Iconoclasta

Por Bernardo Esteves

Direto do Houaiss: iconoclasta – aquele que ataca crenças estabelecidas ou instituições veneradas. A partir de agora, podemos sugerir uma forma mais prática para o verbete: iconoclasta – futebol praticado pelo Barcelona. O Barça de Xavi e Messi passa por cima de muitas verdades do futebol moderno assim como atropela a maioria de seus adversários.

Imagine um homem de barba e cabelos brancos e longos, com sua veste tremulando ao vento, a bradar: “Irmãos, a equipe que quiser sair vitoriosa dos prélios ludopédicos do novo milênio deverá obedecer alguns princípios básicos. Primeiro, seguir o antigo conselho de que um grande time começa por um grande goleiro. Depois, organizar uma defesa sólida, com ótimos zagueiros e laterais que avancem quando necessário. Jogadores altos e fortes, à Minelli, são recomendados. Outro passo é chegar a um meio-de-campo harmônico, por meio da mescla de marcadores eficazes e talentosos armadores. Um bom jogo aéreo é fundamental. Por último, um ataque que dê o toque final à velocidade do time, chegando ao gol em poucos toques.”

Guardiola, sempre com seu elegante pulôver, dá risadas à margem do rio, pensando: “Você ainda não viu meus meninos jogando…” Cheio de razão. Para começar, Victor Valdés inspira tanta confiança quanto Clemer debaixo das traves. Piquet (rejeitado pelo Manchester United) e Puyol são beques que não enchem os olhos de nenhum grande time do mundo. Alguém vai dizer que Daniel Alves marca tão bem quanto ataca? Não, ele joga tão bem quanto um meia. Isso sem falar na presença de apenas um volante-volante, ora Busquets, ora Keita, ora Touré.
 
O ataque merece um parágrafo à parte. Os gigantes Messi, Pedro, Bojan e Jeffren, auxiliados constantemente pela presença de Xavi e Iniesta, estão desbancando os imponentes Henry e Ibrahimovic. Formam um ataque-defesa, que marca sob pressão o adversário e o encurrala em seu campo. Uma linha de frente de toque de bola, capaz de trocar passes por dois minutos até encontrar a brecha esperada para dar o bote. Um esquadrão que chega tabelando, cerca o oponente por todos os lados, infiltra-se por todas as brechas, raras vezes recorrendo à artilharia pesada das bolas alçadas. 
 
O Barcelona, com sete jogadores das categorias de base entre os titulares, é a prática perfeita da ocupação de espaço. Se é verdade que nenhuma outra equipe tem um jogador talentoso como Messi, mais importante é a dinâmica de jogo de Iniesta e Xavi, alicerces do time. Vitória a vitória, conquista a conquista, o Barça demonstra que o futebol continua o mesmo e nos delícia com seus ataques a “instituições veneradas” como o Real Madrid e o Arsenal, suas últimas vítimas.

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