Justiça suspende leilão do Carrossel

A Justiça do Trabalho suspendeu o leilão judicial da área do Carrossel, pertencente ao Clube do Remo. A juíza Ida Selene, da 13ª Vara do Trabalho, aceitou o pagamento de R$ 300 mil feito pelo presidente do clube, Amaro Klautau. Em despacho publicado nesta terça (14), a juíza confirmou a suspensão e não poupou elogios a AK, “pelo tratamento digno que procura dar aos credores do clube, priorizando não apenas os passivos trabalhistas, mas os salários atrasados, evitando com isso novas demandas trabalhistas”. Mesmo considerando o pagamento de parte do débito como solução apenas paliativa, a magistrada deferiu o pedido feito pelo Remo.

AK deveria ser igualmente diligente com os salários de funcionários e atletas, atrasados há quatro meses. Deveria, também, zelar pelas finanças do clube, que tem suas receitas comprometidas pelos próximos dois anos. Além disso, podia ter evitado as atuais execuções judiciais, caso tivesse cumprido ao longo de seu mandato os acordos firmados com a Justiça do Trabalho.

Coluna: Vítima da superstição

O Remo anuncia a contratação do goleiro Lopes e parece manter vivo interesse em trazer Max. Ambos são ex-goleiros do Botafogo e, por uma questão natural, acompanhei atentamente suas passagens pelo clube da Estrela Solitária. São arqueiros de nível mediano, como tantos outros que militam no futebol paraense. Ambos, por sinal, bem inferiores tecnicamente a Adriano, que fez carreira no próprio Evandro Almeida, virou ídolo da torcida e se encontra em disponibilidade.
Vamos ser sinceros. A superstição, tão influente no futebol de antanho como no atual, é a principal responsável pelo veto a Adriano. Debaixo dos três paus e como profissional do clube sua conduta foi sempre irrepreensível. Mais que isso: assumiu a condição de torcedor remista, fator que o aproximou ainda mais do torcedor.
Há algum tempo, passou a ser apontado como “pé frio” por dirigentes e parte da imprensa esportiva. Nada mais injusto. Apesar de bicampeão estadual pelo clube, Adriano é associado a jornadas negativas do Remo nos últimos anos porque era um de seus mais destacados jogadores.
Ocorre que, apesar de campanhas impecáveis no arco remista, cumprindo seu papel com eficiência, arrojo e segurança, o goleiro tinha pouco a fazer se o restante do time apresentava deficiências sérias, como ausência de criação no meio-campo e centroavantes que simplesmente não faziam gols.
Foi o que ocorreu nesta temporada, quando o Remo fracassou rotundamente no campeonato estadual e na Série D, em face da baixa qualidade dos times montados e do caótico comando técnico de Giba. Duvido que o torcedor remista culpe o experiente goleiro pelos maus passos da equipe. Pelo contrário, a maioria reconhece que o Remo contava com Adriano e mais dez. A rigor, o guardião também teria motivos para queixar da infelicidade de compor times tão medíocres durante a maior parte do período em que serviu ao clube.      
Pela vinculação à má fase do Remo, o goleiro teria sido riscado da lista de opções da nova comissão técnica. Paulo Comelli e Armando Bracalli, principalmente o segundo, entendem do assunto, mas soa pouco profissional que descartem Adriano sem ao menos vê-lo em ação.
 
Sérgio Cabeça Braz é, desde ontem, presidente do Remo de fato e de direito. Assume e ganha, como “presente” natalino, a notícia do segundo empréstimo contraído por Amaro Klautau junto à CBF. Desta vez, a entidade liberou R$ 1 milhão. O primeiro, inferior a R$ 200 mil, ainda não foi pago pelo presidente que sai. Resulta dessa confusa operação financeira de AK que a nova diretoria não contará com a verba do contrato de patrocínio do governo do Estado.  
O dinheiro serviria para pagar salários atrasados. AK esteja deixando um rastro de quatro meses sem pagar jogadores e funcionários. Agora, a quantia será usada para sustar o leilão da área do Carrossel e reabrir entendimentos com a Justiça do Trabalho, depois que a atual gestão descumpriu todos os acordos de conciliação. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 14)