Conexão África (34)

Grande time para uma Copa nem tanto

Foi uma Copa do Mundo avarenta em craques. Poucos talentos conseguiram sobreviver até as últimas rodadas. A Fifa costuma antecipar sua escolha, por mera questão burocrática, mas a coluna escala seu time por razões logísticas, pois o espaço de segunda-feira será automaticamente dedicado ao novo campeão do mundo. Por isso, esta penúltima edição de Conexão África será dedicada à eleição do escrete da Copa. Sem grandes surpresas, a lista privilegia jogadores das equipes finalistas, com apenas duas exceções – um brasileiro e um argentino.

Iker Casillas é indiscutivelmente o melhor goleiro do torneio. Apesar de um começo instável, junto com o restante do time da Espanha, foi decisivo na vitória sobre a Alemanha na semifinal, operando pequenos milagres quando a equipe de Joachim Löw se lançou desesperadamente ao ataque. Experiente e respeitado pela defesa, esbanja segurança nas bolas rasteiras e costuma sair bem nas jogadas aéreas. Não faz o gênero espetacular, preferindo a sobriedade até na escolha dos uniformes.

Philip Lahm, que já havia se destacado em 2006, apareceu mais maduro e estável na África do Sul. Foi um dos melhores da boa equipe montado por Löw. Bom nas ações defensivas, transforma-se em temível atacante quando avança. Com índice altíssimo de acerto nos passes, faz lançamentos e cruzamentos quase perfeitos. Um jogador de extrema utilidade para qualquer time do mundo.

Lúcio é o único brasileiro na lista, por razões mais do que óbvias. Do beque estabanado de antes não se tem mais vestígios. Centrado, o capitão da Seleção foi quase impecável nesta Copa – e, por isso mesmo, uma das maiores vítimas do fracasso canarinho. Antecipação segura e excelente recuperação fazem dele um dos melhores do mundo na área central da defesa. Mesmo no revés frente à Holanda, não era o zagueiro diretamente envolvido nos gols de cabeça que eliminaram o Brasil.

Ao lado de Mertesacker, Arne Friedrich foi importantíssimo na caminhada alemã às etapas finais da Copa. Alia altura e força física a uma incrível agilidade na marcação. Quando parte para o ataque, Friedrich funciona como importante trunfo em várias partidas – incluindo o gol contra a Argentina, nas quartas de final, quando acompanhou o avanço de Schweinsteiger pela esquerda do ataque à espera do passe recuado, que realmente aconteceu.

Na ala esquerda, Giovanni Van Bronckhorst, capitão e um dos grandes esteios defensivos da Holanda. Superou o espanhol Sérgio Ramos, outro grande nome da Copa. Além de marcar com correção, sabe apoiar o ataque com desembaraço. Marcou um dos mais bonitos do Mundial, pegando um chute fortíssimo da intermediária até a gaveta do goleiro, na semifinal contra o Uruguai.

Xavi é o maior lançador de bolas da Copa. Só contra a Alemanha executou 11 lançamentos primorosos, acionando seus companheiros de ataque e descobrindo buracos na fortíssima parede defensiva alemã. Econômico, não perde tempo com passes laterais. Recebe a bola e imediatamente repassa a alguém bem colocado, executando à risca um dos princípios fundamentais do futebol, que é o passe certo e em velocidade. A Espanha deve a ele a solidez de seu setor de meia cancha.

Bastian Schweinsteiger foi o craque do Mundial. Seguro, regularíssimo, duro sem ser violento e aventurando-se em lances de habilidade, o volante-meia alemão personifica um jeito moderno de jogar. Ninguém foi superior a ele até aqui, a não ser que a final apresente uma excepcional atuação individual, determinante para a conquista do título. Uma das revelações da Copa de 2006, Schweinsteiger evoluiu muito em quatro anos, assimilando como poucos a importância que a função de volante adquiriu num time de futebol.

Wesley Sneijder é um dos mais baixos (1,64m) jogadores da Copa, mas, apesar dessa limitação, fez um gol de cabeça fundamental para a trajetória da Holanda até a finalíssima. Foi justamente contra o Brasil, em Porto Elizabeth, nas quartas de final. Prova da fabulosa versatilidade do meia-armador que planeja todas as manobras ofensivas holandesas e ainda encontra tempo para ser um dos goleadores do Mundial. Passe preciso e chute bem calibrado são outras das marcas de Sneijder, um camisa 10 que não é de driblar muito, mas sabe como enganar as defesas inimigas.

Lionel Messi não marcou gol e não fez uma Copa à altura das expectativas criadas em torno de seu futebol. Além disso, fracassou na tentativa de levar a Argentina à final, mas, ainda assim, foi fantástico nas assistências e várias finalizações que obrigaram goleiros a excepcionais defesas. Assisti três jogos dos argentinos e confesso que foram os que mais me agradaram em termos de futebol assumidamente ofensivo. Messi, como maestro da equipe, merece um lugar no time da Copa.

Em recuperação de uma lesão, Arjen Robben não jogou as duas primeiras partidas da Holanda, sendo preservado para as fases mais duras da disputa. A espera pelo seu futebol diferenciado valeu a pena. Logo na estreia, contra Camarões, deixou sua marca. Daí em diante, só fez crescer no torneio, marcando também contra Eslováquia e Uruguai. Gols decisivos de um atacante meio à moda antiga, de um drible só, mas que funciona terrivelmente.

David Villa não é apenas um exímio goleador. É também um atacante de grandes recursos, que explora todos os lados do ataque. Essa intensa movimentação fora da grande área funciona bem para confundir os marcadores. Com a bola nos pés, Villa mostrou-se sempre temível. Ágil, conseguiu atrair a atenção de toda a zaga alemã sempre que se aproximava da área no confronto da semifinal. Talvez tenha sido, ao lado de Sneijder, o jogador que mais soube aproveitar a exposição da Copa para valorizar seu futebol.

Outro destaque alemão, Thomas Müeller, é a principal revelação do torneio. Bom no combate de meia cancha, foi importantíssimo na armação de contragolpes alemães e sua ausência na semifinal pode ter contribuído para a derrota contra a Espanha. Superou outro alemão candidato a revelação, o meia Özil, que teve excelente começo de Copa, mas caiu de produção na reta decisiva.

Num torneio que apresentou grandes técnicos – Marjwick, Löw, Del Bosque, Bielsa e Gerardo Martino -, minha escolha recai sobre o uruguaio Oscar Tabárez, pela façanha de levar uma seleção tecnicamente limitada à disputa do terceiro lugar do torneio. Antes da Copa, ninguém imaginava que a Celeste iria conseguir fazer campanha tão boa. Méritos para o técnico, que explorou ao máximo o talento de Forlán e Suárez e montou um esquema capaz de esconder os sérios problemas de seu meio-campo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11)

10 comentários em “Conexão África (34)

  1. Só acrescentaria Forlan neste time Gerson. O Cara carregou o time do Uruguai. Uma expressão em um telejornal brasileiro chamou atenção: Nenhum jogador nesta copa se deu tão bem com a tal da jabulani como Forlan, vide a quantidade gols de longa distância feito por este jogador.

    1. Concordo com você, o jogo de hoje mostrou o quanto este grande jogador Uruguaio e importante para sua seleção, e perigoso para os adversários, portanto eu o colocaria no lugar do Messi, que como no proprio texto, explica que ele não foi brilhante, como se esperava e não conseguio levar sua seleção mais a frente. Então o Forlan merecidamente deveria ficar com sua vaga, pela sua importância dentro do grupo Uruguaio, é pelos gols marcados. Minha opnião, é, estou de acordo, com os outros nomes desta lista.

  2. Concordo em quase tudo, Gerson, apenas o Treinador, penso que o da Alemanha e o da Holanda, são muito inteligentes e, portanto, em minha opinião, grandes revelações da copa. Caso vc pense em fazer uma seleção com os Piores da copa, não esqueça dos técnicos: Dunga, Maradona e Domenech da França. rsrsr

  3. Concordo com o técnico e também colocaria Fórlan nesse seleção.

    E parabéns e a essa raçuda seleção uruguaia!

  4. Nesta seleção a inclusão de Lúcio foi o ponto alto, em outras caiu no esquecimento com a eliminação do Brasil. Colocaria, também, o Forlan em vez de Messi que na minha opinião foi razoável para a grande expectativa que era. A escolha do técnico do Uruguai, seria a do polvo, portanto acertada.

  5. Te dizer,amigo Gerson, mas só o Pelé, o Polvo e o Amigo Marcelo Maciel, mataram a charada: Espanha Campeã. Te contar. Te dizer. rsr. Parabéns a eles e, em especial ao amigo blogueiro M. Maciel.

  6. Aliás, Gerson, acabo de ver na band, que Forlan,melhor jogador da copa e Muller a revelação. Parabéns aos dois, mas penso que o nome dessa copa, foi o Polvo Paul. É a minha opinião.

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