Magavilha

Por Bernardo Esteves (www.bernardoesteves.blogspot.com)
 
Cabelos ralos grisalhos, pequeno óculos de grau, baixa estatura, introvertido e com um ar de tecnocrata. Esse é Felix Magath, treinador do Schalke 04, atual líder do campeonato alemão, e personagem com uma visibilidade na mídia inversamente proporcional à sua competência.

Avesso aos holofotes, sem o estilo elegante de Roberto Mancini, o carisma de Luiz Felipe Scolari e a ironia de José Mourinho, Magath acumula títulos da Bundesliga sem ser notado pela imprensa mundial. Paradoxalmente, seus laços no futebol estão firmados na metrópole da comunicação alemã, Hamburgo. Com o time local ele venceu a Liga dos Campeões de 1983, como jogador, e iniciou sua carreira de técnico, em 1993. No entanto, somente em 2003 destacou-se na nova função, levando o Stuttgart ao vice-campeonato alemão, feito que chamou a atenção do gigante Bayern de Munique.

Magath foi o escolhido para substituir Ottmar Hitzfeld no time bávaro e, com seu estilo linha-dura que lhe rendeu a alcunha de Saddam, faturou o Campeonato e a Copa da Alemanha nas temporadas de 2005 e 2006. Enfim, cravou seu nome na história do vencedor futebol germânico, e sem negar a raça: sempre privilegiou características como força física, jogo aéreo de qualidade e determinação em suas equipes.

Em 2007 o título alemão escapou e, como qualquer treinador que não levanta o caneco no Bayern, foi demitido. Transferiu-se para o Wolfsburg, time da Volkswagen que mais parecia uma montadora automotiva, tamanha a sua falta de intimidade com o futebol. E não é que o homem tomou o chope da vitoria novamente em 2009, junto com Grafite, Dzeko e companhia! Sim, sob seus auspícios o time verde e branco desbancou os rivais, fez do atacante brasileiro o artilheiro do campeonato e alcançou sua maior conquista em todos os tempos.

Seduzido por uma proposta irrecusável do Schalke 04, um dos clubes mais ricos do mundo (sim, é verdade), Magath trocou o trabalho consolidado no Wolfsburg pela tarefa de remontar o time de Gelsenkirchen, que conta com uma das torcidas mais fanáticas da Europa. E essa torcida não tem do que reclamar: com a vitória sobre o Leverkusen neste sábado, por 2 a 0, o Schalke assumiu a ponta do campeonato a seis rodadas do final.

O Schalke não é campeão desde 1958 e conta com os brasileiros Kuranyi, Edu, Bordon e Rafinha, prováveis colegas de mais um feito do senhor Magavilha. E, mesmo que não leve, o Schalke e Magath já mostraram do que um bom trabalho é capaz. Só falta a seleção alemã e o mundo descobrirem a cabeça por trás deste feito.

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