El País critica “jogo sujo” da campanha no Brasil

Da BBC Brasil

O jornal espanhol El País diz na sua edição desta quinta-feira que o “jogo sujo está ofuscando o debate político no Brasil”. Para o jornal, o aparecimento de escândalos às vésperas das eleições está se tornando um costume que os cidadãos brasileiros assistem com impotência. “Milhares de brasileiros sonhavam com uma campanha eleitoral sem sobressaltos e centrada nas propostas dos candidatos, mas mais uma vez o jogo sujo está eclipsando o debate político.” O El País diz que, apesar das acusações de corrupção e tráfico de influências no círculo de confiança da candidata petista Dilma Rousseff, “tudo parece indicar que a novata de Lula pode mais que qualquer acusação jogada aos quatro ventos”.

Erenice Guerra deixa ministério de Lula

Do G1

O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, anunciou oficialmente nesta quinta-feira (16) a demissão de Erenice Guerra da Casa Civil. O substituto interino é o atual secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves. No Palácio do Planalto, o porta-voz leu a carta de demissão “em caráter irrevogável” redigida por Erenice. Ela classificou como “levianas” as denúncias contra ela e disse “necessitar de paz” para se defender. A decisão de substituir Erenice foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após uma reunião com a ministra nesta quinta.

Segundo reportagem da revista “Veja”, Israel Guerra, filho da ministra, teria intermediado contratos de uma empresa de transporte aéreo MTA com os Correios mediante pagamento de propina. Nesta quinta (16), reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” diz que Israel também pediu uma comissão para obter no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) empréstimo para uma empresa energética. De acordo com a publicação, os donos da companhia se reuniram com Erenice em novembro do ano passado. Desde que as denúncias começaram a aparecer na imprensa, no último sábado (11), Erenice se defendeu por meio de notas à imprensa.

Coluna: Menino prodígio ou monstro?

Neymar volta a ser notícia nos jornais, na internet e na TV. E, de novo, não pelos dribles e gols – que nem marcou no jogo contra o Atlético Goianiense –, mas pelo destempero em relação a companheiros de time e ao próprio técnico, Dorival Junior. Está virando uma bola de neve. A cada rodada, o jovem atacante se envolve numa história. Há uma semana, envolveu-se no tumulto com os jogadores do Ceará, em Fortaleza. Dias antes, foi acusado pelo técnico Antonio Lopes, do Avaí, de humilhar os catarinenses gabando-se do alto salário (R$ 650 mil mensais).
A situação ganha mais amplitude porque, ao lado do futebol exuberante de sempre, Neymar põe as unhas de fora e comporta-se como um rebelde sem causa, entrando em confusões desnecessárias. Ganhou fama de pavio-curto. É a pior coisa que pode acontecer a um atacante driblador. A partir de agora, todo beque mais roceiro sabe que pode atrapalhar a vida do moleque na base da provocação.
O técnico Dorival Júnior, que demonstra paciência de pai na condução do núcleo jovem do Santos, não consegue impor autoridade. Deveria funcionar como um verdadeiro professor, compreendendo as peraltices, mas mostrando firmeza para coibir os excessos.
Na condição de estrela maior da companhia, Neymar atingiu ainda jovem um patamar que poucos boleiros conseguem ao longo da carreira. Pelé, por exemplo, jamais se aproximou dos salários que o Santos paga ao garoto. Nem há como comparar, pois os tempos (e os negócios) são outros.
Talvez a excessiva badalação e as facilidades propiciadas pelo dinheiro farto estejam mexendo com a cabeça de Neymar. É compreensível, mas é certo também que os dirigentes já deveriam ter adotado medidas que ajudem a blindá-lo, cercando-o da atenção devida, com profissionais especializados que contribuam para seu amadurecimento. 
Renê Simões, treinador do Atlético-GO e sujeito dado a frases pomposas, saiu da Vila Belmiro dizendo que o Santos está criando um monstro. Mostrou-se escandalizado com os desaforos e xingamentos que Neymar dirigiu ao capitão Edu Dracena, a companheiros de banco de reservas e ao próprio Dorival. Tudo porque, como menino mimado, ficou chateado com a ordem para não cobrar um pênalti (convertido por Marcel).
Vindo do técnico derrotado, o julgamento é sempre comprometido pelo ressentimento, mas Simões tem estrada e pareceu sincero. Disse, ainda, duas verdades. Que Neymar não é um grande jogador, mas um projeto em gestação – pode vir a se revelar um craque ou periga se tornar um Denílson cover. E que precisa ser educado, pelo bem do futebol brasileiro.
Talvez ainda dê tempo.
 
Até amanhã, o presidente do Remo deve anunciar uma área na Augusto Montenegro, a poucos metros do Mangueirão, como local da futura Arena do Leão. Como deve sair por R$ 4,5 milhões, significa que o Baenão custará às incorporadoras R$ 28 milhões. Precinho camarada para o terreno mais valorizado do centro de Belém, avaliado em R$ 60 milhões.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 17)