Coluna: Em defesa das finais

Futebol é coisa muita séria – para a maioria das pessoas envolvidas. Há até quem adoeça, perca o sono ou brigue com a mulher quando seu time vai mal. O certo é que quase ninguém fica indiferente quando o assunto é bola. Por isso mesmo, qualquer discussão sobre a forma de disputa do Campeonato Brasileiro se transforma de súbito em debate nacional de alta relevância, capaz de dividir opiniões e criar antagonismos.
A adoção dos pontos corridos, que copia a boa prática instaurada nos certames europeus, vigora há sete anos e aos poucos vem se consolidando, estendendo-se à Segunda Divisão. Ocorre que o campeonato está a um passo de voltar aos esquemas que misturam play-offs e cruzamentos em mata-mata e outras ginásticas que confundem a cabeça do torcedor.
O grande apelo do sistema de pontos é a justiça final. Quando a competição termina, ninguém pode duvidar da legitimidade do campeão. No outro extremo, a fórmula de quadrangulares e octogonais decisivos é sempre um prato cheio para queixas e críticas por parte de quem perde.
Em 2002, por exemplo, o Santos de Robinho e Diego sagrou-se campeão depois de se classificar em 8º lugar para as finais. Era indiscutivelmente um bom time, exibia futebol ofensivo, encantava com as pedaladas de Robinho e os lançamentos de Diego, mas a conquista até hoje gera questionamentos. Por coincidência, foi o último Brasileiro jogado no modelo antigo. 
A Globo, que detém os direitos de transmissão do certame e muda horários de jogos com a maior sem-cerimônia, tenta modificar a forma de disputa e peita o Clube dos 13 para reinstituir o mata-mata velho de guerra. A nova velha fórmula prevê dois turnos, com jogos em ida e volta, como hoje, e classificação direta à Libertadores dos três primeiros colocados.
Para definir o campeão, porém, a Globo defende a disputa extra entre os oito primeiros. Se um dos três primeiros na pontuação conquistar o título, o quarto colocado leva a outra vaga da Libertadores. Caso o campeão seja o quinto, o sexto, o sétimo ou o oitavo, este ficaria com a vaga no torneio continental. As conversas avançam e não duvido que os cartolas já tenham aceitado a ideia.
Além do óbvio desespero da Globo por mais audiência, é inegável que o sistema atual valoriza o mérito e premia os clubes bem estruturados, mas cria certo anticlímax, reservando a uma só torcida as emoções finais. Uma alternativa seria o sistema intermediário, com duas partidas decisivas entre os vencedores de turnos, sendo campeão antecipado aquele que, eventualmente, ganhasse as duas fases. É o único jeito de adicionar mais tempero ao torneio, sem descaracterizar os pontos corridos. 
 
 
O Pará tem excelente chance de seguir em frente na Série D. No jogo desta tarde, em Natal, pelas semifinais da competição, o S. Raimundo precisa administrar a posse de bola, conter a ansiedade e resguardar bem a defesa. Sem cair na tentação do recuo excessivo que atrai o adversário e aumenta consideravelmente os riscos de faltas perto da área ou até pênaltis.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 18)

9 comentários em “Coluna: Em defesa das finais

  1. Gerson, penso que o Campeão dos 2 turnos(sem interrupções), fazendo a grande final, seria o melhor, sendo que se o Campeão(simbólico) do 1º, também fosse o campeão do 2º, aí sim, levaria o título direto. Acredito que seria o mais justo.

  2. Não entendi direito a proposta. Ainda acho que a melhor saída é a disputa entre os vencedores de cada turno, como exponho na coluna. Estamos falando a mesma coisa com palavras diferentes?

  3. Gerson nesse caso, se voltar o sistema de mata-mata, vc acha que a só globo vai sair ganhando por causa da audiência que com certeza vai dobrar, mas é bom vc lembrar que os clubes finalistas também vão botar a mão em uma boa grana pois como todos nós sabemos o torcedor brasileiro em geral, gosta mesmo é de campeonato com partida final.

    Acho que deveria ser pontos corridos em turno e returno classificando-se os quatro melhores colocados para as finais, lógico, com vantágem para os dois melhores colocados na soma geral de pontos.

    1. Antonio,
      Com certeza, os clubes finalistas sairiam ganhando, pela arrecadação das partidas decisivas, e o campeonato terminaria com um astral diferente. A pior coisa do sistema atual é que o campeonato termina burocraticamente. Mas prefiro mesmo o sistema de dois times (vencedores de turnos) finalistas.

  4. Gerson, desculpe, é a mesma proposta que vc citou, acima, só que seguiria direto(as 38 partidas), sem interrupções nos pontos, que continuariam corridos. Por exemplo, se não me engano, este ano, o Inter foi campeão simbólico do 1º e, o campeonato seguiu, se o Palmeiras for campeão do 2º, ele teria que disputar 2 partidas com o Inter, tendo a vantagem, quem conquistar o 2º turno, pois aí foi quem mais pontuou. Penso assim. ok? desculpe não ter pedido permissão para colocar essa foto aí, minha filha tava tentando abrir um blog pra mim, quando ví, já estava aparecendo ao lado dos meus comentários no seu blog. Essa foto foi lá de mosqueiro em julho, já estava lá pela 3ª cervejinha, que ninguem é de ferro. Um abraço, amigo.(rsrsr)

    1. Ah, bom. Inteiramente de acordo então. Realmente, fica melhor com a pontuação completa, sem interrupção por turno.

      1. Ê rapaz, a foto ficou boa. É bom mostrar a cara. Eu fico nessa aí, meio na sombra do infante João.

  5. Como eu não tenho nenhum prejuízo, a minha preferência continua sendo a atual. Sou um entusiásta pela: causa e efeito. Que neste contexto se insere, a habilidade daqueles que sempre dão o máximo de si para formar bons elencos e conquistar o título. Diferente dos modorrentos que só conseguem fazer arrumadinhos, mas com certos apoios sombrios, podem ofuscar os trabalhos sérios, capz.

  6. O campeonato tem que ser em pontos corridos, como em todo país civilizado. A fórmula proposta pela Globo é um monstro, um Frankenstein que só vai gerar distorções. Não resta qualquer dúvida que é para favorecer times de massa, como Corinthians e Flamengo, equipes “fortes” no mata-mata, onde sempre recebem “ajudazinhas” dos juízes. Para quem gosta de mata-mata, já tem outras competições: a Copa do Brasil e os estaduais…

    Campeonato de pontos corridos é para quem se planeja e tem estrutura, coisa que a maioria dos times brasileiros não têm. Por isso, a preferência de certos torcedores pelo mata-mata, para nivelar o campeonato por baixo e dar chances aos azarões. Há muita hipocrisia nesta estória: o torcedor acha que seu time pode ser beneficiado num eventual mata-mata e esquece que o contrário também pode ocorrer e sua equipe, líder disparada, pode ser eliminada pelo oitava colocado…

    Mas o mega-todo-poderoso Ricardo Teixeira já andou chiando contra o campeonato que a Globo quer implantar. Pela primeira vez torço por ele. Não é porque a TV paga para transmitir que tem o direito de avacalhar a competição, inclusive com jogos que terminam à meia-noite.

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