Anotações sobre o show do ano

Em meio a tantas análises brilhantes sobre o show de Paul McCartney, selecionei o relato do amigo botafoguense Mauricio Stycer. Vale a pena ler.

Por Mauricio Stycer

Encerrado o show, por volta de meia-noite e meia, o público da pista começa a caminhar lentamente em direção à saída. Sem tumulto, sem barulho, sem empurra-empurra. De repente, alguém começa a cantar o refrão de “Hey Jude”. “Na, na na na na na, na na na, Hey Jude”. Em instantes, milhares de pessoas estão caminhando e cantando juntas o sucesso dos Beatles, com que Paul McCartney encerra o show, antes da longa sequência de bis. “Na, na na na na na, na na na, Hey Jude”. Como torcedores do time vitorioso, que cantam o hino do clube na saída do estádio, a plateia deixa o Morumbi em êxtase, repetindo o refrão como um mantra. Cena rara e bonita.

Outros momentos de devoção me impressionaram. Quando Macca tocou os primeiros acordes de “The Long and Winding Road”, um sujeito nos seus 30 anos, em pé atrás de mim, avisou à namorada e ao amigo: “Vou desidratar, velho”. E começou a chorar feito criança. No momento da homenagem a George Harrison, com “Something” cantado em coro por 64 mil pessoas, um homem ao meu lado, mais de 40 anos, derrete-se: “Meu, isso é uma experiência divina”. Amigos dançam abraçados, pulando feito crianças. Gente com mais de 60 anos se esgoela, casais choram… Não me lembro de ter visto nada parecido em um show de rock.

Assisti da pista, a mais de 100 metros do palco. Macca era um pontinho azul lá longe, mas conseguia vê-lo muito bem nos dois telões colocados no Morumbi. Em outras situações, diria que teria sido melhor ver o show pela televisão. Mas aí teria perdido este comovente espetáculo proporcionado pelo público. Apesar do preço extorsivo do ingresso (R$ 300, mais taxas), do cachorro-quente mal esquentado em micro-ondas a R$ 8, do pacote de batata frita a R$ 6, da cerveja em lata a R$ 5 e da confusão na entrada do Morumbi, valeu a pena. Um show inesquecível.

Em tempo: Mais informações, fotos e reportagens sobre o show podem ser encontradas aqui.

3 comentários em “Anotações sobre o show do ano

  1. Outra observação, caro Gerson, é que o astro estava num traje de belo visual com a combinação de azul e branco acima da cintura.

  2. YO apesar de cansado demais peguei um “boeing” vim pro Pará trabalhei e hoje já estou em outro estado do Nordeste ,TRABALHANDO,mas a mesma imagem que o autor aí cita está intermitente em meu cérebro o Macca de azul-claro e branco ,longe -fiquei longe tbm- e dando uns pitacos em um portugues razoavel porque mais do ninguem EU SEI QUE FALAR PORTUGUES NÃO É FÁCIL.LEVEI UNS 2 ANOS PRA APRENDER A FALAR E UNS CINCO PRA ESCREVER EM PORTUGUES…E NÃO É FALTA DE INTELIGENCIA NÃO é que a lingua portuguesa é cheia de armadilhas,infinitivos verbais,desincias nominais com diferenças de números e etc…Pra falar a verdade são poucos os proprios brasileiros que falam corretamente a propria lingua ou escrevem.Palavras similares ao castelhano que significam coias totalmente diferente.Como o Portugues de Portugal em que uma gasosa é um refrigerante e “INCENDIO NA ESTAÇÃO” É LIQUIDAÇÃO DE LOJA.ENFIM valeu o show.

  3. corrigindo ;desinencias verbais E MAIS Orações substantivas adjetivas restritivas,orações adverbiais temporais ,reduzidas de gerundio e etc…

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