Tribuna do torcedor

Por Cezar Falconi

Com a razão no presente e os olhos no futuro!

Não sei quantas vezes participei de uma roda de bate-papo compostas por azulinos e bicolores, mas foram muitas. Mesmo assim, nenhuma roda de bate-papo era diferente da outra, o assunto que imperava era e ainda é, a atual pindaíba dominante de Clube do Remo e Paysandu.

Hoje, se há algum consenso nas duas maiores torcidas paraense, ele se refere ao infortúnio que se instalou sobre Leão Azul e Paysandu, fruto da ingerência nos seus departamentos por pessoas que carregam nas suas características intrínsecas a síndrome do “algo por nada”, que em ultima análise tem como lema: “Eu primeiro”. E a pergunta é: Não foi ou não é isso que acontece dentro dos Titãs? Quando eles saem o que fica para comemorarmos? Nada!

O cenário é tão degradante, que me remete a célebre frase “Independência ou Morte”. A priori, soa como um exagero ao extremo, mas, uma análise ainda que seja despretensiosa é suficiente para aclarar que não se trata de exagero, mas de constatação histórica. Infelizmente, aqueles que ocuparam a presidência azulina e bicolor não tinham habilidade de dar a importância necessária à grandeza do futebol paraense e de quebra, pouca ou nenhuma importância deram ao sentimento das respectivas torcidas que amam com paixão seus clubes.

Com o sinal vermelho ofuscando novos horizontes, o veredicto é o seguinte: ou se libertam desse ambiente anóxico em que se encontram ou morrerão asfixiados nele. Para tanto, é necessário que validem a elaboração de um plano onde deverá constar obrigatoriamente: objetivos, ações de curto, médio e longo prazo. E executá-lo, garantindo sua integridade, neste caso, eu recomendaria um poderoso Método de Gestão que se chama: PDCA, eu o vejo como o caminho para se atingir Metas planejadas.

Certa vez, nos bastidores de um congresso, um consultor me disse: “Uma boa idéia vale um real. O plano para implementá-la vale um milhão”. Sei que, conclusivamente, eu não posso comparar um clube de futebol com uma indústria, mas, a minha experiência em alguns grupos industriais multinacionais, me dá a certeza de que, Clube do Remo e Paysandu enquanto instituições, não podem perdurar às margens das demais instituições de negócio. Em razão disso, os atuais presidentes devem se sensibilizar e compreender que a presidência de um clube deve ser assumida interiormente antes que possa ser reconhecida externamente. Não devem esperar até que se tenha o controle da situação. Ou seja, não se espera até que o céu fique sem nuvens. AK e LOP, para provocar impactos positivos nas duas torcidas com suas atitudes e ações, terão que pegar a tela da vida de Remo e Paysandu respectivamente e pintar com seus próprios “sangues”, uma mensagem grande e brilhante para as duas apaixonadas torcidas.

Espero que esse oceano de insensatez que entorpece Clube do Remo e Paysandu seja expurgado com um alto grau de urgência, por aqueles que estão lá. Se, é verdade que a esperança é a ultima que morre, então, eu, como torcedor do Leão acredito que AK tenha conhecimento e talvez alguma habilidade de planejar. E que, no entanto, a cultura torpe enraizada há décadas em seus departamentos gerenciais somando-se aos conflitos do dia-dia e a gigantesca pressão por resultados de curtíssimo prazo, tenha transformado o atual “gestor” em “bombeiro”, exímio “apagador de incêndio”. Por outro lado, se AK e LOP sabem planejar, é óbvio, que em suas linhas de ação pré-definida deveriam constar às contramedidas para o foco incendiário, não sendo, portanto, necessário que se desvie do objetivo maior.

Diferente de indústrias, Clube do Remo e Paysandu têm uma gigantesca clientela, cuja fidelidade é imutável, mesmo diante dos piores resultados. Então, porque não fazer do futebol azulino e bicolor um grande negócio que atenda a todos? A verdade, é que a profilaxia para o infortúnio azulino e bicolor é: colocar nas presidências, o melhor gerente e um excelente líder. Muitos pensam se tratar da mesma coisa, não é – gerência é o que fazemos (planejamento, orçamento, controle e etc.), liderança é quem somos e, não é sinônimo de gerência, mas de influência. Liderar é servir, portanto, temos que ter como presidente alguém que queira colocar nossos times sempre na frente de seus desejos pessoais, afim de que as Metas planejadas sejam atingidas, diferente disso é tentar, tentar, tentar e morrer na praia.

7 comentários em “Tribuna do torcedor

  1. Cezar, a charge de hj do ATorres mostra pq os ”grandes” Remo e Paissandu perderam espaço midiatico em 2009 para o Sao Raimundo, independente do numero de titulos, torcedores, etc…eles estão mortos, financeiramente escrevendo e quem um dia jamais imaginou que o nosso futebol fosse ficar parecido Maranhao, Macapá, Manaus, pois pra mim tá quase lá…

    1. É verdade. O problema, meu bom amigo, é que quando a gente toca nesse assunto logo aparece uma legião de alienados e obtusos entendendo que é perseguição, que a imprensa prejudica a dupla Re-Pa, etc. etc. Recusam-se a ver o óbvio ululante, que o problema está na gestão do futebol. Nossos clubes têm dirigentes amadores, gerentes que não gerenciam, apaniguados pagos para bater palma para a cartolagem sem juízo. No Remo, um dirigente da Remoçada foi contratado (com salário) para ser gerente. Sua missão deve ser unicamente a de conseguir aplausos da facção para o presidente. Há um ex-secretário da Fazenda ganhando R$ 10 mil mensais, não se sabe para fazer o quê. E ninguém gosta quando comparamos a dupla Re-Pa com Águia e S. Raimundo. Ora, ora. São coisas que vão cansando a beleza, sinceramente.

      1. Gerson,
        É no mínimo indiscreto, mas não resisto: suas fontes são firmes a respeito destas “contratações administrativas”? É porque fico avaliando: ao final de 12 meses, só com um destes gerentes ( o ex da Fazenda) já vão R$ 120.000, uma exorbitante parcela da que me parece ser a mais sólida fonte de recursos do clube que é o patrocícinio do Governo do Estado. E não é só: quantos são os gerentes ao todo? A faixa salarial é toda nessa base? Você tem estas informações? Acho que este particular do seu escrito merece algum aprofundamento.

  2. Gerson, a imprensa não fica de fora dessa, não! Tem muitos obtusos comentando futebol no Pará. Gente que já morreu e nem se deu conta!

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