Coluna: O grande negócio do futebol

Levantamento publicado pelo jornal O Globo escancara o abismo que entre o organizado futebol europeu e as competições realizadas no Brasil. A diferença de público nos estádios é tão acentuada que o Atlético-MG, time brasileiro que tem melhor média de torcida (como mandante) na Série A, com cerca de 34 mil espectadores por jogo, ocuparia um modestíssimo 37º lugar no ranking europeu.
Na confirmação do velho ditado de que dinheiro chama dinheiro, o Manchester United, um dos clubes mais ricos do mundo, arrasta 75.304 pessoas sempre que joga em seu estádio. É dono da melhor média de público na Europa – e no mundo. Claro está que essa fidelidade do torcedor está diretamente associada aos investimentos do clube, que mantém elenco de primeiro nível e consequentemente ganha títulos com incrível facilidade.
Vale observar, ainda, que o United é também um exemplo de gestão dos negócios referentes ao futebol. Seus jogos são realizados num estádio confortável, seguro e moderno, com opções de restaurantes, shopping e galerias especiais. Por conta desses atrativos, os carnês de ingressos são vendidos com um ano de antecedência, garantindo renda antecipada de aproximadamente 100 milhões de euros aos cofres do clube.
Mas não se pode dizer que lotar estádios é exclusividade de vencedores como o Manchester. O segundo colocado em bilheteria é o alemão Borussia Dortmund, que há muito tempo não contabiliza grandes conquistas. Em seu multifuncional estádio, o Borussia recebe a cada jogo 74.748 torcedores. 
Em comum com o clube de Sir Alex Ferguson, o BD tem azeitada máquina de marketing e programas voltados exclusivamente para atender sua torcida. O tratamento é tão bom que, mesmo sem grandes estrelas, o time é um inegável sucesso de público.
Terceiros e quarto colocados na lista são nomes mais ou menos óbvios. Afinal, Barcelona (com média de 71.045) e Real Madri (70.816) têm os elencos mais badalados do planeta e praticam uma ousada e vertiginosa política de contratações. Mantêm um portentoso quadro de associados, que não pára de crescer. No caso do clube azul-grená, que não tem patrocinador, a receita decorre exatamente dessa paixão bem administrada.
O quinto mais popular é o Bayern de Munique, com público médio de 69 mil. Em seguida, outro alemão: o Schalke 04, com 60.040. O primeiro italiano, Milan, só vem em oitavo, com 59.757 de média, depois do Arsenal (60.040). No top ten, só há espaço para um penetra: o escocês Celtic, nono da lista com 57.366. O 10º também é germânico, o Hamburgo (54.881).
 
 
Os números não devem simplesmente confrontar a lambança brasileira com a opulência européia, mas evidenciar que o torcedor continua a ser a pedra de toque do processo. A lição óbvia é que, para crescer, os times nacionais não podem continuar tratando o torcedor como um cliente qualquer. Os gestores do futebol precisam entender, em definitivo, que o negócio só será lucrativo na medida em que a clientela estiver satisfeita. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 23)

3 comentários em “Coluna: O grande negócio do futebol

  1. É Gerson com a mentalidade que tem os gestores dos “nossos clubes”, é praticamente impossivel que um dia a nossa realidade possa chegar pelo menos proxima da europa….

  2. A carreira de um jogador de futebol tem a sua plenitude durante 10 anos (dos 20 aos 30) depois começa a declinar. O campeonato sub 20 é então o vestibular do futebol. É onde os clubes prestam contas às suas torcidas do que produziram durante os últimos dez anos de escolinhas. Devia ter uma maior antenção. O clube a midia enfim deveriam considerar este sim como sendo o verdadeiro campeonato porque trata da competição dos atletas regionais formados nas bases de seus clubes, ou seja o clube apresenta o seu plantel e demonstra quanto dispõe em estoque para futuras transformações em recursos próprios.
    Para um time principal, profissional o clube só acrescenta aos sub 20 um goleiro mais experiente, um “xerife” na zaga e um meio campista mais maduro. O conjunto, o esquema tático dão o que se chama em música de a harmonia.
    O que isso tem o ver com o artigo sobre a escacez de torcida no Brasil. Tudo!
    Esse é o pior campeonato da elite do futebol brasileiro de todos os tempos e os destaques são os veteranos que por aqui aportaram para encerrar suas carreiras. Já se fossem os planteis mesclados de su 20 teríamos o prazer de ver outros ,Patos, Kakas, Diegos Robinhos, Gansos, antes que o capital estrangeiro os leve para dentro dos videos, único meio de vê-los novamente como vemos agora.

  3. Bom dia Gerson Nogueira,

    A Europa largou na frente, ela sempre faz isso, já estudamos através da história, hoje presenciamos os fatos e não aprendemos com eles, e o pior de tudo é que não temos a menor expectativa de ver isso mudar para melhor neste país; nós não estamos aprendendo nem a copiar o que dá certo para os outros, o que seria óbvio, nós não reproduzimos no micro, aquilo que dá certo no macro, senão vejamos: A nossa federação de futebol estabelece um calendário, mantém um quadro de árbitros e recolhe 10% das rendas dos eventos, e só, não estimula a competitividade, as fórmulas são sempre as mesmas, não inova em nada, torcedor é tratado na porrada, para ela torcedor é marginal, torcedor é bandido, não se percebe nenhuma medida que promova o futebol deste Estado no cenário nacional, ao contrário ele INTERIORIZA, de forma negativa, pois entendo que a referida interiorização é eleitoreira, pretende ele o ACN, perpetuar-se no comando da FPF (vaca que não para de dar leite), a exemplo do que o fazem Ricardo Teixeira à frente da CBF e Blater na FIFA, essa interiorização é pura cooptação de votos dos presidentes das federações interioranas, a exemplo posso questionar e agora o faço, se alguém pode me dizer ou antevendo, antecipar-me quais resultados positivos futebolísticos e financeiros, teremos com a participação do time dessa tribo indígena? qual a expectativa renda e público para os jogos desse time? em qual estádio jogará? quem arcará com o ônus da despesa dos deslocamentos e hospedagem desse time nos jogos marcados para fora de suas plagas? e por aí se vão.
    Geralmente quando se fala do extermínio que o futebol paraense está sofrendo, voltamos nossa revolta e indignação somente para os mandatários dos clubes, esquecemo-nos de responsabilizar o maior de todos os culpados, no meu entendimento a FPF- Federação Paraense de Futebol.
    A propósito, se não me falha a memória, juridicamente falando, o índio é tutelado pelo Estado, alguém tem dúvidas que de alguma forma, vai acabar sobrando para o contribuinte? eu não.
    Silas Negrão

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