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Inter ensina a valorizar o torcedor

Qualificar a relação entre o clube e o torcedor, seu principal cliente. Este conceito, que exposto assim dessa maneira parece até discurso de aprendiz de marqueteiro, tem sido a alavanca de todo o gigantesco processo de crescimento do Internacional, campeão do mundo e sério candidato a melhor time do Brasil no ano de seu centenário.
Atento às deficiências crônicas da relação com o torcedor comum, o clube investiu a partir de 2006 cerca de R$ 1,5 milhão em câmeras e equipamentos de monitoração no estádio Beira-Rio. É um trabalho que merece visibilidade e deveria servir de exemplo para as demais agremiações brasileiras, inclusive as nossas.
O investimento em segurança permite ao Inter identificar com absoluta precisão as áreas de estrangulamento nas arquibancadas, fechando os portões quando um setor está lotado e prevenindo tumultos. Ao mesmo tempo, exerce vigilância total sobre a ação de torcedores nas dependências do estádio, como na Europa, com a implacável varredura eletrônica.
Ao mesmo tempo, ordenou a venda de ingressos, que continua a ser o grande calo em todas as grandes cidades brasileiras – Belém no meio, obviamente. Em torno do Beira-Rio, as filas minguaram nos últimos cinco anos. E os cambistas não têm mais vez.
Ao contrário do que normalmente acontece nos demais clubes brasileiros, o Inter prioriza de fato o sócio-torcedor, que tem prioridade na compra de ingressos (com descontos ou até gratuitamente). O excedente é colocado à venda, mas sem baderna e de forma controlada.
Não por acaso é o único clube de ponta no país que pode alardear que tem um projeto de valorização do torcedor, contabilizando 80 mil associados. Quem dispõe de um patrimônio de contribuintes desse porte tem receita que permite executar ações no presente e planejar o futuro, sem depender do mercado de jogadores. Por isso, ao mesmo tempo em que revela craques como Taison, o Inter pode importar estrelas como D’Alessandro.  
 
 
Quanto às torcidas ditas organizadas, disfarce habitual de gangues de delinqüentes, o Inter resolve o problema dentro dos limites da lei. Cadastra os integrantes das facções coloradas, filtrando naturalmente os verdadeiros torcedores, dispostos a incentivar o time. Mais importante: a diretoria não banca os ingressos dessas torcidas, o que desestimula o aparecimento de “líderes” oportunistas e interesseiros.
O resultado imediato dessa medida foi a completa inibição dos atos de violência no estádio Beira-Rio e arredores. A estatística nacional indica a ocorrência de 14 mortes de torcedores nos últimos três anos. No estádio do Inter, esse índice é rigorosamente zero, inclusive quanto a brigas e conflitos no entorno do estádio.  
Como efeito direto do saneamento feito pelo clube nessa área, quintuplicou o número de mulheres que participam hoje ativamente da vida do clube, como sócio-torcedoras e freqüentadoras fiéis dos jogos. Nesse caso, além de aumentar a quantidade de sócios contribuintes, o Inter ficou com uma massa torcedora bem mais bonita.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 29/05)

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