Coluna: Futebol exige bons campos

Recebi imagens e fotografias do gramado (?) do estádio Parque do Bacurau, registradas na partida de domingo entre Cametá e São Raimundo, que não deixam margem a dúvidas: é o pior campo deste campeonato, superando até o da Curuzu e do Zinho Oliveira, também em precárias condições. Consciente da gravidade do problema, o Paissandu não quer mais jogar em seu próprio estádio.
Tenho insistido na cobrança por gramados decentes porque deveria ser o primeiro dos itens verificados pelas comissões de vistoria organizadas pela Federação Paraense de Futebol. Não é por mero acaso que a Fifa, ao editar suas célebres 17 regras, entendeu de começar pelo campo de jogo.
O campo é a primeira preocupação porque os bons espetáculos dependem de uma superfície plana e recoberta de grama regular. Em terrenos esburacados, como é comum no Campeonato Paraense, o bom futebol é a primeira vítima e os atletas correm sérios riscos de lesões. 
Todos se nivelam por baixo, ninguém escapa, nem mesmo os mais aquinhoados de talento. Jogadores como Leandro Cearense e Robinho são verdadeiros fenômenos por conseguirem mostrar qualidade apesar do campo enlameado e cheio de depressões do Parque do Bacurau.
A maior das ironias é que o Cametá tem provavelmente o conjunto mais afinado do Parazão, com ênfase na troca de passes, manobras rápidas e jogadas de efeito. Como seus jogadores se esmeram no toque de bola e lançamentos, acabam prejudicados dentro de casa.
Os árbitros também sofrem. No Parque do Bacurau e na Cuzuru, principalmente, as barras demarcatórias da grande área e da linha de fundo praticamente desaparecem em dias chuvosos. Com isso, lances de extrema importância, como pênaltis, podem ter sua interpretação prejudicada. E ninguém poderá culpar a arbitragem por isso.
A situação geral é tão grave que campos apenas razoáveis, como os do Barbalhão e Souza, são citados como exceções. Sabe-se que o Parazão é disputado sob as fortes chuvas do inverno, mas um problema de origem natural não pode servir de desculpa para a incúria e a negligência dos clubes. O futebol, que já não é lá essas coisas, fica ainda mais feio quando jogado em gramados de várzea. 
 
 
O amigo desportista Ubirajara Lima, que visitou Manaus no fim de semana, voltou impressionado com a ausência quase total de notícias do futebol amazonense na imprensa baré. Predominância quase total de informações sobre campeonatos cariocas, paulistas e torneios europeus.
Depois de muito pesquisar nas páginas dos jornais, conseguiu descobrir os resultados da rodada do certame nativo: Nacional 1 x 1 Penarol e Rio Negro 0 x 3 América. Diante disso, entusiasmado, Bira conclui: “Viva nossa criticada imprensa paraense!”. Pois é…

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19)

20 comentários em “Coluna: Futebol exige bons campos

    1. Não, Saulo. A solução seria tratar adequadamente os campos. Hoje, eles são deixados em segundo plano, não há qualquer preocupação com o plantio e replantio de grama. E isso tem a ver com a ausência de sanções para as condições dos gramados. Se os estádios de gramado ruim fossem vetados, a história seria outra.

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      1. Gerson, taí uma questão que sempre me encucou. Seria a qualidade da grama e a técnica de plantio, ou preparo e manutenção do solo? Só não dá pra engolir a história de que é culpa do clima. Penso que é falta de preparo e drenagem adequada do solo. Outra, não sei por que ainda temos esses alambrados horriveis. Já pensou um belo gramado, emoldurado por um vidro daqueles que qualquer condomínio ou estadiozinho tem hoje em dia? Dá pra ajeitar e deixar uma Curuzu, p ex, um ótimo estádio pra 12-15mil pagantes.

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      2. Maurício, estádios como o Souza, Curuzu e Baenão poderiam ser transformados em belíssimas arenas, de até 15 mil lugares, com aproveitamento tanto em jogos como em eventos – shows, principalmente.

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  1. Para mim o gramado do Baenão é muito melhor que o do Souza, que foi muito elogiado domingo. Logicamente, fora à parte o do Mangueirão, dentre os piores, os que oferecem melhores condições, são o de Santarém e o Baenão. Nestes, mesmo com chuva, além de não formar muita lama; quando secos, a bola rola bem mais serena. Domingo, no Souza, além do sol, os jogadores sofreram bastante para dominar a bola que rolava muito irregularmente sobre os “grugumilhos” e “bruco-brucos” do relvado. Nesta difícil tarefa, acima de todos, esteve o Sidny, que teve participação destacada em dois gols e fez o outro, numa bela jogada. Parabéns a ele.

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  2. Dois pontos:
    1- Quanto aos campos de futebol, concordo com o Gerson, penso que, se nãofaz parte, deveria fazer, dessas vistorias anuais que fazem nos estádios, vetando os campos sem condições. Vale ressaltar que o campo do Remo e o mangueirão, hoje, em Belém, são os melhores;
    2- A Mídia Paraense, nesse ponto em que bateu o Sr. Ubirajara Lima, ela é uma das melhores do Brasil. A Rádio Clube,por exemplo, possui programas de esportes, do inicio ao fim do dia e, cobre todos os jogos, principalmente de Remo e Paysandu. Nota 10.
    – Por outro lado, essa mesma Mídia, a quando não consegue enxergar que técnicos bons do cenário nacional enquanto não voltarem ao futebol Paraense e se der condições para eles desenvolverem seus trabalhos, teremos times falidos e a Mídia sobrevivendo, como é a situação nos dias de hoje. A intromissão da mídia, até na escalação dos times, contando com a colaboração dos dirigentes incompetentes e técnicos locais e aqueles chamados “pau mandados”, faz, há muito tempo com que Remo e Paysandu, não consigam se levantar.
    – Temos que separar as coisas, para não generalizar.
    – Aliás, fiquei a pensar nessa preocupação da Mídia, com os times de Remo e Paysandu para a série C. Uma pergunta: Se o Técnico do Paysandu fosse o Charles Guerreiro e do Remo o Sinomar, a mídia estaria preocupada? Bom, foi só uma pergunta.
    – É a minha opinião.

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    1. Amigo Cláudio, pobre não mora em casa de luxo, nem os da capital teem palacetes. Penso que temos que nos adequar a realidade do futebol regional. Por exemplo: contratações de jagadores com exorbitantes salários e em quantidades absurdas. Mudando de assunto, o Metropolitano estava bonzinho domingo passado e facilitou as coias para o JEC que sai de campo com um empate. Rsrsrs GIBA está eufórico… Rsrsrsrs

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      1. Facilitou é, amigo Berlli, então tá.rsrsr . A Chapecoense que se cuide.

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  3. Em nada me surpreende o que vem do futebol manauara, conheço àquela realidade. Assim como, após um ano morando novamente em Belém, o futebol paraense não me surpreende, a não ser a imprensa esportiva paraense, carregando fervorosamente, junto com a torcida, o nosso futebol.

    Quanto aos gramados, é praticamente impossível dar-se um rumo adequado para a sua excelência. O motivo é dos mais complexos e, por que ? Bom, se estivéssemos falando de Palmeiras, São Paulo, etc, etc e etc, seria fácil, mas, a questão envolve, Remo, Paysandu,Tuna,….Cametá. Uma pergunta. Qual deles, têm um CT ou apenas um campo para treinar ? Ora, sabemos que o campo que serve para treinar diariamente é o mesmo em que os jogos do campeonato acontecem.

    Portanto, sei que este problema levará tempo para ser resolvido. Não há piso que resista a imensidão de água que cai por aqui, nos gramados, e a pressão das chuteiras dentadas, diariamente.

    Se eles não têm dinheiro nem para formar um bom time, como exigir investimento aos gramados de maneira consistente, sim porque, é de paliativos, que o futebol paraense anda, mas com insuficiência respiratória.

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  4. Ufa Ufa Ufa ! Enfim alguém alertou para os gramados, parabéns Gerson.

    A solução é simples, a troca completa dos gramados por gramados melhores e seus sistemas de irrigação. Eu sei que o projeto é caro, em torno de R$ 120 mil, mas se trata de investimento no principal que é o campo de jogo. Venho falando a muito tempo que é muito ruim para a imagem do nosso futebol esses gramados que vemos.

    Em 2006 num PSC e Nautico pela Copa do Brasil o Kuki disse q a Curuzu não era campo e sim um pasto, de lá pra cá o que foi feito? Assistam o Fantástico de domingo e vejam os gramados pelo Brasil, são de razoáveis pra bom, o amigo Berli tá em SC e pode falar melhor dos campos de lá, inclusive os dos times pequenos.

    Tá na hora, bons gramados já.

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    1. Caro Marcelo Maciel, bato sempre nessa tecla, inclusive ontem fiz um comentário sobre isso, quando se aprova um estádio esquecem dos gramados, esquecem quem vai usar aqueles campos, a integridade física dos jogadores fica em 2º plano, aí as críticas em cima desses jogadores vão aumentando de acordo com a condição dos campos, as piores possíveis.
      Abraço

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  5. Como falei ontem dos gramados fica uma pergunta para a FPF: Como vai ficar aquela situação de invasão de campo no sábado a noite no Zinho Oliveira? Com a palavra a Federação Paraense de Futebol.
    Quando se fala em interiorização do futebol paraense em tese é muito bonito, na prática é isso tudo que está aí, campos sem condições, estruturas com deficiência, segurança arriscada e muito mais coisas que não dá pra enumerar, porém os que fazem o futebol paraense dão aval final, e ponto.
    Acompanho todos os canais de esportes nacional, não vejo nenhum jogo de Belém o interior, E a pergunta é essa: O que falta pra ser mostrado em rede nacional?

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  6. Bom dia Gerson!
    A respeito do assunto gramado de jogo, escrevi para sua coluna no Diário do Pará, bem antes do começo do campeonato, onde fiz ver a necessidade de uma vistoria prévia nos gramados de jogo, tal como acontece com as demais dependências dos estádios. A total falta de interesse dos clubes e a falta de um posicionamento mais firme da FPF, nos mostra clubes jogando em gramados deprimentes, que mais parecem charcos, e o exemplo não vem de hoje, lembre do estádio de Abaetetuba, o de Icoaraci, é realmente um descaso total.

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  7. Gerson, já estive dentro das 4 linhas mediando partidas de base e me baseio no piso do gramado: o melhor gramado é do Mangueirao, seguido de CEJU, Baenao, Curuzu, Souza, Modelao e Colosso do Tapajós…..e.t.c…o do Aguia é durissimo, a bola quica, nao rola…No Parque do Bacurau, se os colegas fossem cumprir a regra, na sumula, o local condicoes do campo, seria sempre irregular..e quem sabe eles nao colocam…aí entra o peso politico da coisa….agora o Bira Lima nao poderia ficar surpreso com a falta dos jogos locais de Manaus…isso já vem de longas datas….

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  8. Amigos, 2 coisas são importantes levarmos em consideração:
    1-Futebol, espetáculo e entretenimento, realmente precisa de gramado e arena em condições adequadas.
    2-Principalmente no Brasil, futebol também é uma forma de inclusão social.
    Obviamente, que as 2 situações não são excludentes, e deve-se ver uma forma de cada um dos pontos evoluirem gradativamente. Porém, impedir que os jogos serem realizados no interior, que sempre é uma festa, é ignorar a importância de ser ter este movimento de interiorização, que já é grande em outros centros e que começa a ficar mais forte no nosso regional, que fortalece mais o campeonato e deixando o mesmo de ser cumprimento de tabela por parte dos ditos grandes.
    Agora, como melhorar é uma questão a ser colocada para todos, governos estaduais e municipais, seel e acima de tudo FPF. Porque a FPF não pega uma parte dos 10% que ela pega do valor bruto das rendas dos jogos e reinveste pelo menos na melhoria dos gramados? Simplesmente temos um valor de 10% descontados que ninguém consegue ver para onde vai. Com gramados e arenas melhores se consegue melhores contratos para o campeonato e com certeza também se teria mais público e com isso se obteria o retorno do investimento.

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  9. concordo.

    para o campeonato começar a apresentar um nivel melhor, tem que dá condições aos jogadores para apresentar um bom futebol, campo ruim nivela o jogo por baixo.

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  10. Gerson, outro aspecto importante é a iluminação de algumas estádios em jogos noturnos. Tem estádio em Belém que é uma verdadeira boate. No interior então, nem se fala. A iluminação do Navegantão, inaugurada recentemente, é tão ótima quanto a iluminação do meu quarto com as luzes apagadas. Meu Deus! Em tempos de futebol-espetáculo, onde imagens, cores e sons interagem com a torcida e são tão importantes quanto dribles, gols e vitórias, o nosso campeonato, com seus “gramados” e “iluminações”, está na contra-mão dos tempos.

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  11. MOREI em Manaus de 1985 a 1989. Não é de hoje o desinteresse do amazonense pelo futebol local, exceto numa única temporada em que o Naça fez relativo sucesso no camp. brasileiro.
    A arena de lá ficará para outros eventos e para quando Flamengo, Vasco etc irem lá, convidados.
    Que não se zanguem os irmãos barés.

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