Coluna: Campeonato em aberto

Foi um jogo esquisito e ruim, tecnicamente. Um dos piores deste returno, apesar da importância para o desfecho da competição. E a mediocridade teve a ver com duas coisas: a ausência de alguns dos principais jogadores dos dois times e a postura excessivamente conservadora adotada pelo Paissandu desde os primeiros movimentos.

Como se especulava desde o começo da semana passada, o Paissandu viajou a Marabá com o regulamento embaixo do braço, com o objetivo de empatar a partida. A vitória, se ocorresse, seria conseqüência natural do jogo. De certa maneira, tudo correu conforme o planejado, até o penúltimo minuto. E, por ironia, o gol foi sofrido logo em seguida ao melhor momento do ataque bicolor na partida.

Depois de cozinhar o galo durante quase 90 minutos, o time de Charles Guerreiro resolveu se arriscar, pelos pés de Romeu e Moisés, culminando com um chute rasteiro de Edinaldo que bateu na trave de Alan. O lance aconteceu no lado direito da defesa marabaense. Curiosamente, tal corredor estava ali, escancarado, desde o primeiro instante.

Soares, improvisado no lugar do ala Vítor Ferraz, embolava pelo meio e quase não guarnecia a posição. O Paissandu, porém, nem olhou para aqueles lados. Preferiu ficar gastando tempo no meio-campo, tocando para os lados ou dando chutões na defesa.

A bola pune, já disse o filósofo retranqueiro Muricy Ramalho. Charles deve ter lembrado disso quando Jales estufou as redes aos 44 minutos do segundo tempo, depois de uma jogada que nasceu no campo de defesa do Águia, chegou até Aldivan e deste até Tiago Marabá. Um esperto chagão em Zeziel e daí para o cruzamento rasteiro que encontrou o artilheiro livre para marcar. A ação foi facilitada pela ausência de cobertura no espaço deixado por Edinaldo, que tinha ido ao ataque tentar fazer o gol.

É bom lembrar que essa mesma jogada já havia sido tentada antes, através de Aldivan para finalizações de Tiago e Rodrigo. O Paissandu, que se defendia rebatendo bolas, parece não ter observado que o Águia crescia quando a bola passava pelos pés desse trio. O descuido fatal prova que até para jogar cautelosamente é preciso ser organizado.

Antes do confronto, as ausências de Sandro, Tiago Potiguar e Fabrício pareciam danosas ao Paissandu, mas o Águia acabou penalizado pelo destino com o dobro de desfalques: Vando, Vítor Ferraz e Samuel, antes da partida, e Garrinchinha, Soares e Bernardo, com a bola rolando.

Apesar da aparente má sorte, Galvão acabou premiado com o contra-ataque bem encaixado e a participação de dois jogadores que normalmente não seriam titulares, Tiago e Jales.

Aviso aos navegantes: quem achou que o Águia venceu na base da sorte é bom ficar cabreiro. No Mangueirão, a tendência é que o time de Galvão atue bem melhor, aproveitando o bom toque de bola de seu meio-campo e a competência para explorar o contra-ataque.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 31)

25 comentários em “Coluna: Campeonato em aberto

  1. Não era para tanto, mas o time bicolor se postou além da conta defensivamente. O pensamento de trazer um empate tirou a vontade de ganhar um jogo, que pela qualidade do time da capital, poderia acontecer naturalmente. O Águia despertou essa preocupação quando eliminou e dominou o jogo contra o fraco time do Remo a uma semana atrás. As ausências de Sandro, Pontiguar e Fabrício não influenciariam tanto para esse objetivo. Alguns jogadores ao meu ver não se encaixam neste time e alguns são titulares por falta de melhores qualificados par a posição, é o caso da lateral direita, no meio por impedimento de alguns titulares. Charles, como a maioria dos técnicos atuais, preza jogar recuado mesmo tendo no elenco qualidade para se impor mais. O fato de ter o jogo de volta fez assim pensar e como disse antes, será uma semana de comemorações para o Águia, com ocorreu com o vizinho, mas só que sabia de suas limitações e a brevidade da euforia. Deve a lógica prevalecer e o Paissandú ficar com o título, agora tem que jogar efetivamente e desta vez não tem outra alternativa. Que não se iludam com aqueles 6X1.

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  2. DEVEMOS reconhecer que o Paysandu tem um bom elenco, e está melhor qualificado que o time do Águia. O Águia só seria campeão se tivesse ganho esse jogo por 2 a 0, pelo menos. O único time que faria frente ao Paysandu, tendo essa ‘vantagem’ de 1 gol, seria o Remo.

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    1. A febre não passou. O Remo teve essa oportunidade na decisão do 1º turno ou já esqueceu? Não queira levantar o moral de um time que hoje é, com muita boa vontade, considerado a terceira força do estado.

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  3. O medíocre técnico do Paysandu, sabendo das limitações do seu time, entrou para empatar e acabou perdendo. É aquele ditado, quando o time entra para empatar é muito provável que ele perca. Foi o que aconteceu no acanhado “zinho de oliveira”. Com um time muito limitado técnicamente e sem nenhuma criatividade e um jogo horroroso cheios de chutões para cima, ganhou quem jogou com mais vontade, por que futebol realmente não houve. Mas tem agora o jogo da volta. E os “figurões” da curuzú devem voltar e com eles a banca do já ganhou. Cuidado, esse time do Águia é muita traiçoeiro.

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  4. O parazinho chegando ao fim, nada merecido que um interiorano ganhar, visto que foi o campeonato mais fraco da década e as duas principais forças dos estado com times de série C e D respectivamente.
    Em relação a série C, uma vaga já é certa do Fortaleza.

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  5. Sua leitura do jogo foi perfeita Gerson,todavia esqueceu de atribuir ao papão o fato de que com a volta de Sandro e Potiguar e jogando com o apoio da MAIOR TORCIDA DO NORTE E NORDESTE E CENTRO OESTE aliadaà necessidade de vencer e jogar pra vencer mesmo ,o papão se torna FRANCO e VIRTUAL VENCEDOR ,COM MÉRITOS DO CAMPEONATO.Aos invejosos boiolinos se recolham á insignificancia do time de vcs e como diz aqui sempre o Alonso , o argentino-brasileiro, é um timeco de quinta…esse sim perdeu em Marabá quetinho e sem reclamar porque 2 a 0 foi pouco.O Aguia respeitou o papão e com medo de perder o jogo não se lançou ao ataque,o que fatalmente aconteceria.O Papão errou em não crer que poderia vencer,bastaria ser mais ousado e jogar com o Marquinho desde o começo no lugar do William.No Mangueirão vai ser 3 a 1 fácil.Ou mais…

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  6. Gerson, ao invés de vc escrever Paysandu não viu isso e aquilo, escreva Charles Guerreiro não viu nada do jogo e preferiu atuar covardemente diante de um time capenga.

    Parabéns Águia e João Galvão. Agora mais do que nunca vcs merecem ser campeões.

    Fora Chales Retanqueiro!!!

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      1. Horrível, Edmundo. Os caras atropelaram o tal do estatuto do torcedor, tratou a torcida bicolor como inimiga, não deixou nem sequer que usássemos banheiro. As mulheres ficaram em alta lá, sem as mínimas condições. Os jogadores do Papão não voltaram para o vestiário porque é insurpotável o calor. A direção do Águia ainda pensa como time mirrado e amador.

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  7. Realmente o “chagão” é o melhor do correto comentário. Vamos acabar com essa frescura de “drible da Vaca” e vamos resgatar o chagão. É isso.

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  8. Gente, o resultado de ontem foi normal, um a zero, é placar previsível para qualquer lado, não esqueçamos que jogamos contra o Águia, a segunda força do Norte deste País, então não há motivo para tanta raiva, ou frustração; domingo dia 06, estaremos lotando o mangueirão, para, com fé em Deus e bola rolando no retangulo verde, comemorarmos o 44º Título e o Tri- Campeonato; nada de criarmos expectativas negativas, isso só favorece o adversário e os secadores.

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    1. Silas não é raiva pelo resultado, mas de como o Paysandu jogou, iqual time pequeno, pior que a pelada aqui do bairro, pela grandeza e tradição do Papão o jogo de ontem me envergonhou e parece que nunca mais vamos voltar aos tempos de gloria onde o Papão era valente e metia 6 no cerro porteño e vencia o Boca fora de belém.

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  9. Esse jogo foi um replay do que aconteceu no com o Palmeiras, Time covarde; Técnico medroso e incompetente; Direção sem moral para tomar providências e com isso, tornando-se omissa, o que aliás tem sido a tônica de tal administração. Aproveitei minha estada em Marabé para tentar prestigiar esse clube ao qual me dedico, mas fiquei muito decepcionado com o que ví. Coincidentemente estava ao lado do Quarentinha, que era um verdadeiro contraste às cenas do pessimo futebool apresentado principalmente, por minha equipe. Ele também deve ter se decepcionado muito. Ah.. que saudade daqueles bons tempos. Ainda na semana passada, ouvia no comentário do Nonato Cavalcante,pela manhã, o seu receio de o tecnico do Paysandu voltar usar o mesmo exediente do jogo contra o Palmeiras, e foi o que aconteceu, infelizmente.

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  10. Olha Edmundo, na minha época lá da baixada da Santo Antônio, a gente fazia chagão com a ajuda do muro ou da calçada. Era tabela líquida e chagão certo. Aliás, a palavra chagão é tipicamente nossa, pois alude àqueles espaços laterais das residências de outrora, para evitar emendar parede com parede. Lembro que no chagão de casa, os fpds dos moleques lá da baixada, pulavam o muro para receber o devido pagamento da peteca daqueles que adoravam errar com palmo em cima. Era a famosa peteca “paga c.”. O problema é que os dois moleques lá a rua que adoravam perder, só queriam pagar a dívida no chagão de casa. Mamãe ia lá e jogava água morna na galera. O pessoal lá de casa não ousava censurar a galera nem a mamãe, pois a porrada comia dos dois lados. Ficávamos neutros, mas fazíamos a mamãe saber que o “negócio” tava sendo feito lá, pois ela sempre chegava na hora do acerto com a panela d’água na mão. Detalhe: os dois que adoravam pagar a dívida, um é atualmente motorista de táxi; o outro, que Deus o tenha, não morava na passagem, mas aparecia por lá só para brincar de peteca e adulto, foi um grande preparador físico de uma certa equipe local. Quanto a nós lá de casa, éramos até proibidos de brincar de peteca, pois a mamãe nos ensinou dentro do bons princípios católicos, que esse tipo de coisa levava direto ao inferno. Graças a Deus aprendemos isso! Por isso, Ed, toda vez que ouço falar de chagão só me lembro desse ex-preparador. Abs.

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    1. Cássio eu só nao vou escrever o nome desse preparador pra nao complicar…..ha ha ha ah ………..essa grande equipe local fica na almirante barroso…he he he he

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  11. Essa derrota pelo menos serviu pra todo mundo ver que o time é limitado e que precisa de reforços para a serie C , se de repente o Paysandu vencesse ontem e tb no proximo domingo todo mundo ía achar que o time era muito bom e a diretoria ía se acomodar e nao reforçaria o time, pq com esse plantel vamos ficar mais um ano na terceirona.

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    1. Concordo com vc, Andréia. O time do Paysandu é e está fraco p/disputar a série C, além de medroso e frouxo, haja vista os últimos clássicos contra o Remo. Aliás, estou preocupado com o futuro do Papão no brasileiro, pq com essas contratações q estão sendo feitas pelo LOP… não sei não!!! He man, Vaninho…

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