Coluna: Um novo Brasil em campo

Depois daquela vexatória sexta-feira de julho em Porto Elizabeth, o Brasil volta a campo, com pinta de que há uma renovação em marcha, não apenas nos nomes que cintilam na escalação do time. Há forte indício de que a Seleção não vai mais priorizar a monotonia bate-estaca no meio-campo, tão ao gosto do Capitão do Mato e seu assistente Jorginho.
Mano Menezes, para minha surpresa, vem utilizando nos treinos um time radicalmente ofensivo, que pode ter até três homens na frente – Robinho, Pato e Neymar. Isso a partir de um meio-campo não menos insinuante, com Lucas, Ramires e Paulo Henrique Ganso. Mesmo que essa equipe não seja colocada em ação contra os norte-americanos, hoje à noite, já é um consolo saber que o treinador alimenta planos tão pouco ortodoxos, como esperamos há tanto tempo.
Mais que a disposição de atacar, porém, o escrete precisa de entrosamento e organização entre os setores. Não se pode esquecer que, do meio-campo em diante, a equipe tem como base o atual Santos. E o Peixe, como se sabe, andou se atrapalhando antes de encaixar as peças certas e ajustar a cobertura para as constantes subidas de laterais e até volantes.
No desenho atual, esboçado no treino de ontem, o Brasil deve apostar todas as fichas na velocidade de Ganso, Ramires, Pato, Neymar e do “veterano” Robinho. Sempre defendi a tese de que jogar velozmente não significa correr estabanadamente. Os jogadores devem ter mobilidade, mas a bola é que precisa chegar mais rápido (e corretamente) a quem estiver desmarcado. Antigo, defendido por Gerson nos idos de 70, o conceito está mais atual do que nunca.  
Significa, em última análise, que estamos falando de passe. Quem sabe passar em velocidade, tem meio caminho andado para vencer o jogo. Não há antídoto conhecido contra o bom passe, nem esquemas que consigam deter triangulações e tabelinhas ligeiras. Só é possível enfrentar bons passadores na base da pancada, que é a admissão da derrota.
Curiosamente, o amistoso desperta uma expectativa espantosa entre os torcedores, levando em consideração a eliminação na Copa do Mundo há um mês. Muito dessa ansiedade tem a ver com os novos craques, à frente Ganso e Neymar, que podem conduzir o novo time a reconciliar o país com sua seleção. É, sem dúvida, um belo desafio.  
 
 
As declarações do presidente do Paissandu, em resposta aos termos da ação trabalhista movida por Moisés, podiam ter sido mais generosas. Ao invés de dizer que o clube tirou o atleta da lama, o dirigente podia lamentar o gesto radical do jogador, que buscou a Justiça antes de buscar a via do entendimento. Por outro lado, Luís Omar Pinheiro acertou ao lembrar que o Paissandu tem 96 anos e não vai fechar por causa de um jogador. A decisão de emprestar Moisés a outro clube, mais que retaliação, é a medida mais conveniente a essa altura. Penso que, diante do imbróglio, a permanência do atacante na Curuzu fica inviabilizada, a não ser que haja um recuo público, com explicações ao torcedor.  
 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 10)

6 comentários em “Coluna: Um novo Brasil em campo

  1. Toda renovação é alentadora, ainda mais sabendo que as peças que compõe este maquinário são de boa qualidade. É uma outra fase que se inicia e que esta safra seja de boa colheita. Quando a LOP, considero chapa quente e voces sabem o que acontece quando pingos de água entra em contato. Aas vezes ser bozinho morre coitadinho e este está sujeito a matar um dia raiva.

  2. Aspecto curioso nesta nova Seleção é a firme amizade que vem nutrindo pela Rede Globo. Até uma camisa com o nome do Escobar já foi confeccionada a qual será brevemente entregue ao jornalista. A peça se encontra exposta no site “globo. com”, tendo como divulgador um sorridente Robinho. Vamos ver por quanto tempo dura este colóquio. Há quem diga que vai até 2014.

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