A importância de Dona Lindu

Por Sonia Rodrigues (do blog Inclusão Digital)

Para quem, como eu, descende uma avó operária espanhola, por parte de mãe e, por parte de pai, de uma matriarca pernambucana, o filme Lula, filho do Brasil comove e faz chorar. Porque é a história de mulheres que não desistem, que lutam pelos filhos até não poder mais, que ensinam aos filhos a teimar. Mulheres que não aceitam que os filhos sejam excluídos.

Uma questão importante no filme é o peso da sorte e das circunstâncias na vida das pessoas. Se Jaime, o irmão mais velho, não tomasse a decisão de trocar o texto da carta que o pai enviou à mãe, onde Lula estaria, hoje? O Brasil teria um presidente de formação operária se a família não tivesse vindo para São Paulo, se ficasse num lugar onde o acesso à escola pública fosse praticamente impossível e não existisse o Senai?

Isso sem contar a decisão de Dona Lindu de pular o círculo de giz, sair da armadilha, partir com os filhos para longe do marido que batia neles e ia começar a bater nela. Outra coisa que me chamou a atenção: o peso do empreendedorismo na formação familiar. Muitas pessoas, erroneamente, consideram que empreendedorismo diz respeito apenas a empresas, plano de negócio, mundo do trabalho. Empreendedorismo  é caminho para transformar idéias em empresas, mas é também caminho para indivíduos, famílias, grupos. Algumas famílias, não sei por que, têm vários membros capazes de tomar iniciativas para sobreviver, realizar sonhos. Outras não têm nenhum.

Repito uma idéia que me é cara: numa sociedade como a nossa, a vida é sorte e circunstâncias. Porque não existe oferecimento generoso de oportunidades. Não é só porque os  governates não fazem o suficiente. É por que nós temos uma cultura de exclusão, que não se guia pelo impulso solidário. Alguns dirão que o filme é ufanista. Não sei. O efeito em mim foi aumentar o meu orgulho por ser brasileira. Reforçou também o meu orgulho das mulheres brasileiras que teimam em criar os filhos no trabalho, em manter os filhos unidos no esforço de sobreviver.

Eu diria que Dona Lindu era o máximo e que o talento do filho, hoje presidente do Brasil, foi mais influenciado pelo empreendedorismo dela do que por qualquer outra circunstância política. Mas eu sou uma defensora ferrenha da importância da mãe no sucesso dos filhos. Da importância da atuação da mãe para a não exclusão dos filhos. Além da história: a escolha e preparação do elenco de crianças está muito boa e Gloria Pires, como D. Lindu, e Rui Ricado Diaz como Lula estão  muito bem.

10 comentários em “A importância de Dona Lindu

  1. Égua gerson a campanha eleitoral ja começou/E ja esta permitido em cinema?A Dilma deve esta rindo para as paredes…Más acho difícil a cara de ET levar essa.

    1. Diabo é quem duvida, caro Juca. Já vi governos elegerem postes. A diferença do Zé Pedágio pra ela nas pesquisas já foi maior. Vem baixando a cada nova pesquisa.

  2. Essa disputa vai ser interessante. Dois políticos nota zero em carisma. Duas figuras feias de doer. Um é tão intressante quanto um hidrante. A outra depois de tanto botox ficou sem expressão facial.
    O horário político, pela primeira vez, deveria ser indicado para maiores de 18 anos.
    2010 vai ser dose.
    * Esse filme vai entrar na minha extensa categoria “não vi e não gostei”. A farra que está sendo feita com esse filme é vergonhosa. Não tem financiamento público, entretanto o incentivo via CUT, sindicatos e organizações de classe compensa. É tudo dinheiro do trabalhador, de qualquer forma.
    Mesmo assim acho que a Dilma não leva.
    Caro Gerson, quanto à diminuição da vantagem entre os dois canditados, isso é natural. Dilma anda pendurada no colo do filho do Brasil (?). Conferência sobre o clima? Lá está ela. Copa 2014? Idem. Rio-2016? Também. Assim, até eu no alto dos meu mais de 100 kgs…
    Contudo, na hora de caminhar com as próprias pernas é que veremos a real Dilma. E, acredito, não é das melhores.
    Como dizem: “a conferir”.
    ** Esse negócio de propaganda estatal em cinema me lembra o Estado Novo e o tal reich (o 3°). Mera coincidência.

  3. Caro Gerson;
    Tudo na vida gira entorno de uma escolha. Apesar de muitos acreditarem ao contrário.
    As influências existem, mas, a decisão é pessoal. Por exemplo: um filho de viciado, só será um viciado se, ele, escolher e decidir ser.
    O que o irmão de Lula fez, foi mostrar que, embora os genes e o ambiente tenham efeito sobre nós, ainda somos livres para fazer nossas próprias escolhas.
    Tenham todos um excelente dia!

  4. Eu já votei no cara, agora é na coroa!… Quem trabalha no setor energético brasileiro sabe o quanto a Dilma é fera. Encontrou um estado de terra arrasada e transformou-o, talvez, no mais robusto do mundo. Sem nenhuma demissão. Isto se chama competência.

    1. Sem dúvida, Sérgio.
      O meu voto, ela, já pode também contabilizar como mais um para a “guerra” que se aproxima.
      Mas, só valerá apena a sua vitória se no meu amado Estado do Pará, surgisse e ganhasse uma pessoa com espirito empreendedor e competente, para levá-lo às melhorias tão aguardadas pelo nosso povo.

  5. Todos sao ruins. A diferenca e neoliberais versus nao neoliberais. Quem defende a venda do Estado e o entreguismo, vota Serra, portanto a unica diferenca esta na conducao da economia – mais nada. Lula nao deixara sucessores nas proximas decadas. Ontem li num jornal daqui um intelectualoide dizendo que o Lula teve sorte. Nao sei como ele nao ganha na megasena, pois vai ter sorte assim sei la onde. Se a Dilma tiver um grao da ‘sorte’ do Lula fara um governo esplendido. ‘Sorte’ que eu duvido que o Serra tera, a exemplo do tucanato paraense, do DEM e do FHC.

  6. Caro Cezar, concordo inteiramente com você. Aqui no Pará, as opções que temos para governo estadual, deputados e senadores, assim como foi para o último pleito de vereadores e prefeituras, a coisa está caminhando para uma situação calamitosa. Pior, não vislumbro possibilidade de melhoras…

  7. Gerson, por falar em mãe, quem ficou feliz da vida foi a genitora do vencedor da Copa America de ciclismo moradora de Apeu em Castanhal..seria ele orgulho do Pará ? rsrsr..

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