Conexão África (31)

Copa derruba mais um favorito

No torneio mais amalucado dos últimos tempos, mais um favorito ao título caiu do cavalo. A Alemanha, que despachou para casa os campeões
mundiais Inglaterra e Argentina – com goleadas -, esbarrou na determinação marcadora e na qualidade do passe da Espanha. O clássico não foi bonito de ver. Ficou dentro da média deste Mundial sul-africano, que se notabiliza por jogos pouco atraentes, nos quais brilham mais as intervenções defensivas do que as manobras ofensivas.
Apesar de ser um confronto tradicional, chamou atenção o conservadorismo alemão, que se manteve excessivamente atrás no primeiro, respeitando os espanhóis além do necessário. Por sorte, talvez pela primeira vez nesta Copa, a escolha dos internautas do site da Fifa premiou o talento. Xavi, o principal artífice de ligação da Fúria, foi fundamental para a vitória. Econômico, pouco exuberante (principalmente se comparado ao jeito estiloso de Iniesta), o meia do Barcelona dominou o meio de campo.
Passeou por ali, recebendo a bola sempre desmarcado e antevendo as jogadas com passes sempre objetivos. Foi cirúrgico na maioria das jogadas, ao contrário de Iniesta, que às vezes exagerava nos dribles. Xavi acalmava o jogo normalmente nervoso dos espanhóis, fazendo a bola rolar rente ao chão e acionando David Villa e Pedro sempre que havia espaço na defesa alemã. Quando não havia, ele dava um jeito de criar. Foi assim que comandou a pressão do começo do segundo tempo, fundamental para a definição desta semifinal. Se há um jogador que mereceu festejar a vitória na noite ventilada de Durban, este foi Xavi, que costuma passar despercebido em meio às arrancadas de Villa e Iniesta. Foi superior até a Puyol, o contestado zagueiro da Fúria que virou herói ao fazer o gol decisivo, escorando de cabeça um escanteio cobrado magistralmente pelo camisa 8 de La Roja.
Quando equipes europeias se enfrentam, há sempre a tendência por jogos truncados, decididos num lance fortuito, nem sempre obedencendo à
lógica e ao rumo natural das coisas. Na semifinal de ontem, alemães e espanhóis foram fiéis a esse histórico, transformando um confronto tão
aguardado em partida quase monótona no primeiro tempo, espécie de samba de uma nota só. O jogo empolgou quando os craques começaram a
entender que precisavam se empenhar para tirar o placar do zero. Foi difícil, penoso até, mas a técnica terminou levando à definição dentro
do tempo normal.
Registre-se apenas que alguns dos principais expoentes desse jovem time alemão não deram as caras. Özil, Podolski e até Schwensteiger tiveram desempenho débil no momento mais importante da competição. O jeito recuado que Löw adotou para começar a batalha foi decisivo para o mau desempenho ofensivo germânico. Custaram a se organizar quando a Espanha começou a se insinuar com ações pelas pontas e triangulações pelo meio da área. Depois do gol, a situação se agravou. Confuso e sem atenção aos rebotes, o time não encontrava jeito de abrir espaço na zaga espanhola e abusou dos chuveirinhos, que praticamente não usou ao longo da campanha. Quando o desespero bate, os defeitos saltam aos olhos de todos. Para azar da Alemanha, Del Bosque percebeu isso desde cedo e tratou de explorar os caminhos.
No fundo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido à Copa: uma final envolvendo duas seleções que lutam para apagar o passado de tentativas frustradas e duas nações ávidas pelo título mundial. Será uma grande festa, capaz de redimir o torneio sul-africano.  

A dois passos do paraíso

Klose passou batido e não conseguiu diminuir a distância que o separa da artilharia máxima de todas as Copas. Precisa fazer dois gols para superar a marca de Ronaldo Fenômeno. Terá contra o Uruguai a oportunidade (talvez derradeira) de alcançar essa façanha. E precisa resolver logo essa parada porque, com 32 anos, é improvável que consiga ir ao Brasil em condições competitivas de bater o recorde.

Copa 2014 tem novo projeto de confusão

Aumentam as especulações sobre a construção de um estádio em Pirituba, às proximidades de São Paulo, para substituir o Morumbi como praça de abertura do Mundial de 2014. Além disso, o futuro estádio também ficaria com o Centro de Imprensa, item cobiçadíssimo pelas cidades sedes. Quem abriga o IBC sai na frente por atrair todas as atenções da mídia internacional pelo simples fato de receber todos os jornalistas credenciados para a cobertura. O problema é que o Rio de Janeiro, que vai sediar a partida final da Copa, também se candidatou a ficar com o IBC. Até que a Fifa defina para onde vai mesmo o centro de mídia, muitas ações – nem sempre edificantes – serão desferidas. Será interessante acompanhar, à distância, essa disputa extra, que vai envolver principalmente o forte lobby político das duas grandes cidades.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 8)

5 comentários em “Conexão África (31)

  1. Confesso, Gerson, que fiquei receoso, quando soube que o Muller não ía jogar. A Alemanha joga, muito em função dele, por isso falava que ele era o principal jogador( o coringa) dessa seleção. Em matérias dos jornais, os Espanhois vibraram e muito com a ausência desse jogador. Apostava e muito na Alemanha, pelo seu bom futebol apresentado, até aqui. Penso que a Espanha foi a grande zebra dessa copa. Muitos apostavam na Espanha, pelo que ela fez na Eurocopa, mas penso que a análise tinha que ser feita pelo que ela vinha fazendo na Copa e, fora o jogo contra Portugal, não tinha jogado muito bem. Ganhou ontem, que entrou pra ganhar e, perdeu ontem, quem pensou que já tinha ganho. O Futebol, vc tem que levar a sério, até o último minuto da última partida. Pra minha tristeza e para muitos, perdeu a melhor seleção da Copa. Uma pena. Parabéns a quem apostou na Espanha, como o amigo Marcelo Maciel,… . Agora, sou mais Holanda. Espero que o Polvo, esteja do meu lado Gerson. rsrsrsrs

  2. Em nehum momento arvorei-me pitonisaa o que desobriga-me agora dar explicações sôbre as eliminações das “maravilhas” eleitas como favoritas ao titulo na Africa .
    Enquanto não convencermo-nos da inexatidão do futebol, seremos sempre surpreendidos. Estabelecer tendencias é admissível às analíses ,ditas técnicas, sôbre as possibilidades de uma equipe em relação a outras. Sem o conhecimento necessário de todas as equipes antes de qualquer competição, torna-se dificil vaticinar.
    O noticiário ligeiro da imprensa não é o suficiente para o estabelecimento de juizo no futebol.
    Todos sabemos que o futebol tem suas proprias leis e seus mistérios insondáveis. Analisemos apenas os fatos sem prtensão da antevisão.

  3. CLAÚDIO, O que vi ontem foi uma seleção que queria vencer, superar-se, e outra muito confiante. Ai o técnico teve uma uma importância imensa: anulou os alemães e seu comporamento frio ainda ajudou mais. Eram guerreiros atentos e, principalmente, com jogo muito técnico, que é o que faz a diferença. Pelo feito de ontem já é campeã, mas a Hoanda também é tecnica. Quem sabe um gol de impedimento não dê o resultado? Será que o Dunga estará vendo o jogo para aprender tudo de futebol? Acho que não, o jogo é muito técnico para ele. Não vai entender nada. rsrsrs

  4. Apesar do tal, “Polvo” ter acertado em todos os seus palpites na copa, torço pela Holanda, espero que os laranjas se tornem campeões….

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