A musa das sextas-feiras

Musa do diretor polonês de nome enrolado Krzysztof Kielowski, Irène Jacob brilhou particularmente em dois filmes dele. O primeiro, “A Dupla Vida de Veronique”, de 1991. O segundo, “A Fraternidade é Vermelha”, de 1994 com Jean-Louis Trintignant, foi o mais popular. A história é meio absurda, mas La Jacob compensa as complicações temáticas do polaco: uma modelo (Jacob) atropela o cão de um juiz aposentado (Trintignant), que tem o hábito de ouvir conversas telefônicas de outras pessoas. Este detalhe é o ponto de partida para uma singular amizade entre ambos. A iluminação usada por Kielowski no filme beneficia particularmente a beleza em tons clássicos de Jacob, atriz nascida em 15 julho 1966 na cidade francesa de Suresnes. 

O começo da carreira foi em “Adeus, Meninos”, de Louis Malle, onde fez pequena aparição. Jacob filmou também, em papel secundário, “O Jardim Secreto”, de Agnieszka Holland, da fracassada produtora de Francis Ford Coppola. Pouco afeita a badalações como cabe às grandes estrelas, ela andava meio sumida do noticiário, dedicando-se ao teatro e a filmes de diretores franceses, sem repercussão internacional.

Até que, não mais que de repente, no ano passado, veio ao Rio filmar uma comédia (com previsão de lançamento para abril de 2010) dirigida por Jonathan Nossiter, com Matt Dillon, Bill Pullman e Charlotte Rampling no elenco.

3 comentários em “A musa das sextas-feiras

  1. Se a memória não me falha, essa exuberante escultura móvel trabalhou em toda a trilogia Kieslowskiana- A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A fraternidade é Vermelha.
    No primeiro ela é um translumbramento, assumindo a tarefa de concluir a sinfonia iniciada pelo marido, morto junto com a filha do casal em um acidente automobilístico. Superado o trauma da perda, ela ressurge portentosa para concluir a obra e, com uma atuação admirável, protagoniza um dos mais belos finais de filme da história do cinema. Congratulações efusivas pela felicidade na escolha da musa.

    1. Não precisa agradecer, meu caro Jorge. Você foi preciso, cirúrgico e certeiro nessa verdadeira ode à Irène Jacob, magnífico exemplar do melhor que a velha França (de Fanny Ardant, Brigitte Bardot e Juliette Binoche) pode oferecer ao mundo. Vendo Jacob em cena, capaz de transmitir emoções num simples olhar, fica difícil entender como o cinemão consagra nulidades como Cameron Diaz, Sandra Bullock e até mesmo Julia Roberts.

  2. Bem lembrado. O que eu falei de Irène Jacob, no caso da Liberdade é Azul, vale para Juliette Binoche. No mais, precisa a comparação e a conclusão. Abaixo a cegueira e a Sessão da Tarde

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