Quais as normas mesmo?

Por Flávio Gomes

Com algum atraso, mas não podia passar em branco. A Playboy Entertainment rescindiu o contrato que mantinha com a editora de Portugal que publicava a edição lusa de “Playboy”. Tudo por causa dessa capa aí. Logo depois da morte de José Saramago, a revista resolveu homenageá-lo na capa de julho. E fê-lo de maneira ousada, retratando uma figura que lembra Jesus Cristo, pois que é a Igreja Católica que o retrata assim, como um superstar de olhos azuis, cabelos longos e barba de astro de cinema — quando se sabe que por aquelas bandas do planeta, cerca de 2000 anos atrás, não era muito fácil encontrar homens com tais características.

Voltando à revista, os portugueses usaram a figura que lembra Jesus ao lado de uma moça nua para ilustrar a referência a um dos livros mais importantes de Saramago, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Nele, o escritor português transforma Jesus em narrador de sua história, com Maria Magdalena ganhando muita importância a partir de um momento de sua vida, como sua mulher e amante. Episódio que os evangelhos oficiais não tratam da mesma maneira.

A Playboy americana alega que a editora portuguesa não respeitou as normas da empresa. Quais as normas que foram tão ofendidas assim neste grupo de vestais? Que trata as mulheres como objetos de consumo e onanismo desde sua criação, lá nos anos 50 do século passado? Sem moralismo besta, please. A capa da “Playboy” portuguesa é forte, mas criativa e moderna. Melhor do que vestir uma mulher de coelhinha com o rabo arrebitado e dedinho na boca. Que é o que a “Playboy” faz há 50 anos, variando muito pouco sobre o tema.

De pleno acordo. Abaixo a hipocrisia.

6 comentários em “Quais as normas mesmo?

  1. Boa, Gerson
    O moralismo estadunidense é capaz até disso, criar código de conduta moral na zona. Talvez fosse bom enquadrar a editora da revista em alguma legislação que protege a dignidade feminina para verem como dói uma saudade.

  2. Gerson, vai ver é por isso que o Chavez quer saber mais sobre o acordo entre Vaticano e Igreja Catolica da Venezuela…rsrsrrs…….é muita hipocrisia mesmo…

  3. Não é moralismo hipócrita de minha parte, confessadamente agnóstico e dialético, mas haveria outras formas de homenagear o grande escritor, sem esse tipo de apelo religioso. A foto é bonita plástica e esteteticamente, mas choca ao praticar uma violenta simbólica com os cristãos. Não estou defendendo a posição da revista que muito pouco me interessa, mas penso que esse tipo de coisa poderia ter sido evitada em nome do bom senso. Ademais, Saramago está acima desse tipo de homenagem, meramente utilizada para fins comerciais e de exploração do corpo feminino. Será que o escritor português, ateu e dos bons, concordaria com esse achincalhe?

  4. Cassio, não sou agnostico nem por isso professo o gnosticismo. Sou mistico e esforço-me para não ser bárbaro. No mais concordo plenamente com a tua opinião. Se vivo fosse, Saramago manifestaria seu descontetamento , como sempre fez, na literatura e na politica.

  5. Tantos absurdos são permitidos hoje em dia, que uma a mais ou outra não faz diferença. Agora se minha vó hoje estivesse viva e deparasse com tal situação e cobrar do papa em Roma.

  6. Saramago era um idiota que sabia lidar com as palavras. A intenção desta revista não era homenagear própria alguma, mas,sim chocar. Muita gente que se diz ateia quer a todo custo afrontar a crença alheia, porque fazem questão de jogar na cara que não acreditam em Deus. Ora quanto a isso, que se entendam com o próprio quando chegada a hora, mas acho um absurdo ficarem vilipendiando imagens sacras só com a desculpa de que estão fazendo uso do direito à livre expressão….Se é assim, também quero fazer valer este meu direito: VÃO TODOS À MERDA!___O cara ouve falar de alguém que ganhou o NOBEL DE literatura e corre para dizer amém a tudo o que ele diz.; só para dizer que entende sua obra, que também é intelectual…..SARAMAGO era um NADA para mim._____Quer saber o que é preconceito? Leia as obras dele. Personalidade obscura.

Deixe uma resposta