Livro homenageia heróis botafoguenses de 89

Por Thiago Fernandes

O que era para ser um simples lançamento de um livro se transformou em uma grande homenagem. Nesta segunda-feira, Rafael Casé e Paulo Sampaio lançaram a obra “21 depois de 21”, que, 21 anos depois, conta a história do título do Carioca de 89, que deu fim a um jejum de mais de duas décadas sem conquistas do Botafogo. No evento, realizado na sede do clube em General Severiano, compareceu grande parte do elenco campeão. A ausência mais sentida foi a do autor do gol do título, Maurício.Vitor, que fez o gol de empate em uma partida contra o Flamengo na Taça Rio, teve a honra de, ao lado do presidente Maurício Assumpção, inaugurar a placa em homenagem ao time de 89.
Paulinho Criciúma, artilheiro do Botafogo no Cariocão daquele ano com dez gols, foi o mais assediado pelos fãs que lutavam por um autógrafo no livro. Mas nem o calor que fazia dentro do salão incomodava o ex-jogador, que estava muito feliz. “Estamos relembrando as mesmas emoções de uma conquista tão bonita e tão importante. Sempre achei que a história valia um livro, mas nunca pensei que alguém o fosse escrever. Essa obra e esse evento aqui só ajudam a reafirmar a história do Botafogo”. O comandante da equipe campeã, Valdir Espinosa foi dos últimos a chegar. Preso no engarrafamento, o técnico mandou avisar que chegaria a tempo de estar com seus ex-atletas. “Isso aqui mostra o que é a torcida do Botafogo. É uma das que mais reconhece o trabalho que é feito pelas pessoas. Estou muito feliz com a lembrança”, disse.
89 mais importante que 95? Autor do livro, Rafael Casé levantou uma polêmica ao declarar que, para a geração dele, o título carioca de 89 era ainda mais importante que o Brasileiro de 95, por ter dado fim a um longo jejum e por ter resgatado a confiança do time.
Um dos famosos presentes ao evento, o ator Stepan Nercessian fez coro com o escritor. Para ele, aquele título foi mais que uma simples conquista. “Acho que eu nunca mais parei de comemorar. É difícil entender o que é uma pessoa passar 21 anos indo para os estádios achando que a hora vai chegar. Quando ela chega, você fica louco. Passei dez dias saindo com a camisa do Botafogo e gritando na rua. As pessoas me achavam maluco”,  conta. Pode ser que a geração mais nova de botafoguenses realmente não consiga entender esse sentimento. Mas uma torcedora em especial consegue. Com 12 anos, Sonja (na foto ao lado, com os autores do livro) foi filmada chorando atrás do gol do Botafogo após derrota para o Vasco no Brasileiro de 88 (Sonja era gandula). Depois dessa cena, o Glorioso nunca mais foi derrotado até chegar ao título carioca. “Engraçado como ainda hoje as pessoas me conhecem por causa daquele choro. Já até dei autógrafos. Fico sem graça com isso. Mas posso dizer que aquele choro deu muita sorte. Foi o último jogo do time no Brasileiro e, depois disso, não perdeu mais até ser campeão”, relembra a agora secretária do Sindicato dos Professores.

O livro tem algumas características interessantes. Conta com 89 depoimentos de torcedores que estiveram no Maracanã naquele 21 de junho. Entre os ilustres, estão Armando Nogueira, João Saldanha, Sandro Moreyra, Arthur Dapieve, Helio de la Peña e Gustavo Poli. Além disso, os nomes de 2.121 (21 depois de 21) pessoas cadastradas no site estarão em um anexo. Custa R$ 50,00 e o torcedor tem duas opções de capa. A preta, com letras brancas, e a branca, com letras pretas.

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