Coluna: Românticos não têm vez

Os dois últimos clássicos foram bastante generosos, em emoção e gols. Além de palpitantes embates, só definidos nos minutos finais, o torcedor viu a rede balançar por 12 vezes nas duas partidas decisivas do primeiro turno. É um bom indicativo do que poderá acontecer na tarde deste domingo. Só não se deve esquecer também que a marca da imprevisibilidade é mais forte que qualquer outra quando o assunto é Re-Pa.
O derby mais disputado no mundo (704 vezes, até hoje) é useiro e vezeiro em desrespeitar favoritismos e avacalhar com previsões. Como nas outras ocasiões, os times podem viver situações opostas, mas acabam se igualando dentro de campo, seja por superação, talento ou puro acaso.
Por isso mesmo, goleadas são tão raras nos confrontos entre Remo e Paissandu nos últimos 40 anos. Qualquer torcedor recorda essas exceções. Se bem me lembro, registrou-se 5 a 2 para o Remo no final dos anos 70; 4 a 0 e 4 a 1 para o Paissandu nos anos 90; 3 a 0 para o Remo há quatro anos e os recentes 4 a 2 favoráveis ao Papão.
Por outro lado, como reflexo direto e exclusivo daqueles tempos românticos, as goleadas históricas se localizam ali pelos anos 30 e 40. Primeiro, o 7 a 2 aplicado pelos remistas em 1939. Depois, o célebre 7 a 0 que representou o troco alviceleste, em 1945.
Romantismo é o que certamente não se verá no Mangueirão, hoje, pelo menos nas quatro linhas. Por razões diferentes, os adversários precisam vencer. O Paissandu porque – já garantido nas finais do campeonato – não pode perder o prumo e a perspectiva. No outro extremo, o Remo luta para chegar ao menos à decisão do returno, a fim de conquistar a vaga à Série D.
Curiosamente, antes da decisão do turno, eram os remistas que desfrutavam de condição mais confortável. Tinham a melhor campanha e o ataque que marcou gols em todos os jogos disputados. Como o futebol dá voltas, esses dois itens continuam em poder do Remo, mas a tranqüilidade anterior cedeu espaço ao quase desespero. 
Os preparativos para o clássico mostraram uma diferença fundamental entre os oponentes. O Paissandu repetirá o time descoberto (e consagrado) nas três partidas derradeiras da fase anterior. Bruno Rangel, em lugar de Didi, é a única mudança feita por Charles Guerreiro na escalação.
No Remo, forçado pelas circunstâncias, Giba opera quatro modificações na equipe – San, Marlon, Patrick e Landu. Mais que isso: opta por uma radical troca de sistema, passando a usar o 3-5-2. O problema é que, contra o Santa Rosa, no meio da semana, o novo desenho tático deixou tantos furos (e dúvidas) que terminou abandonado no segundo tempo.
O ataque azulino, que era a sensação do torneio, ganhou em alternativas (Marciano, Landu, Héliton, Samir e Alessandro), mas perdeu em confiança. Do outro lado, Charles tem menos opções (Moisés, Rangel, Didi e Zé Augusto) e mais certezas. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11)

5 comentários em “Coluna: Românticos não têm vez

  1. Gente, essa sova na leoa eu não perco. Nem com toda essa chuvada que caiu. A leoa vai sair ensopada de gols. estou seguindo para o testemunhar mais esa carnificina. FUI…

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  2. Não vou falar do lado técnico porque minha dedução para hoje é de desconfiança. Paissandú perdeu e até agora não ouvir alvoroços a respeito por parte da presidência e não seria este jogo que abalaria a permanencia do Charles, embora ache que deixou passar mais uma oportunidade para mostrar competencia, mas como disse antes está tudo embolado (no bolo) assim entenda.

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