Os tempos mudaram, para pior. Em outras épocas, a semana do Re-Pa era especial. A atenção geral estava voltada para os treinamentos dos times. O torcedor vivia crescente expectativa pela hora do jogo. Desta vez, a coisa se resume a um duelo enfadonho e confuso, disputado nos gabinetes por autoridades engravatadas que nunca chutaram uma bola na vida.
Nada mais tão anti-futebol. Depois de saber desde anteontem que o clássico estava suspenso, a torcida foi dormir ontem à noite com a notícia de que o Re-Pa está mantido para o Mangueirão, graças a uma decisão da juíza Sandra Aragão Klautau, acolhendo ação da Procuradoria Geral do Estado.
Mesmo assim, a incerteza paira no ar. Depois de tantas reviravoltas, não há segurança quanto à confirmação da partida, pois o Ministério Público Estadual já avisou que vai recorrer da decisão.
O pior é que perdeu-se toda a semana de preparativos, um dos prazeres de quem acompanha o maior clássico do Norte. Ninguém prestou atenção nos treinos ou nas estratégias dos técnicos, deixados em segundo plano diante da escaramuça em torno de TAC’s e complexos instrumentos jurídicos.
A indefinição também terá influência sobre a arrecadação, item que mais preocupa os dirigentes dos dois endividados clubes. Em conseqüência direta disso, o clássico certamente não terá o público previsto antes do imbróglio – em torno de 40 mil pagantes.
Não há espetáculo que resista a tanta propaganda negativa. O bombardeio diário de notícias confusas sobre insegurança e problemas no estádio assustou muita gente em relação ao Mangueirão. Só mesmo aqueles muito apaixonados irão prestigiar o confronto tão esperado. Uma pena.
 
 
O Remo completa hoje 105 anos de fundação. Uma missa em ação de graças será celebrada na Basílica, às 18h. Em seguida, na sede, o Condel promove reunião comemorativa.
 
 
Transcrevo comentário do leitor João Lopes Junior: “Duvido que haja interesse dos dirigentes de Remo e Paissandu em respeitar os direitos do torcedor e ainda a cada um dos artigos estabelecidos em muitas leis, federais e estaduais, e não apenas aqueles do Estatuto do Torcedor, como também os trabalhistas e outros… Antigamente, havia a padaria da esquina e o velho padeiro português, o mesmo do trato grosseiro, das unhas sujas, das contas em papel de enrolar pão e balança bem abaixo do ventilador. Este é o exemplo mais próximo do usual atendimento ao cliente que se vê nos estádios. Pague para entrar e, para sair, que Deus te proteja. (…) O que ocorre é que cartolas acabam por fazer por onde perder dinheiro e credibilidade. E pior, eles estão perdendo é o futebol paraense. Torcedores azulinos e bicolores já formam uma só torcida, a da sobrevivência do futebol paraense face ao mais completo despreparo dos cartolas. O MPE tem razão. A Vigilância Sanitária, os bombeiros, a PM, também… E, ia esquecendo, este sempre tem razão, o cliente!”. Na mosca.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 5)

4 respostas a “Coluna: Uma semana perdida”

  1. Avatar de Tavernard Neves
    Tavernard Neves

    Gerson. Os que me conhecem sabem do equilibrio e moderação que procuro eivar minhas opiniões e por isso estou “a vontade para discordar da ameaça e do risco de não termos domingo o REPA.
    Não acredito que a Promotora venha a recorrer. Se o fizer, não haverá tempo hábil. E se houver com certeza o julgador já ouviu as vozes das ruas. Ou seja o sentimento popular é pela realização do jogo. Não nos cabe a discussão da matéria à luz do Direito embora entendamos que Direito é acima de tudo bom SENSO.

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    1. Avatar de Cezar Falconi
      Cezar Falconi

      Tavernard Neves,
      Me permita concordar com as suas observações.
      A ausência do velho e sempre recomendável BOM SENSO foi a causa de mais essa vergonha que o nosso futebol teve que conviver nesses dias.

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  2. Avatar de Acácio
    Acácio

    Para quem já viu “boi voar”, não duvido de nada.

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  3. Avatar de jorge santos
    jorge santos

    Tudo e possivel, mas acredito que o MPE nao va recorrer, porque deu a entender que so vetou o Mangueirao por descumprimento do TAC e nao por questoes de seguranca. E ainda nesse aspecto, a decisao judicial limitou a capacidade do estadio. Dai que nao estranho a liberacao do Baenao e a in terdicao da Curuzu: o Remo cumpriu o TAC e o Papao nao. TAC e uma coisa e seguranca e outra, esta pode ou nao estar incluida naquela. Exemplo disso e a tal brigada de incendio, que nao significa que o local seja inseguro, mas a ausencia significa que, se for seguro, ele podera se tornar inseguro, no caso de eventual sinistro. Catraca eletronica, cameras e outros itens tambem.

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