Coluna: O mérito dos enjeitados

No ano passado, quando o Águia de Marabá esteve a pique de se classificar à Série B, em campanha empolgante, os elogios rasgados que a coluna teceu ao clube marabaense foram rechaçados por uma parcela de torcedores de Remo e Paissandu. Alguns, claramente contrafeitos pela comparação incômoda com a modesta agremiação interiorana. Outros, alheios aos resultados obtidos e empenhados somente em atacar o projeto do Águia, visto como carente de possibilidades de evolução.
Quase a mesma má vontade se repete agora em relação ao S. Raimundo, que, no mínimo, já é vice-campeão brasileiro da Série D. Os idiotas da objetividade, para citar Nelson Rodrigues, irão dizer que a competição é insignificante, a chamada “raspa de tacho” do futebol nacional.
Fico a imaginar, comparativamente, a importância que todos dariam à 4ª Divisão se Remo ou Paissandu estivesse na disputa. A perspectiva de um título nacional estaria, a essa altura, enchendo de alegria inflando o peito dos torcedores, orgulhosos da trajetória de seu time do coração.  
Pois a campanha quase heróica do S. Raimundo na Série D não merece o mesmo tratamento, mas é digna, sim, de atenção e respeito. Mais que isso: quando um dos grandes de Belém desce de seu pedestal e demonstra a intenção de seguir o que foi feito de positivo no modesto representante tapajônico, a atitude deve ser enaltecida, jamais ridicularizada.
O artigo de ontem, que aventou a possibilidade de o Remo tomar o S. Raimundo como referência na política salarial, despertou uma torrente de comentários no blog e via e-mail, quase todos criticando o posicionamento deste escriba interiorano.
Insisto, mesmo nadando contra a corrente e desafiando o coro dos contentes, que os bons exemplos devem ser observados. E, apesar da falta de dinheiro e dos transtornos internos, o Mundico teve o grande mérito de saber trabalhar dentro do orçamento disponível. Não é pouca coisa num Estado onde gastança desenfreada é o primeiro mandamento dos dirigentes. 
 
 
Bem, se parte da torcida paraense lhe vira as costas, indiferente ao mérito da campanha, o time de Lúcio Santarém recebe elogios fora das fronteiras estaduais. Reportagem do portal Terra, ontem, faz relato minucioso das agruras enfrentadas pelo time santareno, que teve a pachorra de trocar de técnico por quatro vezes e superar a deserção de jogadores para chegar à decisão do campeonato.
O Pantera é retratado, no texto de Dassler Marques, como um típico time emergente do interior do Brasil, no que essa condição tem de bom e ruim. Com humildade, o diretor Sandiclei Monte admite que a disputa regionalizada nas primeiras fases foi benéfica para a equipe: “Facilitou para nós, porque os times são montados com muitas dificuldades. Fomos crescendo e pegando experiência”.
Com um único destaque individual, o meia (e artilheiro) Michel, o clube fez um esforço tremendo para não falhar com os jogadores. “Apesar das dificuldades, não atrasamos os salários. É questão de honra”, diz Sandiclei. Parece pouco, mas é tudo aquilo que os grandes da capital não fazem. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 30)

16 comentários em “Coluna: O mérito dos enjeitados

  1. Olha Gerson so’ estais esquecendo que o tal do Sandiclei prega uma rivalidade ente a capital e Santarem, que nao existe.
    Os separatistas tem chutado forte a gente de Belem, e em nome do que ??
    Sempre dei apoio a turma santarena, mas pelo que tenho visto, escutado e lido, eles hoje nao merecem todo esse respeito.
    Se ganharem fatalmente se sentirao a ultima coca-cola do deserto, mas se entrarem no cacete nao havera’ como cobrir os detritos.

    1. Não, Harold. Não esqueço os arroubos divisionistas, de santarenos, marabaenses e de outras regiões deste Estado rico (de bens naturais) e generoso. Acontece que estou tratando aqui exclusivamente dos cuidados que o clube teve em relação a essa coisa tão simples que é o pagamento de salários, um dos pontos mais frágeis da estrutura da dupla Re-Pa ao longo dos últimos anos. O Mundico, pelo menos, paga o que deve, honra seus compromissos. Entendo que os grandes daqui deveriam seguir essa cartilha, como forma de sair do atoleiro. Apenas isso.

  2. Gostaria de ver esse Sandiclei, como Diretor de Esportes de Remo ou Paysandu. Num trecho, diz ele: “Não atrasamos salário é uma questão de honra”. O Arthur que o diga, Sandiclei(cara de pau). Só sendo de muito longe e, conhecendo o SR pelo telefone, pra falar tudo isso. Para esclarecer melhor, era muito bom se vc Gerson, fizesse uma matéria com o Arthur e, procurasse saber, porque o Valtinho não assumiu pela 2ª vez o SR., seria muito interessante, até para confrontarmos as opiniões e, saber quem está falando a verdade.
    Do Trindade, após a partida contra o Macaé: ‘ Eu espero que essa diretoria, pelo menos agora que estamos na final, não nos abandonem tanto e cheguem a nós para nos dar mais apoio e arcar com seus compromissos”. É Essa a honra? Desculpe mas checo os fatos, para emitir minha opinião, não acredito em tudo que falam e em tudo que leio. Um cara desse, tira o maior sarro de Remo e Paysandu e, todo mundo apoia. Um absurdo.

    1. Cláudio,
      Até por dever de ofício e rigor profissional também me cerco dos devidos cuidados. Ao contrário do que diz aí o velho Trindade, o S. Raimundo está honrando rigorosamente seus compromissos. Houve um princípio de crise depois do acesso à Série C porque o clube precisou correr atrás da grana para gratificar os jogadores, mas isso foi resolvido em menos de duas semanas. E o dinheiro foi pago. Quanto aos desacertos com Artur e Valter Lima, nenhum dos dois afirmou publicamente nada a respeito da conduta da diretoria do Mundico. Não defendo ninguém, nem tenho procuração, apenas destaco um comportamento que é simples mas raro por estas bandas, infelizmente. E vamos deixar o bairrismo estéril de lado, isso está fora de moda e é cansativo.

  3. É evidente que o São Rai tem todo o mérito possível pela brilhante caminhada dentro da série “D” e, pode sim ser ocampeão desse campeonato, mas, daí ser espelho para o RE-PA? Não, não dá para fazer num molde de diâmetro menor, as peças de dimensões azulina e bicolor!

    1. Discordo, Falconi. Não é espelho em termos de gestão geral de um clube, mas pode servir de exemplo nessa coisa simples e prática: só prometer salários que podem ser pagos. No Águia, a coisa sempre funcionou assim também e eu sempre destaquei esse aspecto. Lembro do Ciro, ex-Tuna e ex-Remo, dizendo preferia ganhar menos no Águia do que jogar pelos grandes de Belém. Indagado sobre o motivo dessa preferência, foi direto: “lá, eu recebo”. Isso resume tudo.

      1. Bom, entaõ nesse caso e somente nesse, eu me sinto na obrigação de dizer: concordo com você, Gerson.

  4. Aliás, Gerson, passei uma mensagem para o Sr. Antônio às 6:47 hs de hoje e, ainda não apareceu na Tribuna do Torcedor, de ontem.ok?

  5. Eu concordo com o TÍTULO da COLUNA: “O MÉRITO DOS ENJEITADOS”, mas concordaria mais ainda se o TÍTULO da COLUNA fosse: “HONRADO SEJA O MÉRITO DOS ENJEITADOS”.

    Os “EJEITADOS” precisam sair dessa condição, para rumarem ao STATUS de “CONSENTÂNEOS”.

    Quero ver todos os CLUBES PARAENSES na TIMEMANIA, inclusive o BAIÃO ESPORTE CLUBE.

    Eu também abomino todas as formas de BAIRRISMOS.

    … e tenho dito !!!

  6. Gerson,

    obrigado pela força, mas é dificil pro pessoal aí do Pará aceitar o fato de o São Raimundo conseguir o que Remo e Paysandú não conseguiram em 2010.

    1. JÚNIOR TAPAJÓS:

      Por favor, me EXCLUA dessa DIFICULDADE que você MENCIONOU.

      Muito Obrigado e Saudações AZULINAS !!!

  7. Engraçado que o Paysandu e Remo foram campeões, campeões, campeões e nunca, nunca foram modelos de nada. Coitados desses clubes, só servem pra enricar um monte de gente e servir de chacota.

  8. E só pra vc ver que o que vc falou é verdade, Junior Tapajós, que se o SR for Campeão, domingo eu nem durmo.

  9. Gerson, do jeito que torcida e imprensa cobram da dupla re-pa, não tem como fazer essa matérica pura e simples. Viu como era com o Edson Gaúcho? O homem ganhava os jogos, estava fazendo um bom trabalho, mas nem isso foi capaz de deixá-lo trabalhar em paz.

    Depois todo mundo ficou cobrando contratações de peso. Ninguém quis saber da dívida que o clube iria contrair. Falar é muito fácil.

  10. Gerson, do jeito que torcida e imprensa cobram da dupla re-pa, não tem como fazer essa matemática pura e simples. Viu como era com o Edson Gaúcho? O homem ganhava os jogos, estava fazendo um bom trabalho, mas nem isso foi capaz de deixá-lo trabalhar em paz.

    Depois todo mundo ficou cobrando contratações de peso. Ninguém quis saber da dívida que o clube iria contrair.

    Falar é muito fácil.

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