Pensata: Palmeiras cria cortina de fumaça

Por Mauro Cezar Pereira

Passadas 48 horas da peleja Fluminense 1 x 0 Palmeiras, o tema ainda domina o noticiário. O erro de Carlos Eugênio Simon ao anular um gol de Obina no quente domingo no Maracanã parece ter sido a única falha de arbitragem de todo o Campeonato Brasileiro, tamanho o barulho feito pelos palmeirenses, especialmente o presidente do clube. Um exagero.

Poderíamos aqui elaborar uma lista de jogos nos quais o Palmeiras foi prejudicado e beneficiado pelo apito, mas não vamos nos dar a tal trabalho. Só alguém sem memória alguma não seria capaz de lembrar de partidas nas quais isso aconteceu, até porque a chiadeira foi semelhante, no sentido inverso, após a derrota do Cruzeiro para os próprios alviverdes.

Fato é que no segundo turno o Palmeiras fez apenas 21 pontos em 15 cotejos, enquanto os cruzeirenses acumularam 32, o Flamengo 30, o São Paulo 26 e o Atlético Mineiro 24. Também é indiscutível que no último mês, em seis rodadas, dos 18 pontos em jogo os palmeirenses abocanharam apenas quatro, marca, no período, superior apenas à do Goiás, com dois.

Também é evidente que o repertório ofensivo de jogadas do time de Muricy Ramalho é pobre. E até uma criança de 3 anos sabe que, ao contratar o técnico tricampeão nacional, o clube tinha como meta a reconquista do título brasileiro. Claro que ao perder a liderança, que foi sua por 17 rodadas, o Palmeiras se vê em perigo. Ainda mais por ver o São Paulo em primeiro.

A gritaria interminável pós-erro de Simon funciona como cortina de fumaça, disfarça, minimiza, joga para baixo do tapete as más atuações da equipe. Um time que esteve cinco pontos à frente do segundo colocado e agora se vê atrás dos são-paulinos e um pontinho à frente dos rubro-negros. Pior, ambos os rivais têm atuado melhor do que o elenco do Palestra Itália.

Como estratégia para desviar o assunto, o “foco”, como dizem hoje em dia, pode ser interessante. Resta saber se a barulheira palmeirense será o bastante para que, no Centro de Treinamento, o time de Muricy corrija seus defeitos. Afinal, o técnico adora dizer que “aqui é trabalho”. Não duvido. Mas o trabalho tem que ser bem feito, caso contrário, pode virar fracasso.

2 comentários em “Pensata: Palmeiras cria cortina de fumaça

  1. Concordo plenamente.
    O Palmeiras não está sendo prejudicado por arbitragem, mas sim pela pobreza técnica do elenco e por um treinador que só é vencedor em times de boa qualidade técnica tipo Internacional e São paulo.
    Essa pedra foi cantada na mudança e para contrariar alguns, confirma-se aquilo que é claro e cristalino: treinador não ganha título.
    Agora imaginem se o Palmeiras passasse pela metade do que já passou o Botafogo, nas mãos dos apitos amigos.

  2. Ao que parece a cortina de fumaça tem objetivos relacionados não só com o fantasma de uma cada vez menos eventual perda do título, decorrente das reiteradas péssimas atuações; como também com a enorme insatisfação de vários setores dentro do próprio clube quanto ao enorme individamento que o clube teria contraído como departamento de futebol.

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