O empate era o segundo pior cenário para o Paissandu. E aconteceu por absoluta falta de criatividade ofensiva. O time esteve o tempo todo no campo de defesa do Luverdense, mas não soube transformar esse domínio territorial em gols. Pressionou, cercou e não definiu.
O resultado deixa o Paissandu ainda na liderança da chave com 11 pontos, mas sob perseguição direta de Águia, com 10, e Rio Branco, com 9. Luverdense (8) e Sampaio (4) estão fora de combate. O problema é que o Rio Branco ainda tem três jogos por fazer (pode ir a 18), o Águia mais dois, podendo chegar a 16. Ao Paissandu, só resta o compromisso com o Sampaio, para vencer e alcançar 14 pontos. A coisa ficou difícil.
O primeiro tempo foi samba de uma nota só. O Paissandu em cima, martelando, mas sem acertar o pé. Fechadíssimo, o Luverdense apresentou duas linhas de quatro homens e nenhuma disposição para se expor. Marcado, Maico Gaúcho, seu principal articulador, não podia criar. Com isso, a equipe se encolheu ainda mais.
Vélber até se movimentava e arriscava, mas a bola não chegava em condições para Torrô e Zé Carlos, isolados entre os marcadores. Em meio às dificuldades para chegar à meta de Ronaldo, Torrô teve a melhor chance, mas não soube aproveitar. Saiu no intervalo, por contusão. Balão deu mais agilidade ao meio-campo e criou opções para Vélber, que se aproximou mais de Zé Carlos nas ações ofensivas.
E foi em jogada iniciada por Balão que o gol finalmente saiu, fazendo a torcida finalmente explodir na Curuzu. A zaga vacilou e a bola chegou a Vélber, que limpou o lance e bateu com categoria, à direita de Ronaldo.
Desgraçadamente, a alegria foi breve. Enquanto o gol era festejado, o Luverdense foi à frente pelo corredor aberto na ala direita da defesa bicolor. O cruzamento saiu sob medida para a conclusão de Simeão, que havia marcado os dois gols da vitória sobre o Águia.
Ainda buscando se recompor do empate inesperado, Zeziel e Aldivan insistiam em jogadinha improdutiva pela esquerda, consumindo tempo e esforço. No geral, como no primeiro tempo, o Paissandu tinha o controle territorial, sem que isso representasse chances reais de gol. Balão era o jogador mais acionado, mas aos poucos foi cansando. Também exausto, Vélber foi substituído por Michel, que nada acrescentou.
Zé Augusto entrou para lutar à sua maneira. Força bruta, raça, vontade, coração. O diabo é que nem sempre essa combinação funciona. O Luverdense se defendia como dava, mandando a bola pro mato, fazendo cera. O fato é que, dos 30 minutos até o final, o Paissandu atacou incessantemente, mas as chances não foram criadas e o gol não veio. Do jeito como o jogo terminou, o gol não sairia nem por obra do acaso.
A torcida saiu aborrecida, como era de se esperar, mas que ninguém atire pedras em Valter Lima. O problema maior do Paissandu é a ausência de opções técnicas. Isso limita variações táticas e nivela o time a qualquer outro dessa chave – inclusive o lanterninha Sampaio.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 17)
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