The Apartheid Museum: 2h30 de história

“Um dia serei o primeiro presidente negro da África do Sul”.

A frase profética é de Nelson Mandela, ainda jovem, recém-mergulhado na militância anti-apartheid. Ao preço de 50 rands (R$ 12,50), visita-se por duas horas e meia um dos aspectos mais marcantes da história recente da África do Sul. Tragédia e heroísmo. Sangue e cérebro. Dor e bravura. No Museu do Apartheid, no bairro de Booysens, em Johanesburgo, encravado entre restaurantes chiques e cassinos de luxo, é possível mergulhar na saga de Nelson Mandela e seus companheiros na luta anti-segregação racial. O museu abriga a minuciosa identificação dos militantes mortos em sangrentos confrontos com as forças do governo.

Há uma galeria inteira em homenagem aos combatentes ainda vivos ou, no caso dos mortos, de seus descendentes diretos. Painéis gigantes retratam em preto e branco as imagens daqueles dias conturbados nos subúrbios e universidades de Pretória, Cidade do Cabo e Johanesburgo. O automóvel Mercedes Benz vermelho que Mandela recebeu de presente da montadora alemã ocupa lugar destacado numa espécie de sala central, sob monitores de plasma retratando em video a trajetória do grande líder.

É proibido fazer fotos nas áreas internas, a fim de proteger dos flashes fotografias e documentos originais. As pessoas lêem os textos reproduzidos nas paredes, escrituras e atas expostas em estantes e ouvem os discursos de Mandela antes e depois de ser encarcerado pelo governo branco. A fé inquebrantável na vitória do movimento é a tônica de toda a militância anti-apartheid. A luta foi bem-sucedida, mas, como dizem alguns cartazes à entrada do museu, precisa continuar para sempre.

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