Para Lula, CBF deve mudar direção a cada 8 anos

Por Leonencio Nossa, enviado especial 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta terça-feira que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mude sua direção a cada oito anos. A uma pergunta se a entidade, controlada há 21 anos pelo empresário Ricardo Teixeira, deveria passar por uma renovação, Lula lembrou das regras do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. “Acho que, se a CBF adotasse o que adotei quando era presidente do sindicato, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava”.

Lula, que fez parceria com a CBF para garantir a realização da Copa de 2014 no Brasil, evitou, no entanto, entrar em polêmica com a entidade ou defender uma intervenção governamental na entidade. “Não posso falar da CBF, porque é uma entidade particular. Eu não posso votar e dar palpite”, disse. Na entrevista, ele voltou a dizer que ficou “deprimido” com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul. Disse que apostava que Robinho seria o melhor jogador do torneio. Após a conversa com os jornalistas, Lula foi assistir ao jogo do Uruguai contra a Holanda pelas semifinais da Copa. (Do Estadão.com.br)

Pela Copa, atriz pornô faz proposta indecente

Depois de promessas feitas pela paraguaia Larissa Riquelme e a chilena Claudia Conserva, eis que uma holandesa resolveu lançar um desafio sui-generis, confirmando que esta é a Copa das promessas. A atriz pornô Bobbi Eden (foto ao lado) quer fazer a alegria do povo do seu país – ou, pelo menos, de parte dele. Ela prometeu no Twitter que fará sexo oral em cada um de seus seguidores caso a Holanda seja campeã do Mundial. Eden tem mais de 8 mil seguidores na rede de microblogs. Ciente da tarefa hercúlea que a espera, ainda indicou três solidárias amigas para ajudar a pagar a promessa: Gabby Quinteros, Vicky Vette e Misshy Brid.

Até Maradona entrou na onda das promessas, dizendo que iria desfilar nu em Buenos Aires, caso a Argentina ganhasse a Copa. Felizmente, sua seleção foi despachada pela Alemanha nas quartas-de-final. O caso mais famoso, no entanto, é indiscutivelmente o de Larissa Riquelme. A modelo paragaia, considerada por muitos a musa da Copa, tinha prometido tirar a roupa em caso de título do seu país. Como a equipe foi eliminada pela Espanha, Larissa não perdeu o embalo: resolveu fazer um ensaio fotográfico do mesmo jeito. Com isso, premia seus fãs e ainda aproveita para faturar um bom cachê.

Conexão África (29)

À espera de um sopro renovador

O presidente da CBF, sem se desculpar pelas escolhas obtusas que fez, avisou ontem que o futuro técnico da Seleção Brasileira não será um nome “surpreendente”. Será, portanto, uma cobra criada, com bagagem suficiente para assumir o desafio de responder pelo escrete num momento de grande desgaste e frustração do torcedor. Ricardo Teixeira sabe que a preparação do Brasil deve começar de imediato, com foco na formação de um novo time. Novo, diga-se, de verdade. Com jogadores jovens, que sejam capazes de ir até a Copa do Mundo de 2014.

O desafio é reformular a Seleção justamente para o Mundial promovido no Brasil. Quem assumir deve estar conscinete de que será uma missão à altura dos trabalhos de Hércules. O nível de pressão a que o treinador será submetido vai fazer parecer um inocente piquenique a cobrança exercida sobre Dunga na Copa 2010. Todos os olhos estarão postos no time, com baixíssimo (ou nenhum) nível de tolerância ao fracasso. Depois do desastre de 1950, o torcedor não aceitará uma campanha pálida como a das últimas duas Copas.

Para a execução desse projeto de alto risco, nem se cogita a nomeação de um treinador inexperiente, como ocorreu com Dunga para o Mundial da
África do Sul. O novo comandante precisa ter respaldo popular, currículo profissional impecável e firme disposição para empreender a inadiável renovação do atual grupo de jogadores. Da equipe eliminada pela Holanda na última sexta-feira, pouquíssimos serão aproveitados e conseguirão sobreviver em alta até 2014. Creio que somente Júlio César, Kaká, Robinho e Maicon talvez suportem os ventos da mudança, embora seja provável que o técnico prefira trabalhar com outros nomes.

Além da pressão pela formação de um time jovem e vencedor, combinação nem sempre possível, haverá o clamor pelo resgate do estilo genuinamente brasileiro, que privilegia a técnica e habilidade. O fantasma das últimas Copas, com seleções limitadas e pouco preocupadas em atacar, que não conseguiram superar a barreira das quartas de final, estará mais presente do que nunca. O excesso de cuidados com a marcação, próprio do chamado futebol pragmático, não rendeu os resultados apregoados. A eficiência, tão ao gosto de Parreira e Dunga, não teve qualquer utilidade no enfrentamento com times ligeiramente superiores – França, há quatro anos, e Holanda, aqui na África.

O técnico ungido pela CBF, que deverá assumir já em agosto, enfrentará um problema extra: não terá condições de preparar a Seleção adequadamente, pois o país-sede da Copa não disputa as eliminatórias. Como se sabe, amistosos nem sempre permitem avaliar o verdadeiro estágio de um time. Será necessário elaborar uma agenda séria (e seletiva) de compromissos internacionais para testar os novos jogadores. O lado positivo é que o Brasil, como berço de craques, terá a chance privilegiada de debruçar suas vistas sobre um elenco de grandes e futurosos atletas. Paulo Henrique Ganso, Neymar, Pato, Lucas, Hernanes, Felipe Alvim e tantos outros que ainda irão aparecer.

No futebol, como na vida, há males que sempre vêm para o bem. À espera da definição do novo campeão do mundo, fico a imaginar o que seria do
futebol brasileiro se a tática conservadora que a Seleção mostrou em gramados sul-africano fosse recompensada com o título. Num torneio marcado pelo nivelamento e parcas manifestações de talento, essa possibilidade nem seria tão absurda. O problema é que talvez nunca mais, pelo menos para a minha geração, se conseguisse escapar dessa maldição.

Felipão, o nome mais forte

Cerca de oito nomes já foram especulados para assumir o lugar de Dunga na Seleção. Vanderlei Luxemburgo, Abel, Muricy Ramalho, Mano Menzes,
Ricardo Gomes e até Parreira entrou na roda. No entanto, pela maneira silenciosa com que Luís Felipe Scolari tem se comportado, arrisco dizer que ele será o novo treinador. Tem todos os predicados exigidos para a função, embora mantenha aquela mania de adorar volantes que é própria da escola gaúcha. Apesar disso, carrega o mérito de ter levado o Brasil ao pentacampeonato e é um nome sem rejeições junto à massa. Depois da experiência com o Capitão do Mato, duvido que a CBF se disponha a correr novos riscos.

Ninguém deve subestimar a fibra uruguaia

Uruguai e Holanda decidem hoje, na Cidade do Cabo, uma das vagas à finalíssima da Copa do Mundo da África do Sul. Em termos estritamente técnicos, os holandeses são superiores e merecem o favoritismo que lhes é atribuído. Fazem campanha impecável (cinco vitórias em cinco jogos) e têm alguns jogadores de qualidade acima da média. Sneijder, Robben e Van Persie são muito bons, embora nem sempre estejam inspirados. No primeiro tempo do jogo contra o Brasil, estiveram sumidos. Na etapa final, cresceram junto com o time, a partir de um gol acidental. O Uruguai tem apenas Forlan como trunfo ofensivo, já que o ágil Suárez cumpre suspensão, depois da expulsão pelo pênalti (heróico) cometido para salvar a Celeste diante de Gana. Apesar desse flagrante desnível, creio em jogo duríssimo, que vai contrapor a técnica holandesa à raça uruguaia. Não descarto a possibilidade de um
resultado surpreendente.

(Coluna publicada no caderno Bola/DIÁRIO, edição desta terça-feira, 6)

Tabu histórico cai na África do Sul

Um tabu histórico está caindo nesta primeira Copa africana. A vitória da Holanda sobre o Uruguai e sua consequente classificação para a final quebra uma escrita que prevalecia desde o primeiro Mundial. Até hoje, nunca uma equipe europeia ganhou uma Copa jogada fora do Velho Continente. No dia 11 de julho, domingo, em Johanesburgo, a história muda quando ou Holanda ou Alemanha ou Espanha irá levantar a taça. Na primeira fase, a Europa pareceu fadada a um tremendo fracasso na África do Sul, com a eliminação de Itália e França logo de cara e somente três seleções classificadas para as quartas de final, uma marca negativa histórica. A partir daí, porém, tudo se inverteu. A Holanda derrotou Brasil e Uruguai para chegar à final com seis vitórias em seis partidas e uma invencibilidade de 25 jogos – a Laranja não perde desde 2008.

A Alemanha atropelou a Argentina e a Espanha ganhou do Paraguai, agendando um duelo que vai reprisar a final da Eurocopa de 2008. Antes do Mundial da África do Sul, oito edições tinham sido realizadas fora da Europa, todas com título de um país sul-americano. O Uruguai foi campeão em 1930, em casa, e em 1950, no Brasil. A Seleção Brasileira foi campeã em 62, no Chile, em 70, no México, em 94, nos EUA, e 2002, na Coreia do Sul e Japão. A Argentina ganhou os Mundiais de 78, em casa, e 86, no México. O Brasil foi o único país não europeu a ganhar a Copa no velho continente, em 1958, na Suécia.

Holanda é a primeira finalista da Copa

Saiu o primeiro finalista da Copa da África do Sul. A Holanda derrotou o Uruguai por 3 a 2, na Cidade do Cabo, nesta terça-feira, comandada por seus principais jogadores, Sneijder e Robben. Os holandeses precisaram se desdobrar para superar o time de Oscar Tabárez, que usou a tradicional raça para tentar equilibrar as ações. Esse embate entre técnica e correria produziu um jogo feio, muito abaixo da expectativa para uma semifinal. Os holandeses, posicionados um pouco mais à frente do que na partida com o Brasil, pressionaram a Celeste desde os primeiros minutos, criando oportunidades com Kuyt e Sneijder. Sem proporcionar show, a Laranja chegou ao primeiro gol num chute de longa distância, do capitão Van Bronckhorst. Apesar da desvantagem inicial, o Uruguai conseguiu ser superior à Holanda no primeiro tempo. O problema é que não criava muitas jogadas de gol pela limitação técnica de seus jogadores. Forlán empatou num belíssimo chute da intermediária, com falha do goleiro Stekelenburg.
No segundo tempo, a Holanda voltou mais criativa, com Van der Vaart no lugar de De Zeeuw. Sofreu alguns contra-ataques, mas sempre chegava com perigo. E o segundo gol nasceria com Sneijder, que, com cinco gols no Mundial, lidera a artilharia ao lado do espanhol Villa. Minutos depois, Robben, num belo cabeceio, ampliou. Quando parecia batido, o Uruguai descontou, com Maxi Pereira nos acréscimos. Ainda ensaiou uma pressão desesperada, mas a derrota estava decretada. Para os holandeses, a esperança de quebrar o jejum na Copa do Mundo. É a terceira final de que participam (as outras foram em 1974 e 1978). Já os uruguaios saem de cabeça erguida, depois de terem recolocado o país na elite do futebol mundial.