Coluna: Uma chance para os nativos

Técnicos caseiros só têm utilidade para os grandes da capital em tempo de vacas magras. No aperreio, com dinheiro curto, fica mais prático contratar um conterrâneo ou agregado para ir quebrando o galho. Se a coisa melhora, e normalmente melhora mesmo, ao invés de aumentar o salário do sujeito, livram-se dele e saem correndo atrás de um técnico “de nome”, normalmente ganhando 10 vezes mais.
Assim são as coisas no incrível futebol paraense. Não é de agora e nem adianta tentar entender. O condicionamento é tão forte na cabeça das pessoas, que até os próprios profissionais nativos aceitam com resignação o tratamento dispensado pelos clubes.
Refiro-me a essa situação, tantas vezes vista entre nós, diante da coincidência feliz de um clássico Re-Pa que opõe dois técnicos regionais. Sinomar Naves no Remo e Charles Guerreiro no Paissandu. Obviamente, não estão no comando por acaso ou generosidade dos dirigentes. Foram as soluções mais práticas e em conta para resolver os problemas dos clubes.
Sinomar assumiu o Remo no pior momento da história do clube, depois do desastroso campeonato estadual de 2009, à margem de competições nacionais. Como ninguém estava prestando muita atenção, teve tempo e sossego necessários para ir juntando as peças, com alguns poucos profissionais e diversas revelações das divisões de base do clube.
Saiu por aí com esse misto-quente, no melhor estilo Caravana Holliday, encarando campinhos carecas e times amadores dispostos a tudo para tirar uma casquinha em cima dos bacanas da capital. Mais que a invencibilidade sustentada nessas partidas, Sinomar consolidou algumas jovens promessas – Raul, Diego Azevedo, Héliton, Jorge Santos, Alessandro.
Veio o campeonato, chegaram alguns reforços e o time foi se arrumando. Começou a vencer, classificou-se por antecipação à semifinal. Invicto, passou às finais do turno. Mérito incontestável de Sinomar e de seus jogadores. Se não é a quinta maravilha do futebol moderno, o Remo é, por enquanto, o melhor time do campeonato.
 
 
Bastou, porém, o empate frente ao S. Raimundo no último domingo para surgirem contestações a Sinomar. Ora, o resultado classificava o Remo. Existem problemas no time? Sim, vários. Os principais: laterais limitam-se a marcar (mal), Gian não pode ser obrigado a marcar e Samir deveria ter sido efetivado como titular, provavelmente em lugar de Vélber. São situações pontuais, que dependem de posicionamento e escolha.   
Não duvido que, daqui a alguns dias, dependendo do resultado do Re-Pa, vai aparecer gente defendendo a contratação de novo técnico, um Barbieri qualquer, como remédio para todos os problemas. Nem Sinomar merece tal sentença, nem o Remo dispõe de dinheiro em caixa para gastar com mais um enganador importado, como tantos que nos visitaram nos últimos tempos. O bom senso manda que o trabalho atual seja prestigiado e, se possível, melhorado – jamais desfeito. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 9)           

22 comentários em “Coluna: Uma chance para os nativos

  1. Gerson, sempre falo, que os maiores responsáveis pela decadência do Futebol Paraense, são: Os Dirigentes e grande parte da Imprensa(essa, porque apoia, como o post acima, todas essas bobagens que tais dirigentes fazem). Me fez lembrar, agora, Gerson, como vc defendia a contratação de Valtinho, quando da demissão de Edson Gaucho e, dizia vc, na época, que Valter Lima era o melhor dos técnicos Regionais. Lembra? Onde vc colocaria o Sinomar e o Charles? Entenda uma coisa, eles nunca tiveram tantas chances, em Remo e Paysandu, mas tiveram em outros clubes, sem pressão da torcida. Porque não fizeram bom trabalho? Pegue o telefone, ligue para o Cardoso Moreira do Rio, pergunte como foi a passagem de Charles Guerreiro por lá(lá não tem pressão). Gerson, amigo, acredite, é muito difícil pra mim ter que dizer isso, mas não sei mentir, na minha opinião, sua coluna de Hoje, vou preferir dizer que foi totalmente Infeliz e, contribuirá, certamente, mais ainda, para o fim desses dois Clubes. Esse negócio de dizer que a Imprensa não contrata, não chuta bola, não faz gol,.. , viu como nem precisa. O Problema, é que cada um afunda o Futebol Paraense, de um jeito.
    -Pense nisso:
    1- Qual é o Técnico do Goiás?
    2- Qual é o Técnico do Vila Nova?
    3- Qual é o técnico do Atlético-GO?
    4- Qual é o Técnico do Ceará?
    5- Qual é o Técnico do Vitória?
    6-……..
    Times do mesmo quilate de Remo e Paysandu, mas que pensam grandes, por isso que estão muito a frentes desses dois, fazem o Óbvio, não possuem Técnicos Locais e sim, Bons Técnicos do cenário Brasileiro. Competência é isso, mas só vale pra quem tem.

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    1. Carak veio!
      Antes de tentar comparar Remo e Paysandu, com os clubes que você relacionou, deverias verificar se às condições finaceiras destes, são hoje, equivalentes. O Brasil todo, sabe que não. Então, te pergunto. Qual seria a mágica a ser feita para custear técnico de 60 mil reais?
      Meu caro, pensar grande te garanto que todos pensar, mas ter grana para bancar esses sonhos nem todos têm e, a dupla RE x PA se encaixam justamente entre os que não têm.^
      Competência, não é copiar o que acontece com os outros, competência, é obter o produto final satisfatório com os insumos apresentados no momento.
      É difícil ou impossível você entender esse fato?

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    2. Caro Cláudio Santos,
      Decididamente, não dá para entender tuas convicções, mas, dá para questioná-las, vamos então a elas, ponto a ponto:
      1-A contratação do Valtinho, em substituião ao Edson Gaúcho: O que foi fornecido ao Válter Lima, para ele desenvolver um bom trabalho à frente do BICOLOR AMAZÔNICO, além de um plantel limitadíssimo, pereba e ainda por cima, todinho contratado pelo demitido Gaúcho; restando apenas, quatro rodadas para o encerramento da competição? em tempo: O tão competente Edson Gaúcho, só agora, parece que arrumou outro emprego, se é tão competente e assumidade, como defendes até hoje, por que a dificuldade de se encaixar no mercado de trabalho, e ele não é REGIONAL.
      2-…. Cada um, afunda o futebol paraense de um jeito: tu com essa obsessão de que o profissional regional não tem competencia, para comandar as equipes em competi~ções nacionais, sinceramente Cláudio Santos, isso, a mim parece Sub-desenvolvimento, coisa do colonizado que só sabe balançar a cabeça, tipo vaquinha de presépio, para o colonizador; tomar chibatada no lombo sem reclamar, gostar e ainda por cima, entender que o patrão tem sempre a razão, lembro até um fragmento de um samba da década de 70:
      ” O patrão mandou cantar com a língua enrolada,
      every body macacada,
      every body macacada.
      Também mandou servir wisky na feijoada,
      very good macacada,
      very good macacada…..
      e por aí vai, logo vês, que não é por onde pensas, infeliz o teu posicionamento a respeito; precisas saber de uma vez por todas car claudio Santos que Cabanagem, não foi um movimento que passou, está registrado na história deste Estado e pronto, o PARAENSE, É UM POVO CABANO, LEGÍTIMO! sem ser xenófobo, não arriamos, prá NINGUÉM!!!
      3- De onde é, o técnico do Flamengo?
      4- De onde é, o técnico do Santos?
      5- De onde é, o técnico do S. Paulo?
      6- De onde é, o técnico do Palmeiras? times de expressão técnica financeira e patrimonial, superior aos nossos, não resta menor dúvida, mas, que não desprezam, tampouco, desqualificam ou menosprezam a mão de obra do profissional regional(da região deles)
      Por final Caro Cláudio, UMA concordância no que escrevestes hoje; concordo contigo, quando escreves que, quem atrapalha o futebol paraense são os DIRIGENTES, mas, não por falta de inteligência, e sim por interêsses escusos, refiro-me à prática de ELES, sempre usarem os clubes quando estão à busca de um mandato eletivo.

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  2. Gerson, nem uma notinha sobre o dia da mulher, vai ver é por isso que elas andam meio ”escassa” por aqui, rsrsrsr….em tempo, começou o feminino 2010 com o Clube do Remo perdendo de 3 x0 para a Tuna do comentarista Haroldo..rsrs

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    1. Amigo Edmundo, respeito quem cultiva de boa fé esse tipo de data, mas acho um baita preconceito, além de tremenda mão-de-vaquice para com as nossas maravilhosas companheiras, eleger um dia apenas para homenageá-las. De minha parte, entendo que todo dia é Dia da Mulher. Como todo dia, é Dia de Homem, de Criança e assim por diante. Daí ignorar a data, que, a meu ver, é um convite à hipocrisia.

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      1. Realmente nós romanticos que somos temos que homenagear nossas parceiras todos os dias..mas o blogueiro bem que podia postar uma notinha sobre o dia delas..um lembrete, sei lá…rsrs…vc não seria hipocrates naum….rsrsr..

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      2. Mas aí é que está, companheiro. De verdade, não acredito nessa lorota de “dia da mulher” – já imaginou se inventam um Dia do Homem?? Seria tão esquisito quanto… Critico toda aquela hipocrisia de flores distribuídas no trabalho, palestras, apresentação de canto coral e o diabo a quatro, por isso não fiz referência à data.

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      3. Eu lhe entendo Gerson, mas ainda assim, uma postagem sobre uma mulher motorista, uma medica, uma jornalista, uma bandeirinha, e.t.c.. com certeza seria bem visto pelo publico feminino que está em falta por aqui…tá muito clube do bolinha o blog.. é o que penso….rsrs…
        Edmundo, Neves

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  3. Baseado nste raciocínio, se SR e Águia, por exemplo, se basearem no papa títulos pelos títulos que tem, estão ferrados. Não é por aí.

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  4. Acho que essa TPRP (tensão pré Re Pa) está deixando os equilibrados comentarista do blog muito passionais. Dirigente de futebol é como um dirigentede empresa, até porque o negócio que eles dirigem é comercial e visa lucro.
    Primeiro eles tem que trabalhar em conjunto; unir forças; ter objetivos comuns
    (Aquela organização lucrativa que é o carnaval de Salvador começou com a união dos grupos de micaretas que se degladiavam, se ofendiam e espantavam o turista. Hoje há uma consciencia de unidade tão arraigada que até quando uma irmã da Ivete sentou a pua por twiter na Claudia Leite e a Ivete veio de público condenar a irmã e as duas artistas posaram abraçadas para dizer que tava tudo bem.)
    Voltando ao futebol Cabano, precisamos de dirigentes com formação, graduação, pós graduação em administração e marketing esportivo.
    Precisamos de um projeto de longo prazo porque as decisões imediatistas que visam neutralizar o suposto sucesso do rival fazem com que os dois continuem abraçados rumo ao fundo do poço.
    Revelar atletas sempre foi a nossa vocação e somos, incontestáveis nessa atividade no Norte e maior parte do Nordeste. O jogador que vem de fora ou já está em fim-de-carreira ou é um mau profissional rejeitado nos grandes centros.
    Nossos técnicos precisam de mais intercâmbio, mais cancha? então que sejam mandados trabalhas junto aos mais renomados para pegar tarimba.
    Sem união e planejamento não haverá saida porque a CBF não tem interesse, nem politico, pelo Pará, hava visto esse fiasco da sede ca Copa 2014.

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  5. Gerson, provavelmente não lhe interesse saber, mas, depois de muito tempo, eis que volto a concordar integralmente com uma opinião sua. Com efeito, no que respeita ao Clube do Remo, cumpre repetir o que afirmei na primeira oportunidade em que compareci ao Blog: “O Clube do Remo precisa é se conscientizar da situação caótica em que se encontra e buscar alternativas realistas, sóbrias, austeras”.

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    1. antonio, acho q o seu Remo já se conscientizou de sua situação caótica. e por isso fez contratações mais coerentes. ao contrário do meu paysandu q ainda não caiu essa ficha. e por isso está padecendo.
      mas a minha opinião para a salvação da dupla REPA é dolorosa, mas simples. acredito q deveriam investir/cuidar de sua bases e passar uns 3 anos – pelo menos – sem contratar ninguém de fora. só formando times com a base e valores da terra (que fazem bonito em times do interior). assim as dívidas parariam de crescer, mesmo correndo grande riscos de não ganharem o campeonato.

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  6. Também concordo com o nosso colega Denis, a solução é investir na base, parar de contratar por um periodo até as coisas melhorarem para ambos os clubes. Eu acho que só assim a situação deles melhorariam. Mas eu acho difícil eles pensarem nisso.

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  7. Gérson, o Dia Internacional das Mulheres possui um lastro histórico de luta e resistência contra a opressão e capitalismo. Por isso deve ser rememorado sim. Que o mercado faça sua hiprocrisia, mas que a sensibilidade masculina não pereça diante do ser mulher, pois nem todas gostam somente de rosas. Mas, se gostam, não importa, “as rosas não pensam mal, por isso cheiram tão bem” (Hélber Salvador de Lima).

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    1. Caro Cássio, a data lembrada é importante como marco na luta em defesa dos direitos da mulher. Este é um ponto. Só não creio que um dia seja o bastante para homenageá-las. Minha restrição é quanto à quantidade – por justiça, deveríamos transformar TODOS os dias em DIA DA MULHER… concorda? Nem acho que elas devam ser catalogadas na agenda de eventos, como uma reles categoria profissional – tipo Dia do Médico, Dia do Professor, Dia da Manicure etc. Minha posição pode ser chata, mas não desrespeita a luta das heroínas da fábrica americana, muito menos menospreza a importância do papel da mulher – pelo contrário.

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