Coluna: Entre o cemitério e o lixão

Termina como começou, em meio a zonas de sombras e informações desencontradas, o processo de venda do estádio Evandro Almeida. Fiel à conduta adotada desde que lançou o projeto de desmanche do maior patrimônio do Remo, o presidente Amaro Klautau recorreu ontem, outra vez, à imagem do “salvador da pátria” para justificar o negócio de R$ 33,2 milhões pela mais valorizada área do centro de Belém.
AK garante que vender o Baenão é a única saída, mesmo que por quantia abaixo da cotação de mercado – o terreno de 27 mil metros quadrados vale, pelo menos, R$ 20 milhões a mais, segundo consultores de imóveis.
O dirigente compareceu à Justiça do Trabalho para entregar um memorial descritivo de feições fictícias: descreve uma obra indefinida, de localização incerta e não sabida. Segundo boatos, o cartola já teria deslocado o novo estádio das cercanias de um cemitério em Marituba para a beira do Lixão do Aurá. Nada mais simbólico da triste situação vivida pela agremiação.
Nenhuma área, porém, foi confirmada. AK faz mistério, como se não estivesse em jogo a própria sobrevivência do clube. Visitada pelos repórteres do Bola e da Rádio Clube, a propriedade especulada não reúne condições mínimas de abrigar um estádio de futebol. Tomada pelo mato, fica na estrada do Aurá, a 2 quilômetros da rodovia BR-316.
É pouco provável que ao presidente do Remo, que deixa o cargo no fim do ano, interesse o aproveitamento do terreno a ser adquirido. Pelo que demonstrou até aqui, deixando de cumprir acordos trabalhistas para forçar a execução da dívida nos termos atuais, AK só alimenta uma obsessão: concluir, a qualquer preço, o acerto com as incorporadoras. 
Para cumprir o prazo estabelecido pela Justiça do Trabalho, o esboço de documento – fundamental para sacramentar a venda – foi apresentado, mas será avaliado tecnicamente e, segundo engenheiros consultados pela coluna, é pouco provável que seja aceito nos precários termos atuais.
Em meio às inverdades, marchas e contramarchas alimentadas pela direção do Remo, o improvisado memorial só reafirma o caráter nebuloso de um negócio que deveria ser o mais transparente possível. A caótica escalada de números é o maior exemplo disso: o primeiro documento assinado pela construtora Agre/Leal Moreira estabelecia 24,5 mil espectadores para a arena. O próprio presidente rebaixou para 22 mil em junho. Há semanas, nova redução: AK passou a falar em 15 mil lugares.
 
Ao contrário da alegada pindaíba, AK chora de barriga cheia. Na verdade, nenhum outro cartola desfrutou de tantos patrocínios no Remo. Só da TV Cultura, para transmissão de jogos, recebe R$ 1.150.000,00 anuais. Mais R$ 720 mil do Banpará, R$ 960 mil da Yamada e R$ 360 mil da Cerpa perfazem a respeitável soma anual de R$ 3,1 milhões. E há, ainda, a verba de R$ 150 mil, doada pela Prefeitura de Belém para reforma do ginásio Serra Freire, cujo desvio até hoje não foi esclarecido.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)

21 comentários em “Coluna: Entre o cemitério e o lixão

  1. Nada de novo no front. O AK segue desinformando e sozinho na alça de mira. O Conselho continua sintomaticamente inerte, inclusive quanto à administração dos valores sob a Administração do AK.

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  2. É, Antonio, e a torcida, inerte e desmobilizada, assiste a tudo meio que anestesiada. Essa pasmaceira beneficia os mais espertos.

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  3. Gérson, certa vez escrevi para sua coluna e, naquela oportunidade, salvo engano quando o Remo caiu para a terceira divisão, não conseguia entender a estrutura administrativa do clube (cardeais, bispos e outros cristãos). O Remo à beira do abismo ou melhor no abismo e tudo parecendo a administração do Barcelona, Real Madri. Cheguei a afirmar que o destino do Remo seria o mesmo do Iate Clube, eu acho que será pior!
    Gérson, me diga em que parte do mundo um executivo com resultados pífios permaneceria à frente de qualquer negócio? Respondo! Em Belém do Pará. Taí o Amaro Klautau que não me deixa mentir. Não tem competência, não tem argumentos e a todos (Remistas) envergonha. Ele não é remista, se o fosse não faria o que fez com a maior referência do clube. Acho que tá na hora de ligar o botão do f ….! Bem feito prá esse “c”onselho ultrapassado e covarde!
    Um abraço.

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  4. A receita fabulosa do Remo não se restringe aos números anunciados. Há também a bilheteria (com evasão de renda em quase todos os jogos) e publicidade estática no estádio. Também existe o licenciamento de produtos (até Arroz Leão já tem). Existem também os ganhos indiretos: nunca se pagou tão pouco à justiça. Os bloqueios hoje são mínimos, irrisórios. A verdade é que o Remo está nadando em dinheiro, mas o discurso estranhamente ainda é o da época da pindaíba: crise, dificuldades, dívidas… Quem tem um mínimo de inteligência sabe que o Remo (e seu rival) não resistiriam a uma auditoria séria.

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  5. Esqueci do sócio-torcedor e da Rede Celpa… que máquinas de fazer dinheiro são nossos clubes, que não conseguem sair da pobreza…

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  6. Entre o cemitério e o lixão, não nesta mesma ordem, a escolha caiu como a mão na luva. O lugar é ideal. Fazer o quê?

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  7. ATENÇÃO VAI SER ANULADO A COMPRA DO TERRENO NO AURA PARA O CLUBE DO REMO.
    MOTIVO
    OS MORADORES NÃO QUEREM MAIS LIXO PELO BAIRRO

    PAPAPAPAPAPAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOO

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  8. O que mais me deixa apreensivo é que nenhum radialista ou jornalista se mostra contra, com excessão do Gerson, que é Paysandu. Lá em São Paulo, um só comentarista, colocou o ex presidente do Corinthians na rua. Aqui estão todos calados a espera do prometido churrasco. São jornalistas sem personalidade, que não sabe o que é certo e o que é errado, mas que tem conceito no jornalismo paraense, que a gente sabe é o pior jornalismo que existe no Brasil. Cadê o jornalismo investigativo para saber os detalhes desta maracutaia, calculado pelo Boto de araque e o Frade, recomendados pelos 86 oportunistas conselheiros. Todo homem tem seu preço: um apartamento lá vai custar em torno de 1.5 milhao de reais, por baixo. Quem resiste? Enganaram o Clube do Remo e a torcida ficou anestesiada. Com a desclassificação do Leão, a construtora vai trabalhar rápido. Agora, deveria haver processos contra os próprio conselheiros, pois o projeto apresentado foi de 24,500 torcedores na arena. Agora estão falando em 15 mil. Isto deixa claro a jogada, com participação dos próprios conselheiros. Isto e uma vergonha. E esta juiza não tem sensibilidade, pois um novo acordo poderia ser feito, já que se trata de uma instituição centenária. O que mais estranho é que em outros estados, os clubes devem 100 vezes mais que o Remo e não tem nenhum patrimônio leiloado.

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  9. Não é bem assim Gerson,
    O torcedor Remista de Inerte não tem nada. Quem acompanha os fóruns de discussão vê que a todo momento os torcedores estão debatendo os assuntos do clube e buscando ideias que possam ajudar o Remo, até a fundação de um novo Remo já surgiu.
    Outros exemplos de não inercia são (1) a participação de dois grupos, um a favor e outro contra a venda do Baenão, na última reunião do conselho e (2) a presença maciça da torcida no último jogo.
    Agora não espere que a torcida tome parte nesta disputa entre o AK e grupo RBA, principalmente o BOLA. Neste caso a inercia é a melhor atitude, os movimentos devem ser desses dois grupos.
    Agente fica aqui rindo( e puto da vida claro) desse seu arsenal de acusação contra o AK e da estratégia maluca dele de ficar jogando factóides pra vocês publicarem.
    Nem ele nem vocês estão ajudando o Remo,mas disso vc tem consciência.

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  10. Imaginem só essa situação:
    Jogo em plena quarta-feira,20:30, Remo x Sport Belém. Do jeito que o transito na região metropolitana se encontra, de Belém até o Aurá não se leva menos de 2 horas,ou seja, o torcedor terá que sair de casa no minimo 18:30, sem contar que o ônibus pro Aurá demora em média meia hora pra passar e quando passa é lotado.E a volta quase 23:00 horas,em um bairro que é considerado um dos mais perigosos de Ananindeua,e que é local de desova de defuntos.Que horas por exemplo um torcedor que mora na cidade velha vai chegar em casa?se chegar…

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  11. Gerson, sem dúvida que os mais espertos estão se beneficiando.

    Já quanto à torcida, você tem que levar em conta que, ao que parece, sua esmagadora maioria, democraticamente, se mostra favorável à transação, como, aliás, você mesmo já admitiu aqui no blog. Sem contar que ainda que a torcida estivesse contra, no máximo poderia exercer o jus esperneandi, mas, formal e oficialmente, não poderia fazer muita coisa não, eis que o patrimônio submetido à negociação (mesmo que temerária) é do Clube.

    Em verdade, quem tem (ou tinha) o verdadeiro poder de embargo ou veto desta operação, bem como para cobrar o destino dado aos recursos financeiros administrados pelo AK é o Conselho Deliberativo, o qual, por isso mesmo, poderia ser mais efetivamente pressionado pela única força capaz de mudar os rumos em casos como estes, a imprensa.

    Ocorre que também a imprensa democraticamente está dividida, e a parte que se declara contra a operação e os desmandos, só de passagem se refere ao Conselho, mantendo a inócua estratégia de atacar exclusivamente o AK.

    Uma ressalva, creio firme que se a negociação evoluir mesmo e a venda e o prejuízo sobrevierem mesmo, à imprensa seja a que é a favor, seja a que é contra, jamais poderá ser atribuída qualquer responsabilidade.

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  12. Gerson com um patrocinio deste o clube era para ta rindo atoa, uma vez que em menos de dois anos liquidava as dividas, eu acho que com uma boa administração e com um time caseiro as rendas mantia o elenco já que com um time caro não ganha nada, pelo mmenos se reestruturaria ai sim formava um time competitivo para brigar por titulos, uma vez que mresmo com um time caseiro a tradição e acamisa pezaria diante dos adversários.

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  13. Concordo com você, caro Antonio. Não sei pelos outros, mas de minha parte jamais fiz vista grossa em relação ao Conselho Deliberativo. Critiquei diretamente desde a postura frouxa na aprovação da famosa maquete da Arena do Leão até a ausência de posicionamento frente ao risível relatório da comissão de avaliação do Baenão (que concluiu não haver um valor concreto pelo estádio!!). Aliás, hoje, confirma-se o que venho falando desde o começo dessa aventura imobiliária: do futuro estádio só se viu até aqui a maquete virtual.

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  14. EU PROTESTO!!!
    NÃO QUERO MAIS LIXO AQUI.

    Levem essa Bomba/lixo para o Bin Ladem.

    Sai do chão, sai do chão,
    a galera do lixão.

    Sai do chão, sai do chão,
    a galera do lixão.

    Sai do chão, sai do chão,
    a galera do lixão.

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  15. Gerson a propria torcida do remo apoia os absurdos de AK , nunca vi um presidente sacanear a historia do proprio clube ao derrubar o escudo do baenão

    Então cada torcida tem o clube que merece hehehehehehehehe
    Se fosse ao contrario duvido que a torcida do Papão permitiria uma coisa dessas

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