Na estrada, curtindo a ressaca da derrota

Depois de 14 horas de viagem, entre Porto Elizabeth (passando por Kirkwood e Bloemfontein) e Johanesburgo desde ontem à noite, nossa equipe acaba de chegar ao hotel Booysens, completamente extenuada, pelo cansaço natural desse tipo de esforço e o acabrunhamento pela eliminação da Seleção de Dunga. Não que tivéssemos tantas ilusões assim, mas quando se está no estádio é inevitável que surja aquele sentimento nacionalista, que, misturado à paixão pelo futebol, costuma confundir as ideias. Ao longo da estrada, a conversa flui e é possível ir assimilando melhor o baque. O fato é que, depois de um primeiro tempo impecável, entregamos o jogo naquele apagão no começo do segundo tempo, mas é certo que o time teria problemas para chegar ao título, apesar de a Copa continuar nivelada por baixo.

Torço agora pelo Uruguai, por razões puramente clubísticas (em função da presença de Loco Abreu na Celeste), mas sigo convencido de que a Argentina é favoritíssima ao título – aliás, digo isso desde a primeira fase. Se passar pela Alemanha, não terá freios. Uma coisa é certa: em comparação com a tristeza de 2006, quando nosso algoz foi o time francês de Zidane, também nas quartas de final, o impacto de agora é sensivelmente menor. Talvez seja assim porque o tempo nos torna mais resistentes, o que não impede que este sábado seja bastante doloroso de atravessar. Ainda mais quando se está a tantas léguas de distância de casa.

12 comentários em “Na estrada, curtindo a ressaca da derrota

  1. Gersão, vou te falar uma coisa, tô procurando uma dor no futebol como essa e não condigo lembrar. Nem as decepções com minha maior paixão, o Paysandu, se compara a esse momento. Muito triste.

    1. Sofri muito mais em 2006, Maciel, talvez por pressentir que era o chamado canto de cisne de uma geração de grandes jogadores – Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos.

  2. Volto a comentar nesse blog, pois gosto de me divertir, principalmente, com “jornalistas” que adoram apontar favoritos (como a Argentina) e, no final, sempre quebram a cara (BONITO!). O mais impressionante é ver o quanto não são humildes pra reconhecer seus erros e voltar atrás…Argentina favorita? só brasileiro, quer dizer, só jornalista brasileiro pra dizer isso! Outra coisa, não sou dono da verdade como você falou, quem me parece ter mais esse dom são vocês que adoram palpitar, comentar, dar opiniões, mas quando nós, quer dizer, quando alguém que não se deixa levar por mero “papo furado” de vocês pensa o contrário, vocês não gostam, se sentem ofendidos, masssss o futebol é bonito e emocioanante por isso, pra ver gente como Neto, Falcão, Galvão, Trajano e, é claro, você, quebrarem a cara! Abraços, saiba que você me diverte muito com tuas projeções e opiniões.

    1. Camarada, opinião é livre, principalmente num blog, e por isso respeito todas aqui expostas. Quem lhe disse que jornalista não pode errar? Esta é a Copa mais sujeita a chuvas e trovoadas dos últimos tempos. A Alemanha passa a ser a favorita porque bateu a seleção que eu via como tal, mas ninguém garante que vá passar impunemente por Espanha (ou Paraguai). Estamos falando de futebol, camarada, não de uma ciência exata – e olha que os cientistas também erram pra burro. Não se avexe, não. Continuarei a errar, opinar, palpitar e quebrar a cara. E você, certamente, a se divertir. Pior é a ausência de opinião, o vazio total. Diz o Nizan Guanaes que uns choram, outros vendem lenço. Vida que segue.

      1. Olá Gersom vc tem razão futebol não é uma ciência exata e todos são livre para opinar e vc ia pela lógica até mesmo porque a Argentina até o momento apresentava um futebol bonito, vistoso como qualquer um torcedor gosta de ver a sua equipe atuando sempre para frente e claro que era franca favorita pelos talentos individuais que a mesma tinha, mas sempre achei o sistema defensivo limitado fraco memo e isto apareceu na primeira oportunidade em que eles enfrentaram uma equipe mais qualificada e compacta, assim como o Brasil e claro também pela alegria de nós brasileiros afinnal o Maradona ia passar quatro anos xiando com nós, eele sempre mostrou que tinha medo de enfrentar o Brasil motivo pelo qual ele secava muito a nossa seleção uma vez que ele aponhou aqui e em Buenos Aires.

      2. Mas o André tem razão, Gilvan. Como tantos outros, quebrei a cara por afirmar que a Argentina ia longe. Não foi, coisas do futebol, que não perdoa times desarrumados, ainda mais em Copa do Mundo. Mas a graça da coisa é continuar arriscando. Por exemplo, já começo a achar que vai dar Alemanha, com aquele estilo frio e objetivo.

      1. Gerson, gostaria de ver o Zico no comando da Seleção, foi bom jogador, jogou duas copas ,tem experiência de treinador, de Supervisor da própria Seleção Brasileira, foi uma copa dirigindo o Japão, tem bom trânsito com vários segmentos, principalmente com a imprensa, e acho que ele nutre um sentimento que é o da gratidão e do dever quase obrigatório, tentar fazer como treinador o que não fez como jogador, mesmo atuando bem, ganhar uma Copa do Mundo.

  3. Gerson, não é quebrar a cara, é um erro, se todo palpite errado for quebrar a cara amigão, o que vai ter gente com cara quebrada nessa copa vai ser brincadeira… não leve a sério algumas figuras.

  4. Eu tinha esperança na Argentina, pelo futebol arte. Mas Maradona, soberbo, não estudou a Alemanha, que não errou um passe, e encontrou a defesa Argentina entregue às moscas, ficou exposta demais. Talvez, com marcação homem a homem, o resultado poderia ser outro. Mas uma coisa, a Alemanha adotou muitos jogadores, inclusive brasileiro, o que pode ter mudificado aquela forma chata que sempre jogou. Vimos uma jogada de dribles que resultou em gol, o que nunca se viu antes. Eu também acredito na Alemanha.

Deixe uma resposta