Tribuna do torcedor

Por Aderson Santos de Vasconcelos (ad_remista@ibest.com.br)

Gerson, acho que o Remo deve sossegar e, novamente usar o resto para tentar se reerguer. Agora, deixando de lado o debate sobre a questão se o Remo tem ou não o direito de entrar no tapetão, gostaria de dizer o seguinte. Você sempre critica os times que entram no famoso tapetão para tentar reverter uma situação sobre supostas irregularidades. Tudo bem, mas se há uma irregularidade e o time perdedor não entrar na Justiça nesse caso não seria legitimar a falcatrua, a desonestidade, a desonra, e por que não dizer – a incompetência do time vencedor que estaria sendo protegida? Não pela lei, mas por uma mania de achar que futebol só se ganha dentro de campo?

Nos campeonatos oficiais, temos futebol profissional e por isso precisa-se de toda a documentação correta. Já imaginou a Fifa dizendo “Coloquem seus times nos campeonatos oficiais e não se preocupem com as documentações, pois se o seu time perder ninguém dará importância. Mas, se o seu time vencer e o perdedor entrar no tapetão, não se preocupem pois a imprensa dirá que é feio entrar na Justiça, uma vez que não venceu em campo. Nessa situação, todos estaremos premiando a falcatrua para não exaltar a incompetência dentro de campo. Futebol profissional precisa de documento legal.

Aderson, não se trata de advogar a falcatrua ou a ilegalidade. No caso específico do recurso que o Remo move para tentar paralisar o campeonato, o alvo da ação é um atleta, e não seu clube. Com isso, são mínimas as chances de sucesso da iniciativa remista. Por uma questão de princípios, sou normalmente avesso a recursos no tapetão. Ainda prefiro as vitórias obtidas às claras, conforme as regras do jogo. Acho realmente feio, embora entenda que os clubes têm todo o direito de recorrerem aos tribunais quando se sentem lesados.

Craque Messi é agredido na Argentina

Torcedor batráquio existe em toda parte. O craque argentino Lionel Messi foi agredido por um torcedor depois de almoçar em um restaurante na sua cidade-natal, Rosário, na tarde desta quinta-feira. Segundo a imprensa local, o agressor, que seria menor de idade, é torcedor do Rosário Central. Ao aproximar-se do jogador do Barcelona, que dava autógrafos a fãs na na saída do restaurante no qual comeu acompanhado de mais dois amigos e sem seguranças, o jovem teria dito: “Eu sou torcedor do Rosário, você, do Newell’s – as equipes são rivais”. Messi teria se retirado do local imediatamente. O dono do restaurante em que aconteceu o incidente confirmou o ocorrido à rádio LT3 AM 680, de Rosário. Messi jamais atuou como profissional na Argentina e não tem vínculo forte com qualquer equipe do país. Aos 13 anos, ele mudou-se para a Espanha a fim de defender o Barcelona.

Uma bela homenagem a um grande jornalista

Tudo começou a partir de uma conversa entre o adjunto da editoria Rio Jorge Antonio Barros e o repórter do Segundo Caderno de O Globo Mauro Ventura, que queria homenagear o pai. Jorge propôs: por que não imprimir alguns exemplares do jornal com a primeira página toda dedicada a ele? A sugestão foi aceita pelo jornal, que começou a se mobilizar para celebrar o aniversário de 80 anos do escritor e colunista Zuenir Ventura, completados nesta quarta-feira.

A homenagem ao colunista e autor de “Cidade partida” uniu da redação à arte, da fotografia ao parque gráfico. A diagramadora Raquel Cordeiro desenhou a página e os colunistas foram convidados a participar. Chico Caruso fez sua tradicional ilustração e o primo de Zuenir, João Máximo, escreveu um dos textos – tudo como numa primeira página de verdade. As fotos trazem companheiros de redação como Ancelmo Gois, Artur Xexéo e Joaquim Ferreira dos Santos, a neta Alice, a mulher, Mary, e os filhos, Elisa e Mauro. A manchete – “1931, o ano em que tudo começou” -, criada por Ana, nora de Zuenir, faz referência ao ano de nascimento e a seu livro “1968, o ano que não terminou”. Os textos lembram seu best-seller “Cidade partida”, falam de seu futuro livro, com título provisório de “Sagrada família”, e citam os 30 anos de magistério e os mais de 50 de jornalismo.

Assim que todo o jornal terminou de ser rodado, a primeira página foi rapidamente substituída pela página especial e foram impressos mais 200 exemplares, para ele distribuir aos amigos e parentes. Esse jornal com a primeira página trocada foi entregue na casa de Zuenir, que levou um susto. A ponto de confessar sua impossibilidade de ler naquele momento:

– Não consigo. Estou muito comovido.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/06/01/no-dia-de-seus-80-anos-zuenir-ventura-vira-manchete-924588225.asp#ixzz1O5Z146Xg

Coluna: O desafio do comandante

Roberto Fernandes é a bola da vez. Assim como Givanildo Oliveira veio para o Remo há duas semanas, o novo treinador chega sob o signo da esperança para o Paissandu. Depois de cinco meses sob a batuta de Sérgio Cosme, cujo santo nunca bateu com o da torcida, a diretoria prepara-se para fazer as pazes com a Fiel.
A insatisfação com o ex-técnico, acompanhada de desconfiança em relação ao presidente, levaram a um fenômeno curioso: mesmo ganhando o turno sem maiores atropelos, o time jogou quase sempre para arquibancadas vazias. Talvez o reflexo mais positivo da contratação de Fernandes seja esse reencontro com a massa, às vésperas da decisão do campeonato.
Em função desse pacto não declarado, visível na reação positiva do torcedor ao anúncio do nome de Fernandes, o Paissandu credencia-se ainda mais como favorito à conquista do tri. Mas é bom que o torcedor não transforme o técnico em salvador da pátria.
Fernandes tem credenciais, trabalhou em boas equipes, mas não opera milagres. O elenco é sabidamente limitado. Existem deficiências sérias na defesa, laterais e meio-de-campo. O desafio, para os dois jogos decisivos, será estruturar um time competitivo, capaz de superar as fracas atuações do segundo turno, quando sequer conseguiu chegar às semifinais.
É provável que a mudança de comando reanime o grupo e inspire melhoria no rendimento dos jogadores. O inconveniente é que o treinador foi trazido para a campanha na Série C, mas antes encara a prova de fogo da final do campeonato. Como o adversário vem do interior do Estado, na condição de franco-atirador, toda a pressão estará com o Paissandu.
É aquela velha história: se vencer, não fez mais do que a obrigação. Caso perca, terá que contabilizar o ônus da frustração do torcedor. E o sucesso na preparação para a Série C está diretamente atrelado ao êxito na conquista do tricampeonato estadual.  
 

Com a Fifa abalada por uma saraivada de denúncias, Joseph Blatter foi praticamente aclamado ontem para mais quatro anos de mandato. Vai presidir a entidade sob previsível bombardeio de acusações, mas parece indiferente ao fato. Prova eloquente de que cartolagem habita um universo paralelo, imune ao clamor das ruas.
 
 
Depois das seguidas presepadas da gestão passada, a atual diretoria do Remo tem o dever estatutário de preservar o clube de novos vexames públicos. Apelar ao tapetão por um resultado que não conquistou em campo é gesto inoportuno e desgastante. Pode até ser legal, mas é antipático e pouco nobre. Denunciar suposta condição irregular de um atleta do Independente não diminui o tamanho do prejuízo representado pela eliminação do campeonato e a perda da vaga à Série D. Pior: corre o sério risco de sofrer uma nova derrota.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 2)