Coluna: As verdades do clássico

Sem maiores atrativos no aspecto técnico, havia pelo menos uma certeza em relação ao clássico: o perigo que representava para os treinadores, cujos empregos sempre ficam ameaçados em caso de derrota para o maior rival. Com o revés do Paissandu, essa premissa acabou confirmada. O técnico Nazareno Silva foi despachado logo depois do jogo. Não se pode afirmar com certeza, mas é provável que, se o derrotado fosse o Remo, Sinomar Naves tivesse a mesma sorte.

Remistas e bicolores são, acima de tudo, previsíveis. Isso explica muita coisa quanto à forma de lidar com treinadores. E ajuda a entender, também, porque alguns jogos, mesmo sem valer pontuação, acabam se revestindo de súbita importância para os torcedores.

O foguetório que se ouviu na cidade deu a impressão de que estava em disputa uma taça ou turno de campeonato. A rivalidade, cultivada há quase um século, desafia o pensamento lógico e fala bem mais alto do que a análise racional dos fatos.

Por conta desses arroubos emocionais, é provável que muitos dos críticos de Sinomar passem a enxergar no atual time remista, depois do triunfo de ontem, uma boa aposta para o Parazão. A vitória, nesses casos, tem efeito enganoso. Mascara limitações e supervaloriza qualidades.

Nada, porém, que seja capaz de obscurecer algumas verdades do embate de ontem. A primeira, mais ou menos óbvia, indica que o Paissandu precisa de completa reformulação para adquirir feições competitivas. A defesa, sobretudo, carece de reparos urgentíssimos. O Remo, em escala menor, também precisa de ajustes no meio-campo e no ataque. 

Outra: Hellinton, normalmente desacreditado pelos torcedores e pelos analistas – entre os quais este escriba baionense – credencia-se como boa alternativa para o ataque remista. Seu comportamento no Re-Pa foi digno de registro, com participação marcante em todos os lances ofensivos da equipe, culminando no belíssimo gol com direito a finta desconcertante no goleiro Naldo. Técnico e seguro, o beque Raul foi outra boa presença entre os jovens valores azulinos. 

Uma terceira verdade: dos estreantes em Re-Pa, Samir foi o que mais se destacou. Fabrício não decepcionou. Danilo é apenas um volante mediano. No Paissandu, o goleiro Naldo falhou no segundo gol. Eanes (no primeiro tempo) e Tácio foram os mais efetivos. Muito pouco para a quantidade de gente que debutou no grande clássico.

Com vitória categórica em Tucuruí, Cametá garantiu a classificação à fase principal do campeonato. Juliano César, artilheiro desta etapa, confirma tudo o que já se sabia dele. E torna ainda mais esquisito o fato de Remo e Paissandu não conseguirem contratá-lo.

A Rádio Clube dá o pontapé inicial do projeto Copa 2010, com lançamento festivo hoje, às 19h, no Hilton Hotel. Guerreiro comanda a festa. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO, edição de segunda-feira, 14)

22 comentários em “Coluna: As verdades do clássico

  1. Você está supervalorizando o esquadrão remista, Gérson. Este time do Remo vinha de dois empates consecutivos e melancólicos, contra as poderosas seleções de Breves e Afuá. Todos os atletas que você aponta como destaques, ou aproveitáveis, nada fizeram nestes dois amistosos… O Paysandu é que está abaixo da crítica, inteiramente desgovernado e dirigido por um presidente louco.

    O Remo, com este time, não é candidato a nada, nem à vaga na quarta divisão. Basta dizer que um de seus maiores “astros”, o goleiro pé-frio Adriano, acaba de perder mais uma: amargou sonoros 3 x 0 no sábado e perdeu o título amapaense. Voltou pra cá no domingo e todos o tratam como estrela e “paredão”… A que ponto chegamos!

    Este goleiro Adriano é um caso à parte. Está sempre em times fortes, que disputam títulos e sempre perde. Se não for um seca-pimenteira, certamente é um desagregador. Uma sequência de derrotas como a que ele carrega não pode ser casual (Remo – 2 anos, Águia, Parauapebas, Santana) …

    O Paysandu que se cuide. Do jeito que está, vai acabar fazendo companhia ao rival na 4ª divisão…

    1. Leia com atenção e isenção, Cleiton. Não supervalorizei nada, pelo contrário. Coloco as coisas na perspectiva correta. Repare que ressalto o absurdo do foguetório por um jogo que nada valia, embora ressalvando que o resultado confirmou o que já se sabia: a derrota derrubaria técnico e até arrisco o palpite de que, se o revés fosse do Remo, o Sinomar também dançaria. Elogiei os jogadores Raul e Hellinton porque realmente jogaram bem, assim como o Eanes pelo lado do Papão.

  2. Gerson, esse foguetório a que vc se refere, se foi aqui em Val de Cans, foi minha familia(que é toda Paysandu) e parte da minha vizinhança(que também é toda do Papão), que soltou.Fizeram até festa pra derrota do Papão e, quando o Dinho anunciou a saída do Nasareno, soltaram mais. Poxa, que inveja. E saber que era eu pra estar alegre e, o Sinomar o Demitido. Deixa pra próxima. Ei Amaro, vou te dar um Conselho: Marca dois jogos amistosos contra o Cametá e o Independente, pra acabar esse sofrimento azulino.Por favor.

  3. Bom dia Gerson Nogueira e Amigos do Blog;

    Menos mal, que desta feita, a dupla LOURO e LOP, agiu de imediato, demitindo logo essa incompetente comissão técnica, sempre me reportei ao Nasareno, como técnico de futebol de botão(celotex), lamentavelmente, não estava enganado; no entanto, não eximirei de responsabilidade pelo vexame, a ATUAL dupla de dirigentes do BICOLOR AMAZÔNICO.
    Tudo bem que era amistoso, papo furado! não existe amistoso em RE x PA, esse clássico, sempre foi e sempre será uma guerra, de valores, tais quais: Superação, Valorização Regional, Dignidade, Honradez, Raça, Vibração, Auto Estima e Amor Próprio(razão do foguetório de ontem Gerson Nogueira e Cláudio Santos) coisa que sobrou do lado do vitorioso adversário e faltou no grupo que nos representou, não que eles não possuam essas características, pois todo o ser humano as tem; é que sendo importados como o são, não tem essa sensibilidade nem essa RESPONSABILIDADE, que nós desta terra temos.
    Considero que falta HUMILDADE, aos dirigentes coveiros, do futebol Paraense, em reconhecer erros e DIGNIDADE na hora corrigí-los, haja vista, que, jamais foi concedido a um Técnico Regional, a estrutura e a carrada de atletas que são fornecidos a esses aventureiros IMPORTADOS, os resultados são previsíveis e cantados em prosa e verso “JÁ VÍ ESSE FILME”.
    Só os iluminados dirigentes não o assistiram.
    A minha satisfação é que, como já ví esse filme antes, eles ganham amistosos e nós os TÍTULOS.

  4. Se existe uma alegria para quem é azulino é saber que existe uma coisa chamada paissandu. Esse time é muito freguês!… Acho que já passa de 50 a diferença de vitórias. Obrigado por existir, genérico bicolor!.

  5. Mudando de pau pra cavaco, Remoçada e Terror agiram soltas ontem. Fui ao estádio e o porradau comeu solto nas arquibancadas, e agora eu pergunto: pq barrar cerveja em campo e permitem a entrada desses arruaceiros?

  6. É meu caro amigo Gerson, eu já vi este filme, acabamos o ano como começamos, o sinal de alerta foi acesso, ou tomem providências, ou não sei não, todo ano é este Deus nós acuda, treinador que naõ se sabe da onde veio, sem now haw, time sem expressão alguma, só vem aqui pra não ficar desempregado, presidente com soberba, e continuamos a amrgar uma 3° divisão, pobre futebol paraense, principalmente do meu Paysandu, outrora cheio de glórias.

  7. Torcida azulina não vamos nos empolgar,até antes do RexPa esse time só empatava e era considerado por todos como um time limitado,não é porque ganhou o clássico que já pode ser considerado o melhor time do Pará.
    A diretoria precisa contratar dois atacantes,um para jogar com o Hellinton e outro para servir como boa opção para o banco.O time precisa também de um meia direita e um meia esquerda.
    Se a diretoria do remo fosse mais esperta, parava de chorar miséria e fazia pelo menos treis contratações de peso para animar o torcedor azulino. Desconfio que quem perdeu ontem saiu ganhando.

  8. Gerson,
    Nada a dizer quanto às três verdades que você repercute, a não ser reconhecê-las como tal. Mas, quanto à alegria dos azulinos, esta não me parece algo irracional. Antes, a alegria pela vitória cabe perfeitamente nos limites da razão, assim como o caráter superlativo da alegria, já que o dilatado triunfo foi contra o maior rival. Também não me parece que subsista o obscurecimento quanto a realidade dos fatos. O elenco e o time são limitados, há muito o que trabalhar e isso todo o torcedor que realmente freqüenta o Fenômeno Azul tem pleno conhecimento. Aliás, até mesmo aqueles torcedores de rádio, de melhores momentos etc estão bem informados a tal respeito. Afinal, o jornalismo esportivo tem deixado bem clara a precariedade técnica do Leão. Pra você ver um bom exemplo, até o Caxiado, que de um modo geral é tão dado a hiperbolizar as virtudes e minimizar os defeitos dos jogadores azulinos (quem assiste aos jogos no estádio e ao mesmo tempo ouve o radinho sabe disso), ontem, ao encerramento da cobertura, antes de conversar com o Leão, esteve discretíssimo. Há uma óbvia quarta verdade: o que estava em jogo ali era alguma coisa muito maior que uma taça, um turno, um campeonato inteiro. É algo que não se pode traduzir pelo dicionário. É algo bem próximo daquilo que disse, agora há pouco, o Silas Negrão, mas que vai além. Valeu, LEÃO!!!

  9. É impressionante como a mídia paraense tem desapreço pelo Clube do Remo. O pessoal do grupo Liberal eu até entendo, já que são uns baba-ovos dos patrões alvi-azuis. Mas o pessoal do grupo RBA é uma grande decepção. Claro que o Remo está numa fase terrível. Talvez a pior crise da sua história. O torcedor do Clube do Remo, inclusive, históricamente, tem a fama de ser mais cético em relação ao seu clube do que os bicolores. A galera azulina não deseja enaltecimentos, até porque não há motivos, mas pelo menos que reconheça que o rival é ainda pior. E vitória em cima do rival é motivo de alegria, sim! Se tivesse havido o inverso, tenho certeza que o Gerson não acharia que o foguetório era desnecessário.

  10. Gerson, quando o Remo foi campeão 100%, ficaram comemorando e, esqueceram que o time precisava de um bom Técnico e reforços, deu no que deu. Quando o Remo foi campeão em 2005, vibraram muito e, esqueceram do planejamento para 2006, começando por demitir seu grande Técnico. Deu no que deu. As lições estão aí, só que tem aqueles que não conseguem enxergar. Penso que não sou obrigado a ser cego, como os outros. Quando um remista disser a um bicolor que o Remo deu de 3×1, num jogo amistoso, tem que ficar preparado, pois o mesmo poderá dizer: Sou Campeão dos Campeões, Bi-Brasileiro, Ganhei o Boca dentro do la Bombonera e, ainda estou na série C. E VOCÊS.?
    – Desculpe, mas penso entender demais de futebol, pra me alegrar com tão pequena coisa. Uma coisa que me alegraria e muito, seria a troca dessa diretoria de futebol, pelo Tonhão e, a contratação de um Bom Técnico( se bem que, a 2ª, seria consequência da 1ª, com certeza).

    1. Fabiano Abdoral;
      Continuem ganhando os amistosos e os Clássicos, que eu me contento em ver o BICOLOR AMAZÔNICO, ganhando os TÍTULOS, VALEU?????
      ou a tua estatística diz o contrário?

  11. Pra mim não tem essa de comemorar derrota do Paysandu. Não faria isso nem se perdesse amistoso de jogo de botão. Quem soltou fogos, deveria estar é muito amargurado com o vexame.

  12. Que títulos que o BICOLOR PANTANAL tá ganhando!

    É brincadeira isso se despediram da serie c com uma goleada de 6×2 e naum ganham nem do selecionado dos caranguejeiros.

    Faça mil favores!!

    REMO 3 X 1BICOLOR PANTANAL como sempre levando peia!

  13. O Cláudio é muito vaselina, isso sim! Acho que só estará feliz quando o Edson Gaúcho retornar a Belém, pra Remo ou Paissandu…

  14. É verdade Soeiro, mas não só Edson Gaucho, mas também: Givanildo, PC Gusmão, Roberval Davino… . Não poderia nunca me sentir feliz, com: Sinomar, Charles Guerreiro, Valtinho, Samuel, Lucena(arrrg),…. . Seria ir contra o que penso entender de Futebol para Remo e Paysandu.

  15. Francamente, Cláudio… Dos técnicos que você citou como solução, só concordo com você em relação ao Givanildo e ao Roberval Davino. Ocorre que atualmente nenhum dos dois times têm condições de trazer algum deles para disputar um campeonato deficitário como será o Parazão. PC Gusmão é caro e incompetente e o Edson Gaúcho é tão bom que está desempregado desde que saiu daqui. Nenhum time o quer, por que será??. A verdade nua e crua é que tanto Remo quanto Paissandu se atolaram em dívidas trazendo de fora técnicos e jogadores caros e, por incompetência e/ou gatunagem, não souberam administrar o dinheiro que entrou. Falando somente do Remo, todos esses pilantras que passaram ou ainda estão no clube entregaram de mão beijada a empresários verdadeiras fortunas em jogadores formados aqui e o clube só recebeu migalhas (quando recebeu)… Quer lembrar? Welington Saci, Rogerinho, Balão, Vélber, Rogério Belém, Etc. O pior é que ainda tem remista que defende Tonhão, Ubirajara Salgado, Sérgio cabeça e outros incompetentes. Esse bando de vadios deveria ser banido do Remo. E deveriam levar junto este tucano pilantra que eles elegeram.

  16. Soeiro, temos algumas coisas em comum, torcemos pelo mesmo time e, queremos o bem, não só dele, mas do futebol paraense, por isso que a discussão, é sempre boa. Atente pra uma coisa, sem usar o Coração: Nos últimos 15 anos, Remo e Paysandu, se atolaram mais em dívidas, por incompetência, na hora de contratar bons Treinadores. Não conheço um Grande treinador, que tenha passado, nesses anos, que tenha atolado Remo e Paysandu em Dívidas. Procure perceber, que isso acontece, justamente, quando são contratados Técnicos de procedência duvidosa e Locais, para Remo e Paysandu. Pense nisso. O erro no Planejamento na formação da equipe, faz com que as dívidas aumentem. Grande abraço.

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