Todas as honras ao Mundico

O S. Raimundo é, com todos os méritos, finalista do Parazão.

Derrotou o Remo no estádio Barbalhão, diante de 16 mil torcedores, e levantou a Taça Estado do Pará.

Nem jogou tão bem como de outras vezes, mas fez o necessário para vencer.

Valter Lima montou um time que joga fácil e com objetividade.

No seu time, volantes marcam e sabem sair jogando. Não há chutão. A transição é correta, a bola vai de pé em pé.

O Pantera tem, acima de tudo, um verdadeiro camisa 10: Michel, revelado em Parintins, que já desponta como craque do campeonato.

Do lado remista, a constatação de uma realidade. O que começa errado normalmente acaba mal. Um time sem conexão entre os setores, com alguns jogadores claramente fora de jogo (como Bebeto) e outros correndo demais para cobrir setores desguarnecidos.

Mais força do que jeito, mais raça do que talento. Não podia dar certo.

Depois de descer da Série B para a C, resta ao time voltar às origens e se preparar para disputar apenas a competição estadual em 2010.

Até lá, serão oito meses fazendo amistosos caça-níqueis.

Se houver tutano, é a chance de arrumar a casa, cortar despesas supérfluas e apostar na garotada.

 

Tudo sobre a festa santarena na edição desta segunda-feira do Bola (incluindo super pôster em papel especial) no DIÁRIO.

Arbitragens amigas

O Flamengo, de história majestosa e rica, não precisa de árbitros amigos. O pênalti sobre Juan foi um daqueles lances típicos de malandragem. Juan é um dos maiores cavadores de falta do planeta e adianta a perna para se chocar com Alessandro. O juiz, lépido e fagueiro, foi lá e apontou o penal. Tudo bem, que assim seja.

Antes do fim do primeiro tempo, em lances nascidos de faltas legítimas (que o assoprador de apito não teve a decência de punir com amarelo), o Botafogo já virou o placar, com Juninho e Reinaldo.

Joga melhor, está mais firme na marcação e mais presente no ataque. Poderia dizer que houve pelo menos um penal claro, de Íbson sobre Maicossuel, que Sua Senhoria fez que não viu. Mas, enfim, deixa pra lá.

Vida (e jogo) que segue, como diria o genial João Saldanha.  

 

 

 

 

O ano da zebra

Do site do DIÁRIO…

A “revolução” em 2009 na F-1 continua. Vencedor das etapas da Austrália e da Malásia, o piloto inglês Jenson Button, da Brawn, novamente brilhou e ficou com a primeira posição no GP do Bahrein, neste domingo.

A segunda colocação terminou com o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, e a terceira posição acabou com o italiano Jarno Trulli, da Toyota.

Rubens Barrichello, da Brawn, foi o brasileiro mais bem posicionado, em quinto lugar. Nelsinho Piquet, da Renault, ficou em décimo, e Felipe Massa, da Ferrari, em 14º.

Com o resultado, o campeonato é liderado por Button com 31 pontos – Barrichello é o segundo com 19 pontos.

A F1 está mais surpreendente, o que não significa que esteja melhor. As corridas continuam muito chatas.  

Histórias de boleiros

Capítulo interessante do livro de Rogério Ceni, lançado recentemente. Nele, o goleiro do S. Paulo relata um episódio bobo que pode ter sido determinante para afastá-lo da Seleção em 1997. 

Canarinho indomável

Perfilado, com a camisa da Seleção, ouvindo o hino nacional. Já passei por isso 17 vezes, e em todas elas me emocionei. Gosto de pensar que um país continental, o meu país, está em grande parte “mandando” energias positivas para 11 homens defenderem a nação. Não se trata de patriotismo barato, não é a minha cara. Sei que poderia ter escrito uma história mais bonita na Seleção. Mais rica, mais próxima da traçada no clube. Não foi possível, principalmente porque o Rogério do São Paulo é um (não me crucifique pela referência em terceira pessoa), e o da Seleção, obrigatoriamente, tem que ser outro.

No São Paulo, consigo dar tudo de mim. Na Seleção, não. No São Paulo, consigo agilidade na reposição de bola, fruto do perfeito entrosamento com os jogadores de velocidade. Nosso time joga assim há anos. A Seleção não vai jogar assim nem daqui a séculos. Se por acaso jogasse, minha trajetória nela provavelmente seria outra. Não posso afirmar isso, porque o ambiente de Seleção é muito diferente do de um clube, apesar de ter conhecido muita gente legal nela.

Comparo o São Paulo à minha casa, e a Seleção, a um hotel. Existem ótimos hotéis que nunca terão o conforto do nosso lar. O pior hotel, ou a Seleção de convivência mais difícil que encontrei, foi a que disputou e ganhou a Copa das Confederações de 1997, na Arábia Saudita. Ironicamente, o hotel em Riad era espetacular.

A primeira etapa da viagem, em Johannesburgo, até que foi boa. Vencemos a África do Sul por 3 X 2, depois de eles abrirem 2 X 0 (o jogo do aviãozinho do Zagallo). Dividi quarto com um dos sujeitos mais sensacionais que conheci no futebol: César Sampaio.

O volante, já com bastante nome, carreira consolidada, se esforçava para me deixar à vontade. Entre outras gentilezas, sempre me emprestava seu discman.

No meio do torneio em Riad, um grupo de mais ou menos oito jogadores teve a ideia de raspar a cabeça do time todo, titulares e reservas. A primeira vítima foi o Russo, lateral do Vitória, que, iniciante, fazendo qualquer coisa para agradar, adorou ter o cabelo cortado. No desespero de proteger a “juba”, o zagueiro Gonçalves se trancou no quarto. Em vão. Gonçalves só conseguiu ser o último a ficar careca.

Meu quarto estava aberto. Sabia que mais cedo ou mais tarde chegaria a minha vez. E chegou. Júnior Baiano e Flávio Conceição, entre outros, entraram no meu quarto portando máquina e tesoura. Verbalmente, resisti quanto pude: – Ó, o negócio é o seguinte: não quero raspar. Não tô a fim de brincadeira, não vou brigar, mas comigo, por favor, não!

Alguém, não vi direito quem, passou a máquina e tirou uma faixa do meu cabelo. Esperei os caras saírem do quarto e, sem outra opção, raspei a cabeça. Mas fiquei pê da vida. Reclamei publicamente do comportamento infantil da Seleção, mais apropriado a um time em viagem de jogos estudantis. Tão bravo quanto eu, só que mais vivido, Leonardo me recomendou ter calma. Tudo bem, mas pra mim a viagem tinha acabado ali.

Havia uma programação de filmes na TV do hotel. Eram dois filmes noturnos, divididos em quatro sessões: às 21h, 23h, 1h e 3h da manhã. O filme das 21h era repetido à 1h, e o das 23h, às 3h da madrugada. Eu assistia a todos, todos os dias. Dormia das cinco (depois da sirene da primeira oração) ao meio-dia. Almoçava em 15 minutos, voltava para dormir mais uns minutinhos, acordava, saía pra treinar às três da tarde, tomava banho, jantava, e quarto. Só conversava o básico necessário e, mesmo assim, apenas com os mais chegados.

Pessoas do time e da comissão técnica não gostaram da minha postura. Acharam que eu deveria ter levado na brincadeira aquela história. Zagallo não me convocou mais. Um direito dele. E, analisando os demais goleiros da época, bem mais experientes do que eu, acho até que ele tinha razão.

Voltei à Seleção Brasileira após a Copa de 1998, no começo da gestão Vanderlei Luxemburgo. Fui convocado também por Leão, Candinho, além de Scolari e Parreira.

O hino ainda me emociona. Não importa se vestindo a amarelinha ou a tricolor do coração.

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“Maioridade Penal”

Páginas: 204; Autor: Rogério Ceni; Editora: Panda Books; Preço: 36,00