Coluna: Sobre hipocrisia e exagero

O anedotário do futebol é rico em casos de “malas”, agrados, subornos, doping financeiro. Sempre que um campeonato se aproxima do final e os interesses em jogo ficam mais expostos, surgem as suspeitas e boatarias sobre supostos esquemas beneficiando um ou mais clubes. Quase sempre, nada fica provado e logo cai no esquecimento.
No ano passado, às vésperas da final, o Brasileiro da Série A passou pelo desgaste do episódio dos ingressos do show da Madonna, que teriam sido enviados pelo São Paulo ao árbitro Wagner Tardelli (logo ele). Por via das dúvidas, a CBF trocou o apitador. No fim das contas, ficou mais ou menos esclarecido que tudo não passou de um mal-entendido.
Foi a partir dos problemas de 2005, quando a máfia chefiada por Edilson Pereira de Carvalho foi descoberta – gerando o cancelamento de 11 partidas do torneio daquele ano –, é que as desconfianças ganharam corpo quanto a combinação de resultados no futebol.
O atual Brasileiro, de baixo nível técnico e surpreendente acirramento nas últimas rodadas, parecia caminhar para um desfecho tranqüilo, sem maiores solavancos. Eis que, na quinta-feira, os jogadores Val Baiano e Renê, do Barueri, deram com a língua nos dentes: teriam recebido promessa de gratificação do Cruzeiro como estímulo para vencer o Flamengo, adversário direto da Raposa por um lugar no G-4.
A partir daí, iniciou-se um festival de exageros e hipocrisias. Assustados com a repercussão, dirigentes do Barueri decidiram afastar temporariamente a dupla de boquirrotos. Os do Flamengo passaram a falar em reparação judicial e os cruzeirenses negaram qualquer participação no caso. E o STJD, para variar, promete apurar tudo com rigor.
Tudo como dantes, dentro da velha tradição nacional de acomodar os problemas e empurrar com a barriga. É óbvio que a história vai terminar sem que se conheçam culpados ou vítimas. Até porque, no caso do “doping positivo”, fica difícil tipificar dolo ou corrupção, visto que os próprios clubes instituíram a figura da gratificação para estimular seus atletas.
De mais a mais, a já citada “máfia do apito” foi inocentada recentemente sob o argumento jurídico de que, como ninguém teria sido lesado, não houve crime. O mesmo princípio cabe em favor de Val Baiano e Renê. A não ser que queiram, como ocorre de vez em quando, enquadrar a dupla para servir de exemplo. 
 
 
Lúcio Santarém, em papo ao vivo na Rádio Clube, na sexta-feira, disse que o São Raimundo vai entrar em campo hoje disposto a mostrar quem é o mandante. Vai procurar se impor, evitando dar brechas ao adversário. João Pedro volta e acrescenta agressividade ao lado esquerdo do ataque. O Mundico só não pode esquecer que o Macaé tem a vantagem do empate e vai jogar seguindo à risca o script que lhe convém, abusando das bolas aéreas, que é sua especialidade.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 1)

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