Bracalli chega e Remo anuncia reforços

Armando Bracalli, novo superintendente de futebol do Remo, chegou no domingo a Belém e já começou a trabalhar com o técnico Paulo Comelli com vistas à formação de um elenco para a temporada 2011. O primeiro desafio será levar um time competitivo para o torneio internacional de Paramaribo, na primeira semana de janeiro. Com Bracalli, veio o auxiliar técnico André Chita, que já trabalhou na Tuna. Na manhã desta segunda-feira, os dirigentes anunciaram a contratação do zagueiro Diego Barros, que já defendeu o clube, e do meia-atacante Tiago Marabá, que estava no Águia. Daniel, também do Águia, continua nos planos. Para o gol, Max, ex-Vila Nova (GO) e Botafogo, é o mais cotado. Comelli indicou, ainda, os zagueiros Paulo Sérgio e Ademilson, do futebol maranhense. O meia Reis, o goleiro André e o volante Gabriel, campeões sub-17, também serão integrados ao elenco.

Bola de Ouro: Barcelona tem três finalistas

Três jogadores do Barcelona disputam o prêmio de melhor jogador de 2010: Messi (vencedor no ano passado), Iniesta e Xavi são finalistas da Bola de Ouro, prêmio que será entregue pela Fifa e pela revista “France Football” no dia 10 de janeiro de 2011. A brasileira Marta vai lutar pelo penta no futebol feminino. O jornal “Gazzetta dello Sport” publicou domingo que o trio do Barça ficaria na final  e que Iniesta, autor do gol do título da Espanha na Copa do Mundo, é o favorito para vencer a disputa. Neste ano, o prêmio foi unificado pela Fifa e pela revista francesa. Candidatos como o uruguaio Forlán (eleito o melhor do Mundial), o holandês Sneijder e o português Cristiano Ronaldo ficaram fora da briga.

Quando a Bola de Ouro era organizada apenas pela “France Football”, só o Milan conseguiu ter jogadores nos três primeiros lugares: em 1988 (Van Basten, Gullit e Rijkaard) e 1989 (Van Basten, Baresi, Rijkaard). No ano passado, o Barça teve dois finalistas no prêmio da Fifa: o vencedor Messi e Xavi, que dividiram o pódio com Cristiano Ronaldo (em segundo). (Com informações do G1 e ESPN)

Ainda acho que La Pulga leva a taça.

Coluna: O benefício da dúvida

A enquete levada ao ar, ontem à noite, no programa Bola na Torre, para avaliar os técnicos contratados pela dupla Re-Pa, terminou com ampla vantagem para a opção remista. Paulo Comelli foi apontado como melhor alternativa por 71% dos telespectadores em comparação com Sérgio Cosme, o treinador anunciado pelo Paissandu no sábado.

Apesar de não ter qualquer valor científico, a pesquisa exprime bem os sentimentos das duas torcidas rivais. O torcedor remista, descrente de tudo após dois anos perdidos no futebol, parece mais animado com a vinda de um técnico que sempre esteve nos planos dos clubes paraenses.

Comelli, mesmo sem grandes títulos no currículo, estabeleceu boa reputação como treinador de equipes medianas do futebol brasileiro, com imagem de técnico sério e trabalhador. Nas condições em que o Remo se encontra, ainda sem divisão a disputar em 2011, sua contratação pela nova diretoria constitui um passo positivo para reerguer o futebol do clube. Não é garantia de sucesso – até porque isso não existe no dicionário da bola –, mas é um começo promissor.

Já nos arraiais alvi-azuis, o anúncio de Sérgio Cosme foi recebido com indisfarçável frustração pela maioria dos torcedores. O fato de Cosme estar em baixa no mercado, sem reeditar nos últimos tempos a fase inicial da carreira, quando treinou Fluminense, Vasco, Grêmio e Santa Cruz.

Talvez a principal razão do desapontamento do torcedor venha da expectativa criada pela diretoria, que chegou a cogitar acerto com Givanildo Oliveira e até mesmo com Sérgio Baresi (ex-São Paulo) e Rogério Lourenço (ex-Flamengo). Em relação a esses nomes, Cosme soou como solução mais barata.

Mas, na mesma proporção em que Comelli não pode ser endeusado antecipadamente, Cosme não deve ser massacrado antes de mostrar trabalho. É um profissional com grande rodagem nos grandes centros e, dependendo dos reforços que indicar, tem plenas condições de recolocar o Paissandu no prumo. 

Técnicos não devem ser reprovados de véspera. Normalmente fritados quando seus times não decolam, merecem, no mínimo, o benefício da dúvida. Portanto, a Comelli e Cosme devem ser proporcionados tempo e boas condições de trabalho. E que tenham muita sorte.

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O Fluminense é o legítimo campeão, como todos que acompanham o Círio já sabiam há uma semana. O argentino Conca merece boa parte dos méritos pela conquista. Muricy Ramalho, de estilo chucro dentro e fora de campo, se consolida como um dos mais vitoriosos treinadores do país. A torcida tricolor, há 26 anos sem um título brasileiro, tem mais é que comemorar.

Mas, por mais boa vontade que se tenha, foi um desfecho desanimador. Os três jogos mais importantes foram autênticas peladas, sem atuações dignas dos melhores times do torneio. Ao final, reforcei a convicção de que o campeonato precisa de um urgente choque de emoção. Para isso, é fundamental que volte a ter decisões de verdade.

(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO, edição de segunda-feira, 6) 

O Botafogo e eu

Por Paulo Mendes Campos
 
Que partilhamos defeitos e qualidades comuns, não há dúvida. Nos meus torneios, quando mais preciso manter os números do placar, bobeio num lance, faço gol contra, comprometo, tal qual o Botafogo, numa difícil campanha.
A mim e a ele soem acontecer sumidouros de depressão, dos quais irrompemos eventualmente para a euforia de uma tarde luminosa. Sou preto e branco também, quero dizer, me destorço para pinçar nas pontas do mesmo compasso os dualismos do mundo, não aceito o maniqueísmo do bem e do mal, antes me obstino em admitir que no branco existe o preto e no preto, o branco.
Sou um menino de rua perdido na dramaticidade existencial da poesia; pois o Botafogo é um menino de rua perdido na poética dramaticidade do futebol. Há coisas que só acontecem ao Botafogo e a mim. Também a minha cidadela pode ruir ante um chute ridículo do pé direito do Escurinho.
O Botafogo tem uma sede, mas esqueceu a vida social; também eu só abro os meus salões e os meus jardins à noite silenciosa. O Botafogo é de futebol e regatas; também eu sou de bola e de penosas travessias aquáticas. O Botafogo é um clube com temperamento amadorístico, mas forçado, a fim de não ser engolido pelas feras, a profissionalizar-se ao máximo; também sou cem por cento um coração amador, compelido a viver a troco de soldo.
Reagimos ambos quando menos se espera; forra-nos, sem dúvida, um estofo neurótico. Se a vida fosse lógica, o Botafogo deixaria de levar o futebol a sério, fechando suas portas; eu, se a vida fosse lógica, deixaria de levar o mundo a sério, fechando os meus olhos.
O Botafogo é capaz de quebrar lanças por um companheiro injustiçado pela Federação; eu aguardo a azagaia de uma justiça geral. O Botafogo pratica em geral o 4-3-3; como eu, que me distribuo assim em campo: no arco, as mãos, feitas para proteger minha porta; na parede defensiva, meus braços, meu peito aberto, meus joelhos e meus pés; no miolo apoiador, trabalho com os pulmões e o fígado; vou à ofensiva com a cabeça, a loucura e o coração. Falta um, Zagalo. Em mim, essa energia sem colocação definida é a alma, indo e vindo, indistinta, atônita, sarrafeada, desmilingüindo-se até o minuto final.
O Botafogo é capaz de cometer uma injustiça brutal a um filho seu, e rasgar as vestes com as unhas do remorso; como eu.
O Botafogo põe gravata e vai à macumba cuidar de seu destino; eu meto o calção de banho e vou à praia discutir com Deus. O Botafogo não se dá bem com os limites do sistema tático; tem que ser como eu, dramaticamente inventado na hora.
Miguel Ângelo é botafogo, Leonardo é flamengo, Rafael é fluminense; Stendhal é botafogo, Balzac é flamengo, Flaubert é fluminense; Bach é botafogo, Beethoven é flamengo, Mozart é fluminense. Sem desfazer dos outros, é com eles que eu fico, Miguel, Henrique, João Sebastião.
Dostoiévski é Botafogo, Tolstói é flamengo (na literatura russa não há fluminense); Baudelaire é fluminense, Verlaine é flamengo, Rimbaud é Botafogo; Camões não é vasco, é flamengo, Garrett é fluminense, Fernando Pessoa é Botafogo. Sim, Machado de Assis é fluminense, mas no fundo, no fundo, debaixo da capa cética, Machado, um bairrista, morava onde? Laranjeiras!
O Botafogo é paixão, é Brasil, é confusão;  Paulo Mendes Campos é paixão, Brasil, confusão.
O Botafogo conquistou um campeonato esmagando inesperadamente o Fluminense de 6 x 2; uma vez, enfrentei um dragão enorme e entrei no castelo encantado.
O Botafogo, às vezes, se maltrata, como eu; o Botafogo é meio boêmio, como eu; o Botafogo sem Garrincha seria menos Botafogo, como eu; o Botafogo tem um pé em Minas Gerais, como eu; o Botafogo tem um possesso, como eu; o Botafogo é mais surpreendente do que conseqüente, como eu; ultimamente, o Botafogo anda cheio de cobras e lagartos, como eu.
O Botafogo é mais abstrato do que concreto; tem folhas-secas; alterna o fervor com a indolência; às vezes, estranhamente, sai de uma derrota feia mais orgulhoso e mais Botafogo do que se houvesse vencido; tudo isso, eu também.
Enfim, senhoras e senhores, o Botafogo é um tanto tantã (que nem eu). E a insígnia de meu coração é também (literatura) uma estrela solitária.

(Crônica antiga do grande cronista Paulo Mendes Campos, repassada pela amiga alvinegra Sílvia Sales em momento dos mais oportunos)