Nem o belíssimo gol de Kaká serviu para esconder o fato de que a Seleção Brasileira se atrapalhou com um adversário inesperadamente audacioso. Não dá nem para recorrer à velha lorota de que o Brasil costuma pegar times retrancados, que se fecham e não deixam nossos bambas jogarem com liberdade.
Os egípcios deixaram Kaká, Robinho, Elano e quem mais quisesse se movimentar pela meia cancha. Congestionavam a entrada da área com seis homens, mas isso é o que todo time faz – inclusive o próprio escrete de Dunga. A diferença é que, com a posse de bola, saíam em altíssima velocidade, atropelando a estrutura de cobertura da Seleção.
Se contra Uruguai e Paraguai nossos laterais desfrutaram de total liberdade, podendo subir e voltar a tempo de cobrir os avanços inimigos, contra a equipe africana a coisa mudou de figura. Atentos aos corredores laterais que Dunga sempre cede, o ala direito deles disparava feito um azougue, trocando passes com o meia para cruzar para o interior da área. Foi assim que nasceu o gol de empate.
Outro ponto ficou evidente: sem Júlio César operando milagres, como em Montevidéu, a Seleção fica de pé quebrado. Contra a Celeste, Furlan e Abreu cansaram de perder gols, evitados pelo goleiro brasileiro. No final, a goleada de 4 a 0 deu a falsa impressão de uma atuação sem falhas.
Ontem, na África do Sul, o placar foi apertado, obtido no aperreio de um pênalti no último minuto, mas 4 a 3 também poderia ter sido o escore do jogo contra os uruguaios. Basta rever os lances daquela partida. A verdade é que, graças à excelente forma do goleiro da Inter de Milão, o Brasil de Dunga tem se safado de vários tropeços.
Sobre o jogo, alguns aspectos merecem atenção. Primeiro, a posse de bola da Seleção novamente foi maior, principalmente porque Elano se encarregou de fazer a distribuição, praticamente sem erros. Acontece que o futebol exige algo mais: o toque de gênio, a jogada inspirada. Na meiúca brasileira somente Kaká hoje tem condições de fazer isso. O lance do gol foi inspirado, mas Kaká pouco colaborou com a armação. Robinho, outro talento nacional, parecia ausente de tudo, pensando longe.
Os gols nacionais resultaram, pelo menos dois deles, de ensaios de treino. O de Juan, que também marcou assim contra o Uruguai, seguiu esse figurino. Não diminui os méritos do treinador, mas expõe a necessidade de povoar o meio-campo com gente mais inspirada ou interessada em participar efetivamente do jogo.
Os três gols do Egito foram os primeiros sofridos num mesmo jogo pela firme defesa brasileira. A última vez em que isso aconteceu foi contra a Argentina, em Buenos Aires, em junho de 2005. Antes da era Dunga.
 
 
A nota oficial da Funtelpa, emitida ontem à tarde, deixou mal a direção do Paissandu. No jogo de domingo, o presidente reclamou da transmissão para Belém. Um equívoco grave: todos os clubes assinaram contrato com a TV Cultura cedendo direitos de exibição dos jogos, para Belém e cidades do interior, tanto no Parazão quanto na Série C. E até 2014.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 16)

3 responses to “Egito expõe problemas do Brasil”

  1. Avatar de Harold Lisboa

    Gerson, deixando de lado alguns detalhes. foi um jogao pela quantidade de gols.
    acho que o kleber ja era! e insistir com o Pato e’ bobagem. o cara nao vibra….pra nao fala outra coisa, prefiro pensar que e’ um verminoso.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Pior foi o André Santos, que mal pegou na bola mas saiu dizendo que foi um dos responsáveis pel vitória. Éguaaaa…

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  2. Avatar de Diogo da Silva
    Diogo da Silva

    Insistir com Pato??? Mas o Dunga não insiste com o Pato. Ele ignora totalmente o rapaz. Só coloca quando não tem muito mais o que fazer ou quando a coisa fica feia pro lado do Brasil.

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