Caro amigo Gerson,
Tenho acompanhado ao longo dos anos, algumas escolhinhas de base de Belém e confesso que fico muito preocupado com esses jogadores. Essas escolhinhas funcionam da seguinte maneira: o “treinador” recebe, por exemplo, 30 jogadores, são formados 2 times e os mesmos começam a treinar já no primeiro dia de “trabalho”. A partir daí, os treinamentos são de pelo menos 3 dias na semana. Eles alternam com preparação física, por um profissional qualquer(sem que os garotos tenham passados por uma avaliação física por parte de um especialista, o que implica em risco de morte), e jogos entre eles e com outros times da periferia de Belém. Os jogadores que forem se destacando vão sendo encaminhados para Remo, Paissandu, Tuna. Ou seja: se esses jogadores já tiverem mais de 17 anos, entram de cara para os profissionais desses times. O que se percebe é que esses jogadores não recebem nenhum tipo de ensinamento básico quanto a fundamentos do jogo. Coisas como saber bater na bola, aprender a chutar a bola, tanto com o pé direito como com o esquerdo, cabeceio, definir sua verdadeira posição etc. No Pará, existe um número muito bom de jogadores que só precisam ser melhor orientados. Aliás, ninguém sabe quem revelou e “preparou” atletas como Balão, Marcelo Maciel, Landu e tantos outros, que até hoje não sabem bater na bola. Como já disse, o Pará é um celeiro de craques, mas com “treinadores” e dirigentes sem nenhuma condição de descobrir atletas. Quer fazer um teste, Gerson? Pergunte quem revelou tal jogador e, depois, pergunte a esse jogador se quem o revelou lhe ensinou alguma noção de futebol (passe, chute, colocação). Garanto que você vai se espantar, pois comprovei isso pessoalmente. Falta base para esse pessoal que trabalha nas divisões de base.
Cláudio Santos, técnico do Columbia de Val-de-Cans.
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