Na casa de Mandela em Soweto

Um líder político adorado por seu povo. Assim é Nelson Mandela, herói da luta contra o apartheid na África do Sul. Nas ruas, em qualquer ambiente, pessoas dos mais diferentes níveis sócio-econômicos são unânimes em apontá-lo como o grande pai deste país. Ruas, escolas, estádios, pontes, teatros e até shopping levam seu nome, atestando a importância da história que ele construiu, ironicamente na maioria do tempo trancafiado na prisão.

Na Nelson Mandela House, pequeno museu que funciona na casa em que ele morou até ser preso, como ativista do Conselho Nacional Africano, centenas de pessoas do mundo inteiro passam para fazer visitas diárias, procurando aprender um pouco mais sobre sua história ou simplesmente guardar uma lembrança, tirar fotografias e assistir a um dos muitos documentários sobre o homem.

Os guias, um deles falando português fluentemente, relembram os passos da caminhada de Mandela, desde o paupérrimo bairro de Soweto, onde viveu ao lado da primeira esposa (Winnie) e da segunda (Evelyn). Um dos itens mais destacados é a célebre Carta de Michigan (julho de 1990), na qual líderes das principais nações do mundo pediam a libertação de Mandela. O dado mais curioso é a ausência da assinatura do presidente americano de então, George Bush, que se recusou a engrossar a pressão internacional em favor do famoso preso político.

Em determinado ponto da visitação, uma das guias aponta uma das fotos de Mandela em meio aos companheiros de partido e de luta anti-segregação e solta a exclamação. “Lula é o nome dele, um grande presidente”, homenageando aquele a quem Barack Obama chamou de “o cara”. Na saída do grupo de brasileiros, ela repete um dos motes mais conhecidos das greves dos metalúrgicos do ABC paulista: “O povo unido jamais será vencido”.

Soweto, o bairro negro que Mandela ajudou a celebrizar, vive dias de paz. Suas ruas estão cada vez mais amplas e as casas bem mais bonitas e cuidadas que há 40 anos, mas grande parte da imensa população ainda vive em condições de miséria. A luta tem que continuar.

2 comentários em “Na casa de Mandela em Soweto

    1. Obrigado pela força, fazemos o possível para retratar com fidelidade o que se passa aqui no país da Copa – e não apenas dentro dos campos de futebol.

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