Castanhal é novo líder do campeonato

A primeira fase do Campeonato Paraense ficou ainda mais embolada do que já estava. A quinta rodada, disputada nesta quarta-feira, terminou com um novo líder e várias equipes empatadas na segunda posição. O Castanhal, que venceu o Ananindeua por 1 a 1 (gol de Branco), assumiu a ponta da tabela, com 10 pontos. A Tuna confirmou a boa fase e quebrou a invencibilidade do Parauapebas, chegando aos 9 pontos. O jogo terminou 3 a 1 para a Águia, no Souza, debaixo de muita chuva. No Humberto Parente, o Abaeté goleou o Sport Belém por 6 a 1, atingindo também 9 pontos. Em Mãe do Rio, o Santa Rosa bateu o Time Negra por 1 a 0. 

Classificação: 
         
1º Castanhal, 10 pontos 
        
2º Abaeté, 9 
         
3º Ananindeua, 9 
         
4º Tuna Luso, 9  
         
5º Parauapebas, 8  
         
6º Santa Rosa, 6 
         
7º Sport Belém, 4  
         
8º Time Negra, 2

Copa BR: Paissandu estreia contra Peñarol baré

O Paissandu pega uma carne assada logo na primeira rodada da Copa do Brasil 2011. Vai enfrentar o Peñarol. Não aquele do hino, mas o genérico, do Amazonas. A estreia do Bicola será fora de casa, em estádio ainda indefinido, no dia 23 de fevereiro, às 21h. A tabela da competição foi divulgada nesta quarta-feira pela CBF. O Águia de Marabá, outro representante paraense, terá parada mais difícil. Estreia contra o Brasiliense, no Zinho Oliveira, também no dia 23, às 21h. Na sequencia, caso passe pelo Peñarol, o Paissandu deve cruzar contra o Bahia. Participam da Copa BR 64 clubes. Uma das novidades será a participação do São Paulo, que passou sete anos ausente por disputar a Libertadores.

WikiLeaks: Pará comparado ao Velho Oeste

Por Uirá Machado

John Danilovich, ex-embaixador dos EUA no Brasil (2004-2005), afirmou em telegramas diplomáticos que o Pará se parece “com a imagem popular do Velho Oeste”: “isolado, pouco povoado” e uma terra “sem lei”. A visão é expressa em relatos sobre a morte da missionária Dorothy Stang, americana naturalizada brasileira. Stang foi morta em fevereiro de 2005, aos 73 anos, alvo de seis tiros, em uma estrada de terra perto de Anapu (750 km de Belém), por denunciar a grilagem e o desmatamento ilegal. Cinco pessoas foram condenadas pelo crime.
A Embaixada dos EUA no Brasil produziu nove relatórios sobre o caso nos três meses seguintes ao assassinato, e pelo menos outros seis foram elaborados até 2008. Os telegramas foram obtidos pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch), que teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado aos documentos.
Nos relatos do ex-embaixador, há elogios ao governo federal, cujo empenho foi considerado “vigoroso” sob “qualquer ponto de vista”. Mas Danilovich manifesta preocupação com a Justiça do Pará e sugere que a federalização do crime seria a melhor solução.

Parazão 2011 começará a 23 de janeiro

Aconteceu o que a dupla Re-Pa queria. O início do Campeonato Paraense 2011 foi adiado de 17 para 23 de janeiro. A mudança foi determinada em reunião realizada no Ministério Público estadual, que tratou das condições de segurança dos estádios, que ainda precisam ser vistoriados. A excursão de Remo e Paissandu ao Suriname foi o outro motivo do adiamento.

A sentença eterna

“Em 1970, enquanto eu e Janete (sua esposa) éramos cassados e presos, Maluf era estrela cintilante da ditadura. Em 2010, continuamos cassados e o Maluf…”.

Do senador eleito (e com registro cassado) João Capiberibe (PSB-AP), também impedido para a diplomação, por decisão monocrática da ministra Carmem Lúcia, do TSE, ao saber que o notório ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) foi inocentado, ficando livre das repercussões da Lei da Ficha Limpa.

Coluna: A caixinha de surpresas

Do céu ao inferno em 90 minutos. Assim devem ter se sentido os torcedores do Internacional depois da vexatória derrota para o desconhecido Mazembe, na semifinal do Mundial de Clubes. Podem buscar as teorias mais complexas, mas o resultado foi um desses acidentes próprios do futebol. Nenhum outro jogo coletivo abre tantas portas para resultados inesperados como o velho esporte bretão. E é bom que seja assim, mesmo que a situação seja dolorosamente cruel para os colorados.

Aprendemos, desde sempre, que zebras passeiam em qualquer tipo de terreno ou competição. Seja em meros torneios domésticos ou em competições de primeira linha. E só há um jeito de escapar das falsetas do futebol: jogar sempre no limite máximo da seriedade, evitando dar mole, como gostam de dizer os boleiros.

E a verdade é que ontem o Inter deu mole, bateu fofo nas divididas. A bola parecia pesar uns dez quilos nos pés dos jogadores. Talvez pelo lado folclórico, com aqueles penteados exóticos e coreografias desengonçadas, os times africanos quase não são levados a sério. E olha que há tempos eles ensaiam aprontar uma grande surpresa.  

Duvido que Celso Roth (ou qualquer jogador do Inter) soubesse, antes do Mundial, quem é e de onde saiu esse desconhecido time alvinegro. Agora sabe. Descobriu da pior maneira. Na estréia, contra o Pachuca, o campeão do Congo já havia mostrado desassombro. Por curiosidade, acompanhei a partida e fiquei impressionado com a correria dos africanos.

Curiosamente, nem precisaram correr tanto na semifinal. Ficaram mais à espreita, defendendo-se e esperando o momento do contragolpe. Aconteceu o que sempre ocorre em duelos desiguais. O time grande toma conta da bola e fica pressionando, cercando a área. O Inter fez isso, mas sem ameaçar de verdade. Não havia criatividade para buscar tabelinhas, forçar faltas ou arriscar chutes de fora da área. Em alguns momentos, o time de Roth lembrou a lerdeza da seleção de Dunga na última Copa.

Quando chutava – e chutou pouco –, o Colorado encontrava pela frente um goleiraço. Kidiaba mostrou-se seguro, pegou tudo. Ao contrário do Inter, o Mazembe saía com rapidez. Quando as chances apareceram, seus jogadores aproveitaram. Com objetividade, sem enfeitar. Como não têm maiores preocupações, os africanos ainda conseguem se divertir em campo. Parecem moleques disputando uma pelada. Isso faz toda a diferença. Quase ninguém no futebol moderno desfruta dos prazeres do jogo. Talvez apenas o endiabrado Messi jogue assim hoje. Os outros entram em campo como se estivessem a caminho do matadouro ou para bater ponto na repartição.

A ironia é que, em 2006, o Inter era a zebra. Levantou a taça porque Adriano Gabiru e a retranca de Abelão surpreenderam o todo-poderoso Barcelona. Desta vez, com pose de favorito, o Colorado desabou diante da molecagem africana. É duro, vai render piadas eternas dos gremistas e gozações argentinas, mas é educativo. As leis imutáveis do futebol ensinam que ninguém vence de véspera.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)