Coluna: Desafio para o Paissandu

A falha na inscrição de jogadores na Copa do Brasil, punida na sexta-feira pelo STJD, trouxe óbvios prejuízos técnicos (a vitória sobre o Botafogo virou derrota) e de imagem ao S. Raimundo. Apesar disso, aquele triunfo sobre o Glorioso teve o condão de reanimar um time combalido, que se arrastava, de tropeço em tropeço, no campeonato estadual.
Pode-se dizer que, em termos de organização e estrutura, o S. Raimundo continua modesto, circunscrito às fronteiras do Baixo Amazonas. Seria descabido, porém, desconhecer sua força dentro das quatro linhas, principalmente depois que passou a ser comandado por Flávio Barros.
O triunfo diante do Botafogo evidenciou que a equipe havia recuperado sua antiga vivacidade. Contra o Remo, no Baenão, mesmo perdendo, teve grande desempenho, principalmente no meio-de-campo. Frente a esse time cada vez mais parecido com o vice estadual e o campeão nacional da Série D de 2009, o Paissandu vai definir sua classificação à semifinal do turno.
Com 10 pontos, o empate é suficiente para garantir o Paissandu no G-4, embora não baste para lhe devolver a segunda posição. O excesso de empates (4) na competição faz da equipe de Barbieri dependente de uma combinação de resultados para recuperar a vice-liderança e até mesmo escapar de um confronto com o Remo já na semifinal.
A intenção de lançar um quadrado com Tácio, Zeziel, Sandro e Fabrício foi a melhor das idéias que Barbieri teve nos últimos dias e pode dar sustança extra ao Paissandu no setor de criação e na qualidade do passe – não só para o confronto de hoje, mas talvez para o restante do campeonato. 
 
 
No Baenão, contra o Águia, o Remo tem como única motivação preservar sua invencibilidade. Nem por isso deve ser cauteloso ou desinteressado. Gian, Vélber, Samir, Héliton e Marciano demonstram motivação e apetite para buscar o gol do começo ao fim, o que explica a excelente campanha. Contra esse Remo ofensivo até a medula é que o Águia terá que buscar a reabilitação da fragorosa derrota para o Independente, de virada, no meio da semana. Com desfalques sérios na defesa (Edkléber) e no meio-campo (Vítor Ferraz e Tiago Marabá), João Galvão terá que quebrar a cabeça para tornar o time equilibrado e forte para evitar novo vexame.   
 
 
Achei curioso – e procedente – o diagnóstico de um torcedor são-paulino empedernido sobre a atual fase insossa do time comandado por Ricardo Gomes. Lentidão. Nem mais, nem menos. Duas derrotas consecutivas acenderam os sinais de alerta na exigente torcida tricolor e confirmaram os piores temores desse atento observador (mesmo à distância) da cena tricolor. Segundo ele, jogadores lentos – como Miranda, Hernanes, Jorge Vagner e Washington – tornam o S. Paulo de hoje um time paquidérmico e moroso, fácil de marcar. Talvez seja o mais pesado time brasileiro dos que disputam a Libertadores, o que pode diminuir seriamente suas possibilidades.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 28)

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