Coluna: A Tuna é fundamental

Há quase duas semanas, quando a Tuna foi fragorosamente derrotada pelo Sport e ficou a um passo da eliminação, escrevi uma coluna carregada de críticas à desambição da diretoria lusa. Reclamava do desmazelo com que o futebol era tratado no Francisco Vasques e chegava a questionar a opção, improvisada, por Flávio Goiano como técnico. Coincidência ou não, a partir daquele revés, a Tuna voltou a ser Tuna, confiante e vencedora.
Quem gosta de futebol sabe que o retorno da tradição tunante à divisão de elite é, seguramente, a melhor notícia deste final de temporada. A emoção provocada pelo desfecho surpreendente da definição das vagas, ontem,  confirma a importância que a Tuna tem para o equilíbrio de forças no campeonato paraense. Irrompeu então, assim do nada, uma fiel e apaixonada torcida, que costuma ser discreta e ordeira até nas comemorações.
Até foguetes foram ouvidos pela cidade, em manifestações de contentamento mais comuns aos torcedores de Remo e Paissandu. Já nos acostumamos a ver no tunante um aficionado diferente, mais aferrado às tradições e sem aquela ânsia por conquistas tão comum a outras torcidas.
Ainda no domingo, fui ao estádio do Souza comentar o jogo contra o Abaeté para a Rádio Clube. Testemunhei a chegada de dezenas de torcedores, geralmente famílias inteiras, em clima de absoluta cordialidade, sem a postura ruidosa de remistas e bicolores. Avalio que isso só é possível pela ausência das famigeradas “organizadas”, responsáveis pelo acirramento de ânimos nos estádios.
Nas arquibancadas, até existem grupos uniformizados, mas que se comportam como desportistas. Não se vê apologia da violência, nem canções de guerra. Pode-se dizer que a Tuna tem uma torcida pacífica, essencialmente preocupada em torcer.
O emocionante final do jogo em Mãe do Rio, coroado pelo gol salvador de Giovane, foi a maior alegria cruzmaltina nos últimos anos. Mais que o título da primeira fase do Parazão e a classificação à etapa principal, o feito representa a ressurreição da Tuna para o futebol.
E isso não diz respeito exclusivamente aos tunantes. Significa que todas as demais torcidas saem lucrando, pois o campeonato não é o mesmo quando um clube centenário, detentor de dois títulos nacionais, é barrado no baile. O retorno da velha Águia garante um torneio com mais dois clássicos. Nesses tempos de times de aluguel e futebol-empresa, os demais clubes que me perdoem, mas a Tuna é fundamental.
 
 
A precária política de boa vizinhança entre Remo e Paissandu, que vinha sendo alardeada desde a negociação do atacante Héliton, com juras de amor eterno, parece em vias de virar guerra de bastidores. A trégua foi quebrada com a notícia de que a diretoria alviceleste passou a perna nos dirigentes azulinos. O atacante Rafael Oliveira, que vinha negociando com o Remo, firmou acordo para disputar o campeonato estadual pelo Papão.   

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 23) 

20 comentários em “Coluna: A Tuna é fundamental

  1. Não me parece que o Paysandu tenha passado a perna no Remo ao ficar com o Rafael Oliveira. Essa figura foi rebaixada com o Paysandu, saiu esnobando o clube para jogar no Santa Cruz, onde foi rebaixado para a prestigiosa quarta divisão. Depois de peregrinar por clubes desconhecidos, ele agora reaparece no Ananindeua e não consegue classificação para a fase principal. Que currículo invejável! E ainda dizem que fora de campo ele não deixa nada a desejar ao Fabrício, se não for pior! Que serviço o Paysandu prestou ao Remo! A que ponto nossos clubes chegaram. Ficar brigando por um jogador desses?

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  2. ” Passar a perna “, ” o jogo da vida ” , ” matador ” ” salvador da pátria” são velhos pastiches da imprensa esportiva.
    Agora mesmo leio a expressão no caso Rafael Oliveira. O jogador deve ter lá suas razões para preferir o Paysandu. Clube e ajogador já se conhecem e devem ter feito o que julgam melhor.
    Não alimentemos mais rivalidade do que já existe entre azulinos e bicolores.

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  3. Gerson, mesmo redundante, entendo que todos nós não torcemos contra os adversário da Tuna nesta primeira fase, mas desejavamos ardentemente o retorno da LUSA à companhia de Remo e Paysandu.
    Que a Tuna volte a ser o ” fiel ” da balança do campeonato paraense, preparadndo-se devidamente, claro.

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  4. Gerson, apesar de torcedor do Paysandu, desejo um ótimo retorno à velha “Águia Guerreira” e que desbanque o time de Marabá que tem o técnico mais falante do mundo.

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  5. A política da boa vizinhança ao que parece não sofreu neste caso, qualquer ranhura. Cada um dos Clubes ficou com um jogador: Clube do Remo ficou com o tal de Finhinho e o Paysandu ficou com o não menos tal Rafael Oliveira !
    Tudo blu no Baenão e Curuzu, aparentemente.

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  6. Concordo plenamente, amigo Gerson,no que se refere a torcida da Tuna. Aliás, quando a Tuna joga, levo minha filha comigo e fico no meio da torcida, sem medo. É muito bom ter a Tuna de volta.
    – Quanto ao Rafael Oliveira, se ele não chegou a dar sua palavra ao Remo, penso ser perfeitamente normal o jogador decidir para onde quer ir. Acredito que o Remo ganhou mais com o Fininho, que a meu ver era o jogador para ser mais disputado por Leão e Papão. É a minha opinião.

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  7. O problema não é o jogador ir para o Baenão ou Curuzu e sim a supervalorização de um jogador que como colocou bem o Antônio Lins, não ganhou nada.

    Ele apareceu bem na 1ª rodada com um gol, a imprensa começou a elogia-lo e aí já viu, imprensa fez um elogiu as diretorias ficam loucas pra contratar o jogador, depois…..

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  8. Cronista de futebol é assim mesmo, bate e assopra, quem não pode errar é o pobre do dirigente, se o time ganha louros aos jogadores se perde pau nos cartolas e a vida segue. Mas, salve, salve a Tuna, só quem não jogou bola é que não passou por lá, na Tuna todos tinham vez, diferente de Paysandu e Remo onde só os da panelinha tinham vez. Viva a Tuna o celeiro de craques, merece a volta e que seja pra ficar.

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  9. Égua mermão parece que não é dessa vez que meu LEÃO vai ter divisão porque a Lusa vai se preparar mais ainda e com ela e o time da cidade modelo mais águia do João bocão mais Cametá e S.Raimundo meu REMO vai ter de pena´muito mermão bem que eu disse que eu tinha medo era da Tuna se classificar.

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  10. Viva a águia-guerreira. Com sorte ela chegou de onde não deveria ter saido. Agora é trabalhar para não cair mais. Com a disputa no Parazão, os recursos de patrocínio voltarão a fluir e com o pé no chão será possível montar um time com a qualidade para fazer bonito no campeonato.

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  11. COMO NÃO CONHEÇO O PASSADO DO TUNA LUSO PORQUE CHEGUEI HÁ DOIS ANOS AQUI E NÃO LEMBRO DE TE VISTO ESSE TIME NO CAMPEONATO ,MAS JÁ DESCOBRI QUE QUE FOI OU ERA UMA TERCERIA FORÇA DO PARÁ DEPOIS DO “SEMDIVISÃO”E O PAYSANDU O PRIMEIRO TIME,CLARO.E AGORA FICO IMGANINADO O QUANTO ESTÃO TREMENDO DE MEDO DE SEQUER TER DIVISÃO PRA DISPUTAR NO SEGUNDO SEMESTRE AS AZULETES DESBOTADAS.AFINAL TER QUE SER CAMPEÃO OU FICAR EM SEGUNDO OU TERCEIRO EM UM CERTAME ONDE HAVERÁ PELO MENOS 6 TIMES QUE QUASE SE EQUIVALEM VAI DIFICIL …MAIS UM SEGUNDO SEMESTRE SEM CALENDÁRIO.RS,RS,RSCHORA SOEIRO MENINA TOLINHA RS RS RS

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  12. Legal, Otávio !
    Você foi feliz na sua oportuna ênfase, dada a Tuna no que concerne às oportunidades.
    Há muito tempo fui testemunha disso.

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  13. A contradição impera em seus “argumentos” tentando desesperadamente atingir a nação azulina. Primeiro afirma que não conhece a história da Tuna. Porém, de maneira simultânea, reconhece que a Tuna era a 3ª força do futebol paraense, justamente, atrás do time de maior torcida do Pará, o Clube do Remo e do mais goleado do Brasil, o Paysandu.
    E, que perde seu tempo imaginando, se a nação azulina está ou não preocupada com a chegada da Tuna para o Parazão de 2011. Meu caro, a Tuna foi e continuará com muito esforço a 3ª força do futebol paraense e, por questões óbvias. No Pará a hegemonia, ainda que os céticos gritem contrariados, ainda pertence aos Titãs.
    Se quando a Tuna era uma equipe fortíssima não passou do terceiro lugar, não será agora que perderemos nosso sono. Acho que a incomodação está adentrando os portões da curuzu. Mas prossiga fingindo o contrário, acho que lhe faz bem.

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  14. A Tuna tem 100 anos de Historia no desporto paraense, suas prateleiras tem os primeiros copos Nacionais que o estado conquistou,.
    toda uma geracao de miudos passaram pelo Souza, muitos ganharam o mundo, a Tuna formou craques e forma tambem cidadaos.
    Para mim e todos os adeptos cruzmaltinos o que importa e’ estarmos na relva a disputar os campeonatos.
    cruzmaltino pensa dessa forma.

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  15. CRUZMALTINO? É TUNA ,É AZULETE OU É CRUZMALTINO ,PELA ETIMOLOGIA DA PALAVRA CRUZ DA OU DE MALTA …QUE TIME É SSSE ?É APELIDO DO TUNA TBM ?

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  16. pq gritas???

    Tuna=Grupo de Pessoa, Musico,poetas,estudante e etc….

    da cruz de malta, historicamente tem muita coisa para tu veres no google, se bem que creio que tu sabes o pq disso tudo.

    A Tuna e’ uma historia de muitas familias descendentes dos tugas que a construiram, da qual eu carrego com orgulho.

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