Coluna: A multiplicação colorada

Glória do desporto nacional, conforme diz seu hino, o Internacional festeja conquista histórica no ano de seu centenário. Na sexta-feira, ultrapassou a fantástica marca dos 100 mil sócios. No total, a semana terminou com 100.135 associados registrados pelo Colorado, maior clube brasileiro nesse departamento. Número fabuloso para os tímidos padrões nacionais.
Mais que isso: a marca insere o Inter no panteão dos maiores clubes do mundo – considerando o sentido moderno do termo. Cada vez mais, no futebol, clubes são entidades que reúnem adeptos e, principalmente, sócios contribuintes.
Nesse quesito, o Inter possui hoje o sexto maior quadro social entre os clubes de futebol do mundo, ficando atrás apenas de Benfica, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique e FC Porto. É tão certeira a estratégia que, a rigor, nem parece coisa de time brasileiro.
Para se entender o gigantesco valor dessa façanha, basta dizer que em apenas sete anos o clube conseguiu aumentar em 14 vezes sua quantidade de sócios. Quando o projeto Sócio Torcedor dava seus primeiros passos, em 2002, o Inter tinha pouco mais de sete mil associados que contribuíam religiosamente com suas mensalidades.
A prospecção do potencial de crescimento do clube, a partir de consultas a diversos segmentos da sociedade gaúcha, foi o primeiro passo concreto para alavancar o projeto. Os próprios dirigentes admitem, porém, que sem vitórias e títulos nenhuma iniciativa teria sido bem sucedida.
Esforço permanente e forte estratégia interna que envolve todas as áreas do clube são os principais alicerces do projeto, segundo o ex-presidente Fernando Carvalho, grande incentivador da ideia. O torcedor foi aderindo à medida em que acreditava nas propostas da direção e via em campo os resultados do crescimento.
De cara, o Inter disputou o título brasileiro de 2005. Perdeu, injustamente, para o Corinthians, mas saiu com a imagem de campeão moral. Logo a seguir, em disputa com o Barcelona, conquistou o Mundial Interclubes e igualou-se ao arqui-rival Grêmio, um antigo sonho colorado.
Era o que faltava para consagrar definitivamente a parceria entre o clube e seu torcedor. O time ganha torneios e o clube oferece conforto em suas instalações, desconto no preço de ingressos e serviços de primeira qualidade. Em troca, consciente (e orgulhoso) de seu papel, o torcedor contribui para construir um clube cada vez mais vitorioso. É a equação perfeita, que o resto do Brasil boleiro se recusa a aprender.
 
 
Depois do bom treino de sexta-feira, Michel está cotado para estrear no meio-campo do Paissandu, neste domingo, contra o Rio Branco. Valter Lima, que descobriu o jogador e fez dele o cérebro do S. Raimundo, admite usá-lo como meia avançado, revezando-se com Vélber no apoio direto aos atacantes Zé Carlos e Balão.
O esquema com dois meias é interessante, mas torna o setor vulnerável na marcação. E jogo tão importante vai exigir força no combate e proteção ao setor defensivo. Um dilema e tanto para Valtinho.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 12)

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