Algumas observações sobre o sensacional Re-Pa final, a conquista do Paissandu e o desempenho de cada time ao longo do primeiro turno.
1. O Paissandu começou a ganhar a fase inicial do campeonato quando solucionou a falta de talento no meio-campo, evidente nas primeiras seis rodadas. Nesse sentido, a contratação de Fabrício e Tiago Potiguar foi providencial e Charles soube utilizá-los, explorando o que têm de melhor: velocidade e passe.
2. No sentido inverso, o Remo, dono da melhor campanha, entregou o turno porque não se deu conta da queda de produção do time a partir da semifinal (contra o S. Raimundo) e nos confrontos finais.
3. Charles teve o mérito de definir uma escalação e apostar suas fichas nela. Recuperou Didi, prestigiou Tácio e fixou Leandro e Paulão na zaga.
4. Sinomar tinha um time envelhecido nas mãos e não providenciou alternativas mais jovens para compensar. Confiou em dois laterais fracos, Índio e Paulinho, além de insistir com Fabrício Carvalho no meio-campo.
5. Charles não se deixou impressionar pela profusão de contratações – média de uma por dia na Curuzu. Concentrou-se no que interessava: entrosar o time desde a semifinal em Tucuruí.
6. Sinomar especializou-se em trocas equivocadas, quase sempre desmontando seu setor de criação. Sua substituição preferida foi trocar Gian ou Vélber por Samir, lançando este na posição errada, como meia. Samir teve boas atuações como segundo atacante.
7. Charles se destacou por prestigiar seus melhores jogadores caseiros, como Moisés e Allax.
8. Sinomar efetivou Héliton, mas valorizou em excesso jogadores recém-contratados e fora de forma, como o meia Otacílio, em detrimento de boas alternativas domésticas, como Marlon e Diego Azevedo.
9. O primeiro jogo da final decidiu a parada. Charles percebeu que era o jogo-chave da decisão e se armou adequadamente para vencê-lo. Venceu. O Remo fracassou por ter confiado num favoritismo que só já existia no papel e na cabeça de alguns corneteiros empolgados. Como não se preparou para vencer, perdeu.
10. No meio da semana, o Paissandu encarou o Palmeiras com disposição, sem medo. Perdeu por 2 a 1. O Remo, cauteloso (três volantes) demais diante do Santos de Neymar, caiu de quatro. Os resultados desiguais influíram no estado de espírito dos times para a finalíssima.
11. Ontem, precisando vencer por dois gols de diferença, o Remo conseguiu fazer 2 a 0 em 25 minutos, mas não teve fôlego para manter o pique inicial. Cansado e lento, pouco pressionou no segundo tempo e acabou cedendo o empate.
12. O Paissandu, surpreendido com os dois gols do Remo ainda no 1º tempo, se manteve tranqüilo e usou seus principais trunfos – Fávaro, Sandro, Tiago e Moisés – para assegurar o resultado que lhe interessava. Coisa de time amadurecido e senhor de suas próprias forças. Título incontestável.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 22)
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