressividade alviceleste. É que depois do empate no primeiro tempo ficou a impressão de que o time paraense iria tentar administrar o resultado.
Edson Gaúcho fez exatamente o oposto. Resolveu dar o bote, após perceber a desarrumação do adversário, cuja meia-cancha não funcionava como de outras vezes. Lesionado, Testinha não imprimiu o ritmo habitual e Palermo demorou a entrar. O Rio Branco tinha a defesa sob permanente sufoco, obrigada a rebater bolas para a frente sem o necessário trabalho de ligação com o ataque.      
Quando Potiguar e Héliton entraram, dois rápidos ataques do Paissandu sinalizaram para um desfecho favorável. Com até cinco jogadores revezando-se no certo à área acreana, era apenas questão de tempo para que o gol acontecesse. E assim foi feito, com competência e método. Grande vitória. 

   
 
Melhor do Paissandu e do jogo: Fábio Gaúcho, fundamental tanto defendendo quanto atacando. 

 
 
No sábado, o site Chance de Gol dava 92% de possibilidades matemáticas de classificação do Paissandu à Série B. Depois da vitória de ontem e do empate entre América x CRB, esse percentual deve subir ainda mais. E cálculos simples mostram que a combinação de resultados pode trazer o acesso antes do previsto.
Caso derrote o CRB no sábado e não haja vencedor na partida entre América e Rio Branco, o time paraense garantirá matematicamente a subida. Iria a 9 pontos, com 3 vitórias, e na pior das hipóteses dois outros times chegariam aos 9 pontos, mas com apenas 2 triunfos. 
O certo é que, independentemente das projeções, o Paissandu pavimentou o caminho para o acesso. Jogando no ritmo atual e com dois jogos ainda por fazer em Belém, pode-se dizer que a classificação é apenas questão de tempo. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 3)